domingo, 27 de março de 2016

Golpe de Direita no Brasil e Geopolítica Imperialista

Imagem extraída do Blog: MolinaCuritiba, 12/2011.



Por Belarmino Mariano Neto (Prof. de Geopolítica/UEPB)


Primeiramente gostaria de esclarecer que esse artigo não serve de base para defender os governos petistas, pmdbistas ou tucanos, pois entendemos que o PT, PSDB, PMDB, PP, DEM,  entre outros, na atualidade disputam o mesmo projeto político em relação a quem melhor gerencia os interesses do neoliberalismo em nosso país. Basta observarmos as reformas da previdência, os projetos de terceirização, as reformas política e o arrocho salarial dos servidores públicos. Desde a redemocratização do país que o ideário de esquerda foi golpeado por partidos que ao chegarem ao poder, abandonaram suas históricas bandeiras de luta.


Segundo, o Brasil precisa passar por uma grande reforma do Estado, incluindo-se aí as pautas do Federalismo; Reforma Política, Reforma do Judiciário, Reforma no controle das Telecomunicações; Reforma Tributária, entre outras, pois grandes fortunas pouco tributadas e os ganhos exorbitantes dos banqueiros deixam claro que o país esta sendo sangrado e os governos até então se dobraram aos interesses do imperialismo. Atrelado a isso as ações de corrupção em empresas estatais, de empresas privadas e negociatas com compra de deputados e senadores, praticadas pelos grandes partidos para garantir os seus interesses de controle da coisa pública, escandalizam o país.



Estamos diante de um momento Geopolítico de realinhamento dos interesses das superpotências em dominar o mundo, não mais aos moldes da clássica geoestratégia da guerra frontal. Agora as guerras estão no controle ideológico, cultural e informacional do mundo. Ainda remanesce a ideia coercitiva de governos e estados servis aos interesses do grande capital, nesse sentido, qualquer governo que de alguma maneira discorde do monopolismo capitalista, pode sofrer pressão e até ser levado a perder o poder, gerando instabilidade política e fragilidade democrática dos estados de direito. Dito isso, partiremos para uma análise mais apurada sobre os interesses do capital internacional em relação a uma crise econômica, energética e ambiental, sem saídas em curto ou médio prazos, em que, as superpotências buscam o controle de outras nações como é o Brasil.


Todo o mundo capitalista esta em crise, os países desenvolvidos estão vivendo uma das piores crises já registrada pelo modo de produção capitalista, bem maior do que a que vieram em 1929, com a quebra da bolsa de valores de Nova York e que atingiu todo o mundo. Na atualidade, devido ao complexo sistema de informação e comunicação via satélite e em sistema de internet, o mercado mundial de ações não dorme e nem fecha as suas portas. Estamos diante do tempo@, como afirma Pierre Lévy (2009) em suas obras sobre ciberespaço e cibercultura. Ou seja, o mundo das ações de presente e de futuro, estão sendo negociadas em todas as partes do mundo diretamente pela internet.


A crise mundial de agora se sustenta em três faces. A primeira é dos países desenvolvidos que vivem um superprodução, com uma sociedade de consumo, abarrotada de novas tecnologias, sem necessidade de consumo imediato. O modo de produção estava salvando sua base econômica com a ideia de descartar, de novidades constantes, sempre produzindo mercadorias com pequenos atrasos tecnológicos, para em seguida, lançar um novo modelo ou um complemento tecnológico. 


Como segunda face, temos nações pobres, atrasadas tecnologicamente, mas com potencial humano de mercado devido as suas carências e numa terceira face temos países considerados emergentes e com grande potencial de recursos naturais, energéticos e até mesmo de mercado consumidor. Na contra-mão desse mercado, algumas empresas passaram a produzir com todas as possíveis tecnologias acopladas e por preços bem inferiores (mercadorias Made In China) aos dos produtos de tecnologia atrasada ou com qualidade inferior de produtos, ao melhor exemplo de produtos chineses de baixa qualidade, em que o quantitativo abarrota o mercado de países subdesenvolvidos com todo tipo de quinquilharias.


Dentro das superpotências, os mercados também estão abarrotados de mercadorias, estagnando o modelo, provocando lentidão, queda de preços e até deflação. Isso tem provocado crescimentos econômicos anuais baixíssimos, desemprego e depressão do mercado. Na contra-mão dos países desenvolvidos, estão os países subdesenvolvidos. Estes ainda são carentes de mercadorias, tecnologias e até de alimentos. Estes lugares são em sua maioria, países economicamente dependentes e fortemente controlados por capital externo, através de empresas multinacionais e até transnacionais. Quando esses países são de grande dimensão territorial, com forte presença de recursos naturais e energéticos, os interesses internacionais são bem maiores em manter o controle territorial dessas áreas.



Geopolítica Americana e Neoliberalismo no contexto mundial



Vale a pena recordar dos últimas décadas do seculo XX, em especial meados de 1985, quando as grandes potências internacionais percebiam uma crise energética sem precedentes, fruto do claro conhecimento científicos da década de 1970, quando os países Árabes passaram a ditar uma produção petrolífera sem o controle do capital Norte Americano e Europeu Ocidental. Essa crise do Petróleo levou a geopolítica dos Estados Unidos da América (USA) a intervir diretamente no Oriente Médio, há época, não apenas tentando impedir avanços soviéticos na região. 


A preocupação predominante era controlar os governos e as economias desses países. Tiveram forte resistência cultural e geopolítica, pois os países do Oriente Médio tinham seus próprios interesses regionais, que estavam acima da lógica estratégica dos USA. Deu o que todos sabemos, as décadas de 1970 e 1980 foram cruciais para conflitos os grandes países produtores e exportadores de petróleo. Os sucessivos governos Norte-Americanos interviram diretamente nos conflitos, em algumas situações autorizados pela Organização das Nações Unidades (ONU).


Os países da Europa Ocidental aliados dos Estados Unidos, conseguiram controlar boa parte do Oriente Médio e suas empresas passaram a deter boa parte da economia que envia o setor petroquímico naqueles países orientais. Nesse meio termos, seus economistas e teóricos do Liberalismo, passaram a defender uma forte tese de reformulação dos rumos econômicos do mundo. que passaram a identificar como "Neo-Liberalismo", pois existia uma nítida crise energética, e também ambiental, pois os ecologistas já denunciavam a pelo menos uma década os riscos dos Programas Nucleares (Americanos, Europeus Ocidentais e Soviéticos/URSS). Para confirmarmos essa situação basta lembrarmos de 1986, com o vazamento radioativo da Usina Nuclear de Chernobil em território ucraniano da Ex-URSS.


Em argumentos simples, as geoestratégias do neoliberalismo, era uma crescente abertura da economia de mercado, que ascendia pela privatizações de empresas estatais, além de setores dos serviços públicos, como saúde, educação, comunicações, finanças, etc. O Neoliberalismo passou a estimular governos de partidos de direita e extrema direita, comprometidos com essa política de entrega da soberania nacional em seus territórios. Assim, criavam uma situação nacional de crise econômica, mexendo em taxas de juros, gerando desabastecimentos, processos inflacionários que serviam para justificar que os governos vendessem a preços bem abaixo do mercado internacional aos grupos ou empresas multinacionais e transnacionais.


Entre os países subdesenvolvidos, existem aqueles com significativo parque tecnológico e industrial, com grande potencial energético e de recursos naturais de rochas, minerais, solo, água e biodiversidade. Entre eles destacaríamos: O Brasil, o México, a Índia, a África do Sul e a Argentina, entre outros de médio porte. Estes países, subdesenvolvidos já eram submissos economicamente as grandes potências capitalistas, que com o neoliberalismo, passaram a sugar ainda mais os potenciais econômicos dos países, agora privados e gerenciados por empresas de capital estrangeiro, com capital facilmente negociados em bolsas de valores internacionais, pois o sistema financeiro internacional havia chegado ao nível informacional completo. Isso Milton Santos (2001) chamou em sua obra "Por uma outra globalização" --"domínio do meio técnico-cientifico-informacional" e a essa nova etapa do capitalismo globalizado, Mariano Neto (2001) intitulou de "Capitalismo maduro, com feridas no espaço tempo", fazendo uma dura crítica a crise ambiental provocada pelo sistema capitalista globalizado e suas raízes nas desigualdades sociais.


No Brasil, que vinha de um longo período de duas décadas dominado por uma "Ditadura Militar", ao final dos anos de 1979 começou a vivenciar um reabertura política, com um tímido processo de redemocratização. Esse processo cuminol em 1984 com o Movimento em prol das "Eleições Diretas" para residencia da República. A Lei Dante de Oliveira, não foi aprovada e o presidente escolhido foi através de eleições indiretas, com votação dos deputados e senadores



Fonte: Memorias da Ditadura, 12/jan/1984
O País saiu da ditadura militar com seu primeiro presidente civil, morrendo quase que misteriosamente. Tancredo Neves (MDB) não era um personagem de esquerda democrática, havia sido escolhido por um congresso ultra-conservador e reformista. podia ser considerado um nacionalista conservador e foi eleito ao lado do Oligarca maranhense José Sarney, um conservador entreguista. Foi um governo altamente tumultuado, devido aos diferentes percalços da falta de um projeto programático e adotando as receitas recessivas propostas e ate certo ponto impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

De 1979 até 1988 tivemos o chamado período de redemocratização brasileira, pós-ditadura militar, que consolidou-se com a Constituição Cidadã. De fato, importantes conquistas constitucionais foram geradas pela Constituinte.  De 1989 até 2002 tivemos uma clara organização de governos civis, todos comprometidos com políticas elitistas, com governos neoliberais a exemplo de Collor de Melo, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso (FHC - PSDB). As esquerdas até tentaram eleger Luis Inácio da Silva (Lula-PT), entre os anos de 1989, 1994 e 1998. Os governos neoliberais aplicaram com sucesso a política estrangeira no Brasil, criando um forte programa de privatização de empresas estatais e de setores estratégicos da economia brasileira.


A partir de 2003, Luta (PT) foi eleito presidente da República, fruto de uma grande aliança com grupos de direita e de centro, ao exemplo do PRB, PR, PTB, PMDB, PSB e outros. Em 2007 ele foi reeleito, agora ampliando a sua base com partidos tipicamente de direita, incluindo-se aí o PMDB. Estes dois mandatos de Lula tiveram uma forte repercussão na história política do Brasil, pois pela primeira vez havia sido eleito um operário para conduzir os rumos do país.


Lula deu uma significativa freada nos interesses neoliberais que existiam no Brasil e passou a adotar políticas de combate a fome e a pobreza. Esse programas como o Fome Zero, não agradou as elites dominantes, nem tão pouco aos governos de direita, pois representou uma ameaça as classes dominantes, na medida em que grande continente populacional passou a ter acesso a uma renda mínima, quebrando um pouco da dominação das elites em relação as forças de trabalho. 


Mesmo com problemas de corrupção dentro do arco de alianças dos dois governos Lula, com grandes escândalos, envolvendo inclusive membros influentes em seu partido, ficou nítido que os esquemas de corrupção como o "Mensalão" que era a compra de deputados federais e senadores, com recursos de empresas estatais, para a aprovação de leis e medidas no congresso nacional, eram práticas corriqueiras, inclusive em governos neoliberais como os de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). As ações do Governo Lula (PT), nas áreas de Assistência Social, Educação, Saúde e Moradia, lhes deram a oportunidade de eleger sua sucessora Dilma Rousseff (PT), primeiro contra o tucano José Serra (PSDB) e no segundo mandato contra o tucano Aécio Neves (PSDB). Nesse tempo já se passaram 12 anos de governos Petistas, com ampla base aliada de centro e de direita. 


Derrotas que nunca foram digeridas, nem pelas elites dominantes, nem pelos meios de comunicação que dão sustentação midiática ao ideário de direita. Contra os governos Lula, existiu uma verdadeira Guerra Midiática, com todos os tipos de armações, ou super-repercussão nos erros cometidos pelo governo. Com Dilma existiu um verdadeiro terrorismo ideológico de ataque direto inclusive a pessoa de Dilma, por ter feito parte do movimento de esquerda contra a ditadura militar brasileira.


Vale registrar que em nenhum dos governos petistas, se aplicou de fato uma política totalmente voltada para os interesses da classe trabalhadora, devido aos limites ideológicos do próprio PT e aos seu frouxo arco de alianças, com partidos e grupos de direita, além de uma ampla base de aliados do PMDB, o partido mais fisiologista do Brasil. Mesmo com as poucas políticas de interesse social, os partidos e grupos políticos de direita, continuaram condenando o grupo petista na política nacional, sempre jogando para a opinião pública a ideia de incompetência administrativa e práticas de corrupção.


BRICS, PRÉ-SAL E TENTATIVAS DE GOLPES NO BRASIL



O golpe vai para além da elite brasileira, será uma entrega aos interesses do grande capital. Vejam que estão boicotando o BRICS - Acordo Internacional entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esse bloco econômico entre duas ou três décadas superará o dólar e o Euro. Com o Pré-Sal o Brasil deixará de ser uma potência regional e se tornará, talvez a maior potência energética do Planeta - Isso não interessa as grandes potência e se aproveitam de sua crise econômica, alimentando uma crise político-jurídico-midiática contra a Democracia brasileira. 


Os partidos de esquerda criaram um movimento intitulado "Povo sem medo", em que se precisa reagir ao golpe e apresentar um Plano B contra a direita, as elites e o capitalismo predatório. De acordo com os organizadores, como Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), a saída é pela esquerda! com uma profunda reforma política, econômica, jurídica, tributária e federalista. É preciso mudar o jogo dos tributos para proporcionar maior cobrança para as grandes fortunas, por exemplo, a re-estatização de setores estratégicos da economia brasileira, e a adoção de políticas públicas voltadas para os trabalhadores. Não podemos admitir que o sistema de concessões públicas para os meios de comunicações seja o mesmo com mais de 40 anos, quando houve uma verdadeira revolução das comunicações, pois o que temos é um sistema de concessões públicas nas mãos de uma elite golpista.

Temos que ter um país comprometido e alinhado a outras forças economicas internacionais. Para Claudio Raza (2008), o B do BRICS é do Brasil, que sozinho não irá muito longe dentro da selva do capitalismo monopolista, mas a união entre esses países, que são considerados emergentes por economistas liberais e neoliberais, poderão em menos de uma década ultrapassar toda a economia Americana, em duas décadas ultrapassar as economias americanas e britânicas e em quatro décadas poderão ultrapassar as seis maiores economias do mundo, incluindo aí: USA, Inglaterra, Alemanha, Japão, França e Itália. Raza deixa claro que esse bloco foi gestado a partir de 2002, quando o governo Lula estava começando seu primeiro governo.



Fonte: Imagem extraída do Instituto Ciência Hoje, Uol, 2012. Chefes de Estado e de governo dos BRICS reunidos em junho de 2012 no México. Segundo Gustavo Ribeiro, é preciso incorporar uma forte agenda de justiça social no bloco. (foto: Roberto Stuckert Filho/PR – CC BY-SA 2.0) 
Raza (2008) argumenta que o BRICS não é um bloco político, militar, como é a Organização Tratado do Atlântico Norte (OTAN), nem um bloco econômico aos moldes do Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca) ou do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), onde o Estados Unidos da América é o país líder e beneficiado pela sua moeda mais forte. Os tratados econômicos do BRICS alimenta a ideia de equidade entre os países para que todos ganhem igualmente com seus movimentos econômicos, sem que o bloco atrapalhe as demais relações econômicas de cada país em suas regiões de orgiem.

Em relação ao Pré-Sal, vejam alguns exemplos da elevação na produção de Petróleo brasileiro depois do Pré-Sal, em artigo produzido por Fernando Brito em 12//10/2015. Esses dados são evitados pela grande mídia, que preferem dizer que a Petrobrás encontra-se quebrada, devido ao escândalo da "Lava-Jato". Mas, em 30 meses o Pré-Sal já triplicou a produção petrolífera, chegando a produzir bem mais do que o previsto para os primeiros anos de extração.


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Fonte: Extraído do Tijolaço, em 12/10/2015 

A geopolítica e a geoestratégia dos mega-blocos econômicos aponta para países como o Brasil, um cenário positivo de controle da direita aos moldes dos Estados Unidos da América, pois o Brasil é rico em recursos naturais, recursos de solo e água (energéticos/petroquímicos), mão-de-obra qualificada e semi-qualificada de baixo preço, além de uma máquina estatal estratégica que precisa ser desmontada em nome de programas neoliberais de privatização generalizada. O Brasil é um excelente exemplo de potência regional com pouco poder bélico e com governos subservientes aos interesses neoliberais.


Ainda em 2011, João Paulo Moraes faz uma excelente análise do potencial geoestratégico e de garantia da soberania energética que o Pré-Sal poderá representará para o Brasil, se este adotar uma política correta de aproveitamento de toda a cadeia petroquímica, ao invés da exportação do petróleo cru. Mas isso precisa ser feito por um governo que compreenda a importância da socioeconômica dessa valiosidade natural. Se governos neoliberais assumirem o país mais uma vez, todo esse potencial poderá ser jogado na "lata do lixo" para o aproveitamento direto do grande capital.


Se fossemos pensar os avanços de governos de esquerda na América Latina, estaríamos vendo as dificuldades americanas para controlar as economias nesses países. Teremos bons exemplos, mesmo considerando que nem todos os países citados tem ou tiveram governos totalmente de esquerda. Mas alguns países como: Cuba, Venezuela, Chile, Bolívia, Brasil, Uruguai e Argentina, são bons exemplos, mesmo que na parcialidade, entre assumir o poder e manter programas de governos próximos das bandeiras ideológicas do socialismo real. Alguns governos nos citados países incomodaram por demais, as políticas e geoestratégias Norte-Americanas para o continente, pois os EUA preferem governos que adotem políticas afinadas diretamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI).


A Jornalista argentina, Stella Calloni (dez/2011), deu uma importante entrevista para o Portal Molina Curitiba, em que ela analisou a interferência direta dos EUA na geopolítica para as Américas, em especial para a América Latina. Seu resgate histórico adentra a Doutrina Monroe, "América para os americanos" e que hoje teria pretensões  ainda maiores de "O mundo para os americanos". Nesse sentido o BRICS incomoda em muito as geoestratégias políticas e econômicas dos EUA. A descoberta do Pré-Sal também preocupa essa potência capitalista, pois o Brasil finalmente poderá ter sua soberania energética garantida, além de acesso ao mercado internacional com exportadora de petróleo e derivados.


Calloni (2011) faz todo um resgate das ações americana, ora silenciosas ora efetivadas com ações bem nítidas dos EUA, passando pela interferência na Colômbia que originou o Canal do Panamá, passando pelas ditaduras militares até chegarmos aos dias atuais, como por exemplo, a tentativa frustada de golpe na Venezuela em 2001, tudo orquestrado pelas mídias de direita com manipulação de interesses do Pentágono. Os EUA só esqueceram de combinar com o povo Venezuelano que reagiu ao golpe e foi as ruas, restituindo a democracia e o governo de Hugo Chaves.


Calloni (2011) falou de uma Guerra Midiática e se observarmos no Brasil as ações de revistas, jornais e emissoras de TV nacionais como: Veja, Isto É, Época, Folha de São Paulo, Estadão, Rede Globo, SBT entre outros meios de comunicação que orquestram um modelo econômico, cultural, político e social americanizado, passando pela massificação do Inglês, da música, do pensamento, dos hábitos alimentares, das marcas e nos momentos políticos mais agudos, com um choque constante de manipulação midiática da opinião pública. Inventam heróis políticos e tentam destruir os heróis do imaginário popular. Tudo em uma guerra silenciosa pela manutenção de governos leais aos interesses imperialistas.


Na atualidade e com forte ajuda de grande parte da bancada do PMDB, notamos movimentos estranhos de tentativa de golpe contra a democracia brasileira. O Golpe tem inicialmente um caráter político-jurídico-midiático, mas nas entrelinhas vemos a mascara do neoliberalismo estrangeiro, caindo e contribuindo para esse fim. Vejam que em grande parte, existe no escandaloso esquema da "Lava-Jato", um esquema de corrupção que nasceu dentro do próprio EUA, o que dará aos americanos a possibilidade de intervir geo estrategicamente  no problema que envolveu a Petrobras, com empresas petrolíferas americanas.


Podemos falar sobre geoestratégias para o golpe que se delineia. Esse é um golpe de Direita, articulado pelas elites nacionais no poder, de interesse direto para o grande capital, que controla a grande mídia e aquece os tambores para uma violenta exploração dos trabalhadores do Brasil e do mundo. A lógica será de arrocho salarial, crise controlada por dependência econômica e financeira, tanto dos estados, quanto das pessoas, fragmentadas em suas dívidas bancárias, facilitadas em seus cartões de créditos. Homens corruptos e sem vibra ética moral nos empurram para uma crise política que se agrava com a crise energética, a crise de superabastecimento e aumento da concentração de riquezas nas mãos das elites dominantes.


Quado digo homens sem fibra ética e moral, não me refiro a qualquer homem. Expresso aqui, pelo menos três em cada um desses grandes partidos, pelo menos três em cada um do poder legislativo federal, executivo e judiciário; pelo menos três nas grandes corporações econômicas; pelo menos três das federações de Industria, Comércio, agentes financeiros, Assim temos mais de uma centena de grandes líderes nacionais, que tramam esse golpe. Não se trata de um golpe contra uma mulher chamada Dilma Rousseff (PT) e um ex-presidente que veio da classe operária e sindical. O golpe ao qual nos referimos é contra a Democracia, aquela que nos inspira ao ideal de liberdade e de respeito ao povo. 


O Brasil que em quase 500 anos sempre foi governado pelas elites dominantes, e quando uma outra ideologia diferente do que defende as elites, se aproximou do poder central, as elites tramaram golpes e se colocaram em marcha para esse tipo de artificio autoritário e covarde. Logo para o Brasil e sua economia pujante e suas grandes riquezas nacionais, incluídas aí a riqueza cultural do povo. 


Até no mundo do Futebol os EUA tentaram usar da sua geoestratégia. Quem lembra da Copa do Mundo em 2014 que ocorreu no Brasil? Logo em seguida os EUA interviram diretamente na FIFA, usando como argumento o envolvimento de empresas americanas em esquemas de corrupção dentro da FIFA e das Federações de Futebol da America do Norte e Central. A Copa do mundo no Brasil, movimentou bilhões de reais, licitações frouxas e grande esquema de corrupção na construção ou reforma de estádios de futebol ou na construção de equipamentos urbanos para facilitar a recepção de turistas aos estados onde ocorreriam os jogos da copa.



O mundo todo se perguntou: Qual o interesse dos Estados Unidos em intervir diretamente na FIFA, através do FBI e com o apoio direto das agencias de segurança da Suíça? Outras questões podem nortear essa analise geográfica de perspectiva geoestratégica. O mundo encurta sua expectativa temporal e fica demonstrado claramente que os megaeventos internacionais estão se tornando um grande negócio em curto e médio prazo. Então em 2018 teremos a Copa do Mundo na Rússia e em 2022 será a Copa do Mundo do Qatar. Então temos quase uma década pela frente, em que trilhões de dólares correram para territórios que não estão na escala de interesses norte-americanos. Diga-se de passagem, temos de um lado o mundo árabe e do outro, resquícios do sonho socialista que marcou profundamente a “Guerra Fria” e a velha ordem Geopolítica. Esse é o desenho de fato, esquadrinhado pelos dirigentes da FIFA e que estrategicamente desagradou os Estados Unidos, que começou a se interessar pelo mundo do futebol.

A bola escolhida para provocar uma crise nesse mundo futebolístico foi exatamente o que melhor caracteriza seus dirigentes maiores. A corrupção, os contratos bilionários, as compras de liberações, os negócios escusos cotidianamente praticado nesse mundo do futebol e ao qual ficamos conhecendo mais diretamente, pois o Brasil foi sede da ultima copa do mundo. O Brasil deu exemplo de que corrupção na organização da copa foi escandalizada em todos os pontos cardeais desse país. Para a realização da copa do mundo no Brasil, foram alteradas até leis na Constituição; foram abertas as porteiras dos negócios e as regras do jogo da corrupção facilitadas.

Os movimentos sociais foram às ruas e protestaram contra esse jogo sujo, dizem até que houve interferência de grupos organizados patrocinados para expor uma violência nas ruas. A gente ainda fica se perguntando, se de fato houve conspiração contra a Copa no Brasil? Se havia o dedo dos Americanos para provocar um fiasco de evento. Ficou claro que havia dois grupos nas ruas. Aquele historicamente reconhecido como de esquerda e que lutavam contra a corrupção, contra as obras faraônicas da copa, enquanto faltava saúde, educação e segurança para o povo; e havia também um grupo de direita que orquestrava uma campanha contra o governo petista que ao lado da CBF e da FIFA organizavam a dita copa. Não há dúvidas de que, em meio às manifestações, surgiu uma onda de violência orquestrada, não se sabe por quem, uma espécie de tumulto e violência para além do tolerável, meio que tentando, através do vandalismo, melar o grande evento mundial. A mando e a serviço de quem?

O site da BBC destaca que os norte-americanos se apaixonaram pelo futebol e pela Copa do Mundo no Brasil e este foi o segundo pais que mais comprou ingressos e veio ao Brasil. Mas as audiências da Copa foram altíssimas em todo o país. O site ainda falou sobre a dança dos milhões de dólares que foram movimentados para retransmissão de futebol nos Estados Unidos, nas duas ultimas copas do mundo e faz previsões para os anos de 2018 e 2022, nesse mercado bilionário, talvez os norte-americanos estejam acordando para as perdas que já tiveram até agora, enquanto o povo americano começa a se deleitar com uma paixão há muito tempo vivida pelos brasileiros.

Assim como no mundo do futebol, uma situação semelhante se dá no campo da política e dos governos que querem dominar o país. Em que os grandes partidos, estão profundamente envolvidos em corrupção, envolvendo instituições públicas estatais e empreiteiras que compram agentes governamentais para ganharem licitações de gigantescas obras do governo federal, em diferentes setores como o petroquímico, hidrelétrico, rodoviário, entre outros. 
Controlar esse gigantesco estado brasileiro, seja na esfera dos poderes executivo, judiciário e legislativo é o que os grandes grupos partidários lutam para garantir. Nesse processo unem forças com grandes empresas brasileiras e até estrangeiras. Quebrar com esse potencial estatal em nome da iniciativa privada é o maior proposito dos partidos de direita, para isso contam com ajudas significativas, tanto dentro do país, quanto externas. Para isso, não existe nenhuma preocupação com os princípios democráticos dentro de um estado de direito. 

A força organizada do povo, compreendida pela organização política dos movimentos sociais, comprometidas com os interesses deveras democráticos e com a defesa e o respeito a soberania nacional, podem evitar que oportunistas e aventureiros das elites dominantes sirvam de avalistas de golpes e/ou da entrega de nossa economias aos ditames internacionais do capitalismo monopolista.

Fonte:


LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2009.

MARIANO NETO, Belarmino. Ecologia e Imaginário: Memória Cultural, Natural e Submundialização. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2001.
SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização - do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro - São Paulo: Editora Record, 2001.
Memorial da Ditadura, Jan/1984 <http://memoriasdaditadura.org.br/linha-do-tempo/diretas-ja/>
http://www.cronicon.net/
http://molinacuritiba.blogspot.com.br/2011/12/entrevista-com-com-escritora-e.html
http://www.cartacapital.com.br/politica/coordenador-da-fup-o-pre-sal-e-o-tsunami-na-geopolitica-do-petroleo
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/09/brics-a-geopolitica-de-um-mundo-novo
http://olharesgeograficos.blogs.sapo.pt/geopolitica-americana-nas-entranhas-da-9962

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