domingo, 27 de maio de 2018

Le Monde Diplomatique esmiuça a crise pós golpe no Brasil

imagens das redes sociais Jornal GGN

Por Jose Manoel Ferreira Gonçalves

1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais.
2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.
3 – O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.
4 – Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Noticias da Tarde e a Greve dos Caminhoneiros



Por: Belarmino Mariano Neto

Importante entrevista/debate com os professores Belarmino Mariano (UEPB) e Alexandre Souza (IFPB), coordenado por Michele Marque na TV Mídia. Todo o debate girou entorno da Greve Geral dos Caminhoneiros e a Crise política vivida em todo o Brasil. O Programa contou com a participação de centenas de internautas, através do face book ao vivo, YouTube e WhatsApp. Um debate intenso e aberto, com a análise de conjuntura, inclusive internacional. veja o vídeo na integra, de sua opinião, faça sua crítica.



Fontes:
https://www.youtube.com/watch?v=KvvycgAwH_Q

As relações pessoais de Pedro Parente com FHC e o mercado financeiro

Extraído do Site Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim, 2016.
Por: Federação Única dos Petroleiros (FUP)

Quando assumiu a Presidência da Petrobrás, a primeira declaração de Pedro Parente ao mercado foi de que não haveria indicações políticas na empresa. A mídia inteira festejou sua nomeação, tratando-o como um gestor da área técnica, a despeito de sua indicação ter sido feita pelo PSDB, mais precisamente, por interferência de Fernando Henrique Cardoso, com quem tem relações de longa data.
Como se sabe, Pedro Parente participou ativamente do governo tucano nos dois mandatos de FHC, nos anos 90, onde foi secretário executivo no Ministério da Fazenda, titular em quatro outros ministérios – Orçamento e Gestão, Casa Civil, Planejamento e Minas e Energia -, além de ter coordenado a Câmara de Gestão de Energia Elétrica, quando ficou conhecido como o “ministro do apagão”. Também ocupou por quatro anos o Conselho de Administração da Petrobrás, chegando a presidi-lo, em 2002.

Greves e Golpes

Foto de Odilon Maximo.
Por: Manoel Fernandes

O mês de maio é sempre cheio de surpresas, ainda mais em anos que terminam com 8, embora tudo não passe de mera coincidência.
Agora, para lembrar um 11 de Setembro, aparecem os caminhoneiros e a figura de Allende cercado pelas tropas de Pinochet. No centro de mais um golpe militar, essa estrutura rodoviarista hegemônica e monopólica de circulação espacial ganha um protagonismo dramático.
As soluções apresentadas pelos intelectuais asseclas do capital é o deexpropriar ainda mais os trabalhadores, repassando parte significativa da poupança já roubada de milhões, para entregá-las em partes: ao sistema financeiro, aos proprietários de grandes empresas de transporte e a certos setores da indústria.
A realidade é que a solução rodoviarista é plenamente associada aos interesses latifundiários. Os camponeses são subsumidos à estruturas fundiárias excludentes e perversas porque a concentração da circulação estimula a concentração de terras em poucas mãos.
Imaginem agora os regatões do Pará expropriando seringueiros migrados que ocupam as várias margens de muitos rios, vendendo barato o que extraem e comprando caro o que lhes chega. Marx, que este ano completaria duzentos aninhos em Maio se vivo fosse, disse que fora da esfera imediata da produção, só o transporte interfere na determinação do mais-valor.
Depois de vários golpes contra os trabalhadores. O aumento da miséria. A destruição de diversos programas sociais que distribuíam renda. Vemos os fascistas que gritaram Fora Dilma, pedir que lhes contemplemos com renúncia fiscal. Enquanto isso, o exército que foi treinando com sangue dos haitianos espera a ordem como um cão no cio, para entrar na nossa casa sem pedir licença.
Isso que vivemos agora não é greve, isso é golpe.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Associação de caminhoneiros Abcam abandona reunião na Casa Civil com posição de manter greve

RJ, 31/07/2012, Protesto de caminhoneiros em greve fecha a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) próximo a Barra Mansa, na cidade do Rio de Janeiro Foto: Pablo Jacob / Agencia O Globo

Por: O Essencial/DCM (https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/associacao-de-caminhoneiros-abcam-abandona-reuniao-na-casa-civil-com-posicao-de-manter-greve/)
O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, deixou uma reunião na Casa Civil antes do término na tarde desta quinta-feira e afirmou que a entidade mantém posição de manutenção da greve dos motoristas, mas que outras entidades da categoria aceitaram suspender temporariamente a paralisação.
“Enquanto presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), não entregar projeto votado e assinado pelo presidente (Michel Temer), da minha parte não levanto o movimento”, disse Lopes a jornalistas depois de sair da reunião sem que ela tivesse terminado.

Dos atos de 2013 a Greve dos caminhoneiros de 2018

Imagens das redes sociais - Montagem de Rafael Xavier/UEPB, 2018.

Por: Lau Siqueira e Belarmino Mariano

Lembro que em 2013 fiquei com meu amigo Babilack Bah na Epitácio Pessoa olhando aquela multidão cheia de cartazes, mas sem bandeira. Esquerda e direita no mesmo passo. Militantes e militontos na mesma pisada. Tudo junto e misturado. Todo mundo se achando dono da mobilização que pariu o MBL. Não podia bandeira. Não podia partido. Black Blocs bombados quebravam vitrines. Parecia a procissão de Nossa Senhora da Penha, em João Pessoa. Aquela sensação de que muita gente não sabia o que estava fazendo ali. Lembro de um maluco que subiu num muro com a bandeira do Brasil e gritava

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Nicolás Maduro é reeleito na Venezuela com mais de 67% dos votos

Presidente Nicolás Maduro, Imagem Carta Capital/21/05/2018.

Artigo a redação da Carta Capital
Com quase todas as urnas apuradas, o Conselho Nacional Eleitoral confirmou no domingo 20 que Nicolás Maduro foi reeleitopresidente da Venezuela. Em um pleito não reconhecido pela oposição e por diversos países, o chavista conquistou, até o momento, 67,7% dos votos. O segundo colocado foi Henri Falcón (21,2%), seguido por Javier Bertucci (10%). 
De acordo com a presidente do CNE, Tibisay Lucena, apenas 46,1% dos eleitores compareceram às urnas. Neste cenário, diversas zonas eleitorais permaneceram abertas após o horário definido para o enceramento do pleito. 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

PARA QUE A UFPB JAMAIS ESQUEÇA AQUELE TEMPO SOMBRIO:Quem foi Guilardo Martins, o reitor que a ditadura colocou na UFPB de 1964 a 1971?

Artigo de Waldir Porfírio

Guilardo Martins Alves era Capitão-médico do Exército e professor da Faculdade de Medicina. Foi o interventor da UFPB, ocupando o cargo de reitor em 14 de abril de 1964, após a cassação do mandato do reitor Mário Moacyr Porto, por determinação do Coronel Comandante da Guarnição Federal de João Pessoa, general Arthur Duarte Candall Fonseca. Ficou nesse cargo até julho de 1971.
No dia 27 de abril de 1964 Guilardo Martins criou uma Comissão de Investigação, sob a presidência do professor Flóscolo da Nóbrega para investigar professores e alunos baseado em informações dos órgãos de repressão.
Menos de quinze dias após a criação dessa comissão, o Conselho Universitário se reuniu (08/05/64) para aprovar a Resolução nº 18, do Interventor da UFPB, que “excluía”, do ano letivo de 1964, os estudantes José Iremar Alves (Cursos de Ciências Econômicas e História); Aderbal Vilar Sobrinho (Curso de Ciências Econômicas); José Ferreira da Silva (Curso de Ciências Econômicas); Inocêncio Nóbrega Filho (Curso de Ciências Econômicas); Rubens Pinto Lira (Curso de Direito); José Humberto Espínola Pontes de Miranda (Curso de Direito); Evandro Ferreira dos Santos (Curso de Direito); Antônio Sérgio Tavares de Melo (Curso de Direito); José Tarcísio Fernandes (Curso de Direito); Carlos Augusto de Carvalho (Curso de Direito); e José Rodrigues Lopes (Curso de Medicina).
O interventor Guilhardo Martins também puniu com a demissão, em 1964, os professores Juarez Macedo, Nizi Marinheiro, Ronald Queiroz, Luiz Hugo Guimarães, Assis Lemos, Sá Leitão, Laurindo Albuquerque Melo e Cláudio Santa Cruz de Oliveira.
Após o Ato Institucional nº 5, Guilhardo Martins mostrou novamente suas garras não renovando os contratos e/ou suspendendo os pagamentos de professores, bem como dissolvendo e intervindo nos Diretórios Acadêmicos.
Um ofício reservado do Serviço de Segurança e Informações da Universidade Federal da Paraíba, datado de 1° de fevereiro de 1969, o qual foi endereçado ao general Vinitius Notare, o Reitor-militar Guilardo Martins presta contas das perseguições aos professores da UFPB que ele havia praticado:

“Senhor General:

Levo ao conhecimento de Vossa Excelência, que esta Reitoria, fiel aos ideais e à continuidade do processo Revolucionário, tomou as providencias aqui especificadas:
1 – Direção de Unidade – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – exoneração do Coordenador Prof. Paulo Pires e designação para as mesmas funções da Profª Vilma Cardoso.
2 – Professores:
a) Contratação não renovada:
a1 – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas:
Gerard Camille Prost
Maria Thereza Ribeiro Prost
Roberto Navarro de Oliveira
Beatriz Maria Soares Pontes
Ruy Gomes Dantas
Enoque Gomes Cavalcanti
Obs: Prof. José Jackson de Carvalho teve o pagamento sustado até melhor averiguações.

a2 - Escola Politécnica – (Campina Grande):
Joest Van Dome
Heronildes Dias de Barros
Nakais Hiorshi
Hercules Gomes Pimentel
Obs: Prof. José Kehrle teve o pagamento sustado para fins de esclarecimentos.

a3 – Faculdade de Ciências Econômicas (João Pessoa)
Ronald Queiroz Fernandes
Obs: Os professores Célio Di Pace e Oswaldo Trigueiro do Vale tiveram o pagamento sustado para fins de esclarecimentos.

a4 – Faculdade de Ciências Econômicas (Campina Grande)
Ronald Queiroz Fernandes
Marcelo Renato Arruda

a5 – Escola de Engenharia:
Raimundo Adolfo

b) Ouros pagamentos sustados para fins de esclarecimetos:
b1 – Escola de Agronomia do N ordeste:
Hélio Correia Lima
Antônio Geraldo Figueiredo
Lindalva Vírginio Franca
Adelmo Neves Machado
Manoel de Carvalho Ferreira

b2 – Instituto Central de Física
Zenonas Stasevalms
Dnerson Neiva Monteiro
Carlos Eduardo Pessoa Cunha
Djair Aquino Lima
Manoel Paiva Martins

Diretório Acadêmicos
- Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Dissolvido e nomeado interventor – Acadêmico Clovis Alves Montenegro.
- Diretório Acadêmico de Medicina – Dissolução e nomeação de interventor – Acadêmico Marcos Antônio Ayres.
- Diretório Acadêmico da FACE (João Pessoa) – Dissolução e nomeação de interventor – Acadêmico Doberto de Miranda Henriques.
- Diretório Acadêmico da FACE (Campina Grande) – Dissolução e nomeação de interventor – Acadêmico (não constou do nome)
- Diretório Acadêmico da Escola Politécnica – Dissolução e nomeação do interventor – Acadêmico Abdon Cavalcanti Itapá.”.

Depois das punições implementadas contra os professores, chegou a vez das lideranças estudantis. Em 25 de fevereiro de 1969, um dia antes da edição do Decreto 477 pelo governo militar , o Reitor-militar Guilhardo Martins Alves baixou um ato, “ad referendum” do Conselho Universitário da UFPB, determinando que 29 estudantes fossem impedidos definitivamente de se matricular em qualquer unidade daquela instituição e outros 55 estudantes foram impedidos de fazerem as suas matrículas por um, dois ou três anos.
Os 29 estudantes impedidos definitivamente de se matricularem na Universidade Federal da Paraíba são: Aderbal Villar de Carvalho (Formado pela FACE - JP); Alzenir Rodrigues dos Santos (Formado pela FACE - JP); Heloíso Gerônimo Leite (Formado pela FACE - JP); João Lacerda Lima (Formado pela FACE - JP); José Fernandes Neto (Formado pela FACE - JP); José Ferreira da Silva (Formado pela FACE - JP); Leda Rejane Pereira do Amaral (Formado pela FACE - JP); Maria Auxiliadora Rosas (Formado pela FACE - JP); Edite Maria de Oliveira (Formado pela FACE - CG); Jaerson Lucas Bezerra (Formado pela FACE - CG); Jurandir Cardoso de Alcântara (Formado pela FACE - CG); Maria de Fátima Mendes da Rocha (Formado pela FAFI - JP); Wilma Batista de Almeida (Formado pela FAFI - JP); Dinalva Navarro (Formado pela Escola de Ciências Sociais - JP); Maria da Penha Ribeiro (Formado pela Escola de Ciências Sociais - JP); Maria Teixeira (Formado pela Escola de Ciências Sociais - JP); Terezinha do Vale (Formado pela Escola de Ciências Sociais - JP); Djamil de Holanda Barbosa (Formado pela Escola Politécnica - CG); Iêdo Martins Marcondes da Silveira (Formado pela Escola Politécnica - CG); José Tadeu Carneiro da Cunha (Formado pela Escola de Engenharia - JP); Luiz Carlos Soares (Formado pela Escola de Engenharia - JP); Paulo José de Souto (Formado pela Escola de Engenharia - JP); Zenóbio Toscano de Oliveira (Formado pela Escola de Engenharia - JP); Emilton Amaral (Formado pela Faculdade de Direito - JP); Germana Correia Lima (Formado pela Faculdade de Direito - JP); Ivanise de Souza (Formado pela Faculdade de Direito - JP); Jáder Carlos Coelho da Franca (Formado pela Faculdade de Direito - JP); Maria Meiva Gadê Negócio (Formado pela Faculdade de Direito - JP); Simão de Almeida Neto (seis meses para concluir o curso de Engenharia Elétrica - CG).
Os 55 estudantes que tiveram suas matrículas suspensas temporariamente pela Universidade Federal da Paraíba são: Antônio Gomes da Silva (01 ano, fazia economia - CG); Antônio Sérgio Tavares de Melo (01 ano, fazia filosofia - JP); Arnaldo José Delgado (02 anos, fazia engenharia - JP); Augusto Aécio Mendes Duarte (02 anos, fazia engenharia - JP); Brígida Nóbrega (01 ano, fazia filosofia - JP); Carlos Alberto Nunes Marinho (01 ano, fazia engenharia - JP); Carlos Antônio de Aranha Macêdo (01 ano, fazia direito - JP); Cláudio Américo Figueiredo Porto (02 anos, fazia economia - CG); Darlan Nóbrega de Farias (01 ano, estudava na Politécinica de CG); Eimar Fernandes (01 ano, fazia filosofia - JP); Eraldo Fernandes dos Santos (01 ano, fazia medicina - JP); Eurivaldo Antônio Alcântara (01 ano, fazia economia - CG); Everaldo Ferreira Soares Júnior (01 ano, fazia medicina - JP); Everaldo Nóbrega de Queiroz (02 anos, fazia engenharia - JP); Francisco de Paulo Barreto Filho (01 ano, fazia direito - JP); Francisco Trigueiro (02 anos, fazia farmácia e bioquímica - JP); Genuíno José Raimundo (01 ano, fazia economia - JP);Getúlio Bezerra de Castro (01 ano, fazia medicina - JP); Hélcio Lima de Oliveira (02 anos, fazia engenharia - JP); Hélio do Nascimento Melo (01 ano, fazia economia - CG); Inácio de Loiola Monteiro Souza (01 ano, fazia economia - CG); Jander Cunha Neves (02 anos, fazia economia - JP); João Roberto de Souza Borges (02 anos, fazia medicina - JP); Jorge de Aguiar Leite (01 ano, fazia economia - CG); José Arimatéia Bezerra de Lima (01 ano, fazia filosofia - JP); José Cazuza de Lima (01 ano, fazia direito - JP); José Leão Carneiro da Cunha (01 ano, fazia economia - JP); José Urânio das Neves (01 ano, fazia economia - CG); Kenneth Talis Borjas Jaguaribe (01 ano, fazia enfermagem - JP); Lenildo Correia da Silva (01 ano, fazia economia - JP); Luiz Sérgio Gomes de Matos Filgueiras (02 anos, estudava na Politécinica de CG); Maria de Lourdes Meira (01 ano, fazia filosofia - JP); Maria do Socorro Morais Fragoso (02 anos, fazia serviço social - JP); Maria do Socorro Pessoa (01 ano, fazia filosofia - JP); Maria do Socorro Ramos Loureiro (01 ano, fazia economia - CG); Maria Egilda Pereira Saraiva (01 ano, fazia economia - CG); Maria Gilca de Oliveira Pinto (01 ano, fazia economia - CG); Maria Lívia Alves Coelho (02 anos, fazia medicina - JP); Maria Nazaré Coelho (01 ano, fazia filosofia - JP); Maristela Villar (01 ano, fazia medicina - JP); Nobel Vita (01 ano, fazia direito - JP); Noberto Lima Sagratzi (01 ano, fazia engenharia - JP); Oriana Andrade Mattos (01 ano, fazia filosofia - JP); Paulo Henrique Sobreira Lopes (01 ano, fazia economia - CG); Pe. João Batista Filho (02 anos, fazia economia - CG); Raimundo das Neves Brito (02 anos, fazia economia - CG); Risalva Bandeira Machado (01 ano, fazia economia - CG); Rubens Pinto Lyra (01 ano, fazia direito - JP); Saulo de Tarso de Sá Pereira (02 anos, fazia medicina - JP); Sebastião Borges Sobrinho (02 anos, fazia economia - CG); Tercino Marcelino Filho (01 ano, fazia economia - CG); Tibério Graco de Sá Pereira (01 ano, fazia engenharia - JP); Vicente Antônio da Silva (01 ano, fazia engenharia - JP); Willians Capim de Miranda (01 ano, estudava na Politécinica de CG); Wlademir Martins de Souza (01 ano, fazia direito - JP).

(Artigo de Waldir Porfírio)

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A ressurreição de nossos sonhos


Ir. Marcelo Barros

Nunca imaginei vir a Curitiba para uma manifestação nacional e unitária de todas as forças de esquerda e dos principais movimentos sociais e seus aliados. Foi isso que vi nesse 1o de maio, na praça que o povo apelidou da Democracia no centro de Curitiba, entre a Faculdade Federal do Paraná e o Teatro Guaíra. Ali às duas da tarde, começavam a chegar em caminhada os companheiros e companheiras que vieram a pé dos acampamentos Lula Livre, Marisa Letícia e Olga Benario. E no grande palco armado ao lado do edifício da Universidade, se alternavam artistas, políticos e líderes sindicais. Em seu momento mais alto, os organizadores calcularam em 40 mil participantes. Pessoalmente, vi algo comparado às marchas dos bons tempos dos fóruns sociais mundiais em Porto Alegre.
Claro que alguém pode dizer que, como sempre, nessas ocasiões, os discursos se repetiam exaustivamente e também que muitos companheiros de esquerda continuam pensando que, através de gritos, conseguirão ganhar a revolução. E nesse primeiro de maio, vários pareciam querer competir para ver quem gritava mais. O que, me parece, deixa o povo cansado e com sensação de distância emocional. No entanto, apesar disso, devo confessar que tudo isso era menos importante diante da vitória e da alegria de vermos ali reunidas todas as centrais sindicais, de sentirmos junto conosco três candidatos à presidência da República: Guilherme Boulos, Manuela e Aldo Rebelo. Esse último mal conseguiu falar devido à inaceitação e até vaias de uma grande parte da multidão. Apesar disso, ao menos os dois primeiros pareciam dispostos a se darem as mãos e colocar o interesse coletivo acima do pessoal. E o mais importante de tudo era aquela multidão com o coração vibrando de amor como força revolucionária. A mensagem do presidente Lula que  Gleice Hoffman leu no final nos confirmava: Ninguém matará nossos sonhos. E comigo eu pensava e dizia aos que estavam perto: E se morrerem, nós os ressuscitaremos.
Agradeço profundamente aos companheiros Carlos Veras, presidente da CUT em Pernambuco e Jaime Amorim, coordenador do MST do estado que me convidaram para integrar a delegação pernambucana, pagaram minha passagem e me hospedaram em Curitiba. Aliás, aquela manifestação toda foi muito caracterizada pelo agradecimento de uns para com os outros e pelo sinal maravilhoso de ver o povo novamente na rua.
Depois dessa celebração política, verdadeiramente eucarística (de agradecimento e de comunhão), como Jesus desejaria fossem as nossas missas, experiência mais forte só podia ser mesmo o Bom Dia, Lula,  que nós vivemos hoje (02 de maio) pelas nove da manhã em frente ao acampamento Lula Livre. As vozes daquelas milhares de pessoas (não sei quantas, mas imagino mais de três mil), as palavras de ordem e a energia de amor que sentíamos ali, ao ouvir dois índios Kaingang, mulheres da Amazônia, pescadores do litoral da Bahia, alguns/algumas representantes de movimentos sindicais e movimentos sociais – era bom sentir a unidade. Eu pude falar três minutos. Lembrei hoje o aniversário da páscoa do querido Dom Tomás Balduíno (quatro anos), como eu me sentia ali representando ele e todos os profetas e profetizas das Igrejas que nascem do povo que luta por justiça e por libertação. E como não lembrar o maio da falsa libertação dos escravos e  a necessidade de lutarmos juntos contra a morte dos jovens negros em nossas periferias e contra os ataques e discriminações sofridas pelas comunidades de terreiro. Isso também tem de ser agora o nosso grito de Lula Livre. Saí vendo gente chorando no meio da multidão e todo mundo naturalmente de mãos dadas em uma espiritualidade de amor pela luta revolucionária que é começo de ressurreição e Páscoa. 
Quando lembramos nossos sonhos bons (os maus não precisam ser recordados), geralmente precisamos de um cenário que nos seja familiar e agradável. O mais revolucionário desse momento tem sido engravidar um sonho maravilhoso em um contexto adverso, justamente pensado e produzido para assassinar sonhos teimosos e arredios. É viver acampamentos como os hebreus no deserto diante da sede da Polícia Federal de Curitiba e fazer um primeiro de maio unificado e nacional na praça principal da capital dos coxinhas que nós tomamos, ocupamos e transformamos em capital da resistência revolucionária do povo trabalhador e sem trabalho.
Desculpem-me os amigos curitibanos que estão conosco nessa luta. Provavelmente, vocês concordam comigo que nenhum juiz da inquisição golpista que domina o Brasil poderia jamais imaginar que prender o presidente Lula em Curitiba uniria todas as forças de esquerda brasileira e despertaria os movimentos de base em todo o país em torno de bandeiras comuns que atualmente são simbolizadas no grito LULA LIVRE.     O que Moro fez foi transformar Lula no preso político mais importante do mundo. Essa prisão injusta dará a Lula a possibilidade de ganhar o Prêmio Nobel da Paz. E, pelo que estamos vendo, essa prisão iníqua será o detonador de um processo revolucionário que tendo sido aceso, nada mais conseguirá deter. O LULA LIVRE vai muito além do protesto contra a prisão do presidente. Simboliza a luta contra as medidas escravagistas do desgoverno atual e revela a resistência de milhões de pessoas que se sentem continuando a luta de Mariele e de tantos irmãos e irmãs que partiram. O único lembrete que me cabe fazer, se me derem espaço e tempo, é o que fiz hoje, é recordar que essa revolução precisa engravidar no coração de cada um de nós um jeito novo de ser e de viver que os evangelhos chamam de processo de conversão. Esse processo é social, mas deve também ser pessoal. Ele nos faz ver nos olhos uns dos outros a faísca amorosa do Espírito que nos confirma: Deus é mesmo Amor. Um Amor que é sentimento e impulso criador e transformador de mais amor. Nós traduzimos e vivemos isso quando conseguimos transformar a luta em um ágape revolucionário, cheio de amor e carinho. Foi isso que me pareceu que vivemos ontem e hoje em Curitiba e que se espalha pelo Brasil. Se Deus quiser. Amém. Aleluia.