terça-feira, 8 de março de 2016

Hoje Não quero flores!


Por: Jordana Louise do Nascimento

Durante toda a história da humanidade a mulher esteve subjugada a uma sociedade cuja cultura do patriarcalismo/machismo é cultuada. O homem sempre esteve no centro da sociedade e, como consequência dessa imposição, a mulher passa a ser vista como um objeto ou algo a ser dominado, humilhado fisicamente e psicologicamente. É ensinado a elas a maneira de como devem se comportar diante da sociedade, diante da imagem do homem, e quando resolvem quebrar as correntes são duramente castigadas. Várias mulheres foram oprimidas e massacradas no decorrer da história, como por exemplo, a santa inquisição medieval onde foram queimadas, torturadas fisicamente e psicologicamente sob a acusação de bruxaria por tentarem escapar de uma “ditadura social” ou por pensarem e agirem de forma diferente. Infelizmente essa repressão às mulheres não permaneceu apenas na idade média.
Vamos relembrar o ocorrido do dia oito de março de 1857, em uma fabrica de tecidos, localizada nos estados unidos, cerca de 136 mulheres com os seus filhos, pois eram obrigadas a leva-los para as fábricas por não terem onde os deixar, foram queimadas vivas por lutarem pelos seus direitos. Essas mulheres almejavam redução na carga horária que era de 16 horas por dia, melhoria salarial, pois elas recebiam apenas um terço do salário que os homens recebiam, e uma melhor estrutura no trabalho.
Por que o dia oito de março não deve ser tratado como um dia em que as mulheres devem receber flores? Não quero flores, porque não as quero? Flores são um símbolo de romance, sentimentos bons de paz e descanso, as flores não deviriam ser entregues às mulheres no dia 8 de março, pois essa data vai muito além de comemorações. Esse marco não deve/deveria ser apagado de nossas lembranças, não deve ser capitalizada ou romantizada, pois tem que permanecer nas lembranças de todas as mulheres e homens como um dia de luta. Dia em que mulheres foram mais uma vez queimadas vivas por questionarem uma cultura imposta a elas, por quererem romper com uma “ditadura social” que as limitam, falando como devem agir diante dos homens.
Segundo Sylviane Agacinski (1990), a mulher é vista como inimiga pelos homens, pois o homem exerce a força e a mulher a politica do pensamento, o que ocasiona uma ameaça para o sexo masculino. O homem cria conceitos e impõem culturas sobre as mulheres e as força a aceitarem sem a opção do questionamento. Segundo Judith Butler (2015) a construção política do sujeito procede vinculada a certos objetivos de legitimação e de exclusão, e essas operações políticas são efetivamente ocultas e naturalizadas por uma análise política que toma as estruturas jurídicas como seu fundamento. É como se a mulher não pudesse passar a viver em função de si mesma, pois para os homens a raça masculina fica ameaçada e por consequência iria ocorrer o seu declínio.
Para Chimamanda Ngozi Adichie (2014) O fato de imposição sob a mulher vem de uma cultura que está enraizada no contexto social, onde o homem é ensinado a dominar e a mulher a se submeter, e assim ocasionando a exclusão do sexo feminino politicamente e como agente social. É como se o sujeito do sexo feminino tivesse a obrigação de estar ligado como um só ao sujeito masculino, com as limitações impostas por uma cultura machista. O ato de castigar as mulheres que buscam uma nova estrutura cultural e social permanecem marcadas na história, assim como o dia oito de março de 1857. Contudo essa data só passou a ser considerada como um marco na luta da mulher, quando a ONU (Organização das Nações Unidas) oficializo-a  um século depois do seu ocorrido.
O dia internacional das mulheres não é um dia de festividades, pois não temos o que comemorar, não devemos receber flores em um dia que houve um assassinato coletivo de várias mulheres, onde homens misóginos trancaram as portas da fábrica para deixa-las morrer carbonizadas. Não existe dia da mulher enquanto elas forem torturadas, estupradas, mortas, perseguidas e andarem apavoradas nas ruas. Cerca de 15 mulheres são assassinadas pelo feminicídio por dia  no Brasil, a ONU estima que no mínimo, 5 mil mulheres são mortas por crimes de honra (um termo machista criado por homens com o único objetivo de justificar os assassinatos cometidos contra as mulheres) no mundo por ano, apenas por honra o homem acredita que a mulher é obrigada a estar com ele até a sua morte, lembrando que esse tipo de “homem” bate em sua parceira quase todos os dias, violenta sexualmente e reduz a figura do sujeito feminino a nada, e por consequência abalando o seu estado psicológico. Mulheres são alvos de abusos diariamente, sendo esses físicos e verbais.
No Brasil as mulheres estão vivendo tempos escuros, onde os seus direitos, que são poucos, estão correndo o risco de serem retirados. Transita no senado projetos que almejam diminuir a imagem da mulher, que as obrigam a passar por situações indesejadas. Como exemplo temos o projeto de lei PL 5069/2013 que dificulta a realização do aborto legal. Este projeto vai, por consequência, obrigar as mulheres que sofreram violência sexual a não abortarem, pois limitará os procedimentos que hoje são realizados com a finalidade de resguarda e proteger as mulheres e crianças que foram vitimas, um deles é a retirada da pílula do dia seguinte que é cedida pelos órgãos públicos. Hoje esse projeto permanece adormecido, mas o pavor que ronda as mulheres está acordado, com o medo de que esse projeto volte a transitar.
Não podemos receber flores enquanto vivermos em uma sociedade que tem como cultura o exaltar do homem e o menosprezo às mulheres, onde mulheres são vendidas como objetos, têm seus órgãos genitais mutilados, só para que ela não tenha acesso ao prazer, e que mulheres sejam queimadas vivas como retaliação. Não quero flores enquanto Maria, Ana, Eduarda, Cristina, Jordana e entre outras mulheres, não puderem voltar para casa em segurança ou viverem em suas casas em segurança, sem a ameaça de um homem. Quando a cultura da misoginia acabar, aí sim poderemos receber flores e comemorar.

Referências;
BUTLER, Judith. Problemas de gênero; feminismo e subversão da identidade/ Judith Butler; tradução, Renato Aguiar.- 9° ed.- Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.
AGACINSKI, Sylviane. Política dos sexos/ Sylviane Agacinski; tradução de Marcia Neves Texeira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Sejamos todas feministas/ Chimamanda Ngozi Adichie; tradução, Cristina Baum. São Paulo: Companhia das letras, 2015.

SOARES, Ana Lins. Violência contra mulher. Disponível em http://noticias.terra.com.br/mundo/violencia-contra-mulher/. Acessado em 05 de março de 2016.

sábado, 5 de março de 2016

Como transformar poder econômico em político?

 

Por: Belarmino Mariano 

Com essa questão chave: Como transformar poder econômico em político? queremos iniciar uma série de análises em que, correlacionaremos poder político e poder econômico em escala local, considerando o município de Guarabira, pois essa é uma questão aparentemente simples, mas existem indícios de que aí, nasce os piores males da vida em sociedade, misturando-se interesses privados, de pessoas e/ou grupos econômicos que politicamente, se apoderam das instituições públicas ao seu bel prazer. fazendo todo tipo de manobras e enriquecimento ilícito com o patrimônio que deveria servir ao conjunto da sociedade.

Poderíamos perguntar também: Se alguém banca uma campanha política milionária para um candidato a prefeito ou a vereador, faz esse financiamento com qual interesse? Quando um grupo político já esta no poder, com direito a reeleição, ele tende a usar a "máquina pública" para tirar proveitos políticos na eleição? Se o poder de um grupo for em outra esfera do poder público, como em nível de Estado ou da Federação, esse grupo também usará a "maquina pública" para extrair dividendos políticos? Reflitam comigo:

Resultado de imagem para belarmino mariano neto imagensA política em Guarabira é muito interessante como campo de análise, em especial quando as forças econômicas são relativamente pequenas e médias, se comparadas com outras regiões do país. Guarabira se localiza no interior da Paraíba, situada especificamente no Agreste Baixo, sendo circundada ora por uma região de brejos serranos, ora circundada por ambientes semi-áridos, há exemplo do Curimataú e da própria Microrregião de Guarabira.

Esse ambiente foi historicamente ocupado por elementos de capital dos principais ciclos econômicos brasileiro. Na região, desde o século XVII funcionaram dezenas de engenhos de cana-de-açúcar (mascavo, rapadura, melaço e cachaça); já foi uma importante região cotonicultora (algodão para exportação); Teve um importante ciclo do sisal e já chegou a produzir café de excelente qualidade. Outro importante  destaque da região se deu pela pecuária extensiva, com gado, caprinos, ovinos, aves e outras especieis de valor econômico regional.

Resultado de imagem para belarmino mariano neto imagensA microrregião de Guarabira, encrustada no Agreste paraibano, também se destacou no cenário econômico regional, como uma importante zona policultora alimentar, com destaque para: Milho, feijão, fava, guandu, bata-doce, mandioca, macaxeira, inhame, jerimum, melancia, além de uma grande variedade de hortaliças. Há mais de quarenta anos, estes alimentos eram produzidos pelo sistema de agricultura familiar, posseiros, rendeiro e meieiros, com parte da produção que servia para a subsistência familiar e o excedente era comercializado nas famosas feiras camponesas, sendo a de Guarabira, a mair da microrregião, ocorrendo em dois dias da semana. Nas propriedades familiares policultoras, ainda existia grande variedade de frutíferas, em que nos períodos de safras, abarrotavam as feiras por preços bem populares. Hoje em dia não é mais como antes, talvez não reste mais que 30% ou 40% do era há algumas décadas.

Se considerarmos elementos econômicos locais de um passado recente, nos últimos quarenta anos, Guarabira chegou a ser um polo produtor e exportador de urucum, pimenta do reino e castanha de caju, tendo estabelecido associações e cooperativas de produtores rurais. Há trinta anos, Guarabira chegou a despontar coma a quarta maior economia do Estado da Paraíba, suplantando as atuais cidades polo do Sertão paraibano, Cariri, Curimataú e Litoral.

Nesses períodos citados, o poder econômico se convertia em poder político com muita facilidade, pois as famílias oligarca que controlavam a economia regional, também se instalavam no poder político dos municípios sem dificuldade. Se esses grupos econômicos conseguiam ocupar todos os espaços de poder político, tivessem usado esse poder para a alavancar o desenvolvimento local e região, certamente estaríamos vivendo uma outra realidade social , econômica e cultural.

Hoje os dados apontam que Guarabira esta na 12ª posição econômica estadual. Isso para quem já foi o quarto lugar na economia da Paraíba, no mínimo estivemos parados na estação do progresso por oito posições. Vejam que em nossa análise, nem estamos considerando as condições ambientais favoráveis, com muita terra agrícola, localização privilegiada em relação a grandes centros como: João Pessoa, Campina Grande, Natal e Recife. Isso se comparamos com polos do Sertão: Como: Patos, Sousa e Cajazeiras, muito desfavoráveis ambientalmente e mais isolados do que Guarabira.

Se os princípios políticos e econômicos são os mesmos há décadas, o que aconteceu para que Guarabira e cidades polarizadas tivessem vivido tão forte retração econômica e/ou de desenvolvimento? Será que os agentes políticos, reconhecidos como os mesmos agentes econômicos, foram os responsáveis pelo atraso de desenvolvimento local e regional? Quais eram as mentalidades desses senhores, para permitir tanto atraso em tão pouco tempo, pois estamos aqui falando de apenas quarenta anos de história. Isso mesmo, uma geração se passou e parece que as próprias famílias oligarcas perderam coesão, quebraram os seus negócios mas, continuam querendo manter o status coo.


Novos arranjos econômicos foram inventados ao longo das quatro ultimas décadas, os meios de comunicação impressos e o sistema de rádio passaram há dar a tônica das relações políticas. Nesse ponto, os grupos que sempre estiveram no poder, também passaram a controlar as concessões públicas de rádio, assim, manipulam ideologicamente os seus interesses em continuarem no controle político e econômico da cidade. Alguns empresários de setor também passaram a se interessar pelo controle político local, assim as disputas e conflitos de interesses se tornaram frequentes. Essa é uma das máximas da política local. O pior desse modelo político é vermos o grande atraso de desenvolvimento que a cidade viveu, pois tanto o poder político, quanto o poder econômico sempre esteve nas mãos de um ou dois grupos que se revesam no poder, transformando a coisa pública em interesses privados.

Só existe uma saída política para esse jogo. Precisamos buscar novos projetos de governos, que não estejam atrelados aos grupos econômicos tradicionais, pois o plano dos mesmo é limitado ao beneficiamento privado. Precisamos construir uma alternativa política capaz de valorizar a coisa pública para o social, valorizar o expediente do concurso público, valorizar os trabalhadores do serviço público, fazer investimentos corretos e éticos em programas e políticas que beneficiem a coletividade. Essa deve ser uma alternativa completamente independente e com competências para ser porta voz de mudanças efetivas nos rumos da política local. Nesse momento, o PSOL se apresenta como alternativa, como porta voz dos interesses públicos acima de tudo.

sexta-feira, 4 de março de 2016

PSOL repudia acordão para salvar Cunha

PSOL repudia acordão para salvar Cunha
Fonte: http://www.psol50.org.br/2015/10/psol-repudia-acordao-para-salvar-cunha/

Por: Liderança do PSOL na Câmara dos Deputados
A bancada do PSOL declarou repúdio a qualquer tipo de acordão para salvar o deputado Eduardo Cunha do processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Em entrevista coletiva à imprensa na tarde desta quinta-feira (15), os deputados também anunciaram uma campanha pelas redes sociais e via telefone para pressionar o Conselho a dar celeridade às investigações.
O pedido de abertura de processo de cassação contra Eduardo Cunha foi protocolado na terça-feira (13), pelo PSOL e Rede. Entre as acusações, as contas não declaradas na Suíça e a denúncia da Procuradoria Geral da República por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
Os rumores sobre um possível acordão estão nos corredores da Câmara, foram divulgados pela imprensa e envolveriam Cunha e seus aliados e o governo federal. De um lado, se aumentaria a blindagem ao presidente da Casa, tanto na CPI da Petrobras como no Conselho de Ética, e do outro não seria iniciado processo de impeachment da presidente Dilma Roussef.
“É inaceitável acordos de bastidores tanto para impedir o andamento de uma representação legal quanto para pedido de impeachment. Nós não nos fixaremos em insinuações e repudiamos qualquer tipo de acordo para beneficiar ou proteger um ou outro”, afirmou o líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ).
De acordo com o líder, foram nomeados para suplência no Conselho de Ética dois escudeiros de Cunha: Carlos Marun (MS) e Manoel Júnior (PB) – o que representaria mais um sinal para evitar o bom andamento do processo. “Devemos nos primar pela transparência, agilidade e intocabilidade da representação”, destacou.
O deputado Ivan Valente (SP), membro da CPI da Petrobras, disse que há um forte movimento, com ordem direta de Cunha, para que a Comissão seja enterrada. Desde o dia 1º de outubro requerimento para prorrogação da CPI, com apoiamento de 14 deputados, está pronto para ser votado no plenário – mas como a inclusão na pauta do plenário depende da decisão de Cunha, isto ainda não aconteceu.
“Cunha foi depor em março e mentiu, disse que voltaria àquela Comissão, mas não o faz. E prevalece uma fiel e preocupante blindagem a ele. Quem ajudar a salvar Cunha vai acabar afundando junto”, declarou Ivan Valente. “É insustentável a posição de Cunha, que não merece estar na Presidência da Casa, nem exercer um mandato parlamentar”, afirmou.
Para o deputado Glauber Braga (RJ), há indícios fortíssimos do que está sendo operado, um acordão. “A nota de alguns partidos divulgada no último final de semana é uma farsa. Os líderes e representantes de partidos disseram publicamente, para dar um sinal à opinião pública, que defendiam o afastamento de Cunha, mas são eles mesmos que estão gerando o cinturão de proteção”, declarou. “E não se manifestaram nem na reunião de líderes, nem no plenário até agora”, completou Glauber Braga.
Campanha
Com o objetivo de pressionar os membros do Conselho de Ética para que deem celeridade ao processo de quebra de decoro parlamentar contra Eduardo Cunha, o PSOL inicia uma campanha popular pelas redes sociais e via telefone.
Serão publicizados nomes e e-mails dos 21 membros titulares e suplentes do Conselho de Ética. Também será difundido o telefone da Ouvidoria da Câmara – 0800 619 619 – para que a população deixe seu recado e pressione, efetivamente, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar a dar andamento célere ao processo por quebra de decoro contra Eduardo Cunha.
Para o deputado Jean Wyllys (RJ), a opinião pública tem o poder de exercer essa pressão. “Cada cidadão deve ficar atento em como está agindo o seu deputado. Assim esperamos que o Conselho haja com o decoro que lhe é devido”.
Segundo Chico Alencar é preciso evitar que “tudo vire uma pizza só, de sabor duvidoso e inescrupuloso. A luz do sol é o melhor desinfetante”.
Fonte: Liderança do PSOL na Câmara ( Os cinco mosqueteiros do PSOL).

quinta-feira, 3 de março de 2016

Chuva e Caos em Guarabira

Fotografia do mesmo local feita meses antes da chuva.

Por Belarmino Mariano 

Vídeo mostra o quanto a situação ambiental em Guarabira ganha contornos dramáticos:



Rio Guarabira, ponte (passagem molhada) da Av. Manoel Lordão, acesso aos conjuntos Lucas Porpino e Clóvis Bezerra. Destruição ambiental, lixo, água contaminada. Toda essa sujeira vai para a Barragem de Araçagi que depois abastecerá as nossas casas. O Centro de Guarabira inundado, também por causa dessa situação, pois a água retida dá retorno e impede que a água da Av. D. Pedro II escorra com maior velocidade. As autoridades públicas municipais e estaduais não estão atentas a essa situação e a população sem consciência coloca lixo nas margens e no leito do rio.

Quando colocamos que o Rio Guarabira se encontra em seu leito de morte, alguns podem pensar que se trate de exagero ou sensacionalismo político. Não é nada disso. As imagens mostram que estamos diante de um ambiente completamente apodrecido pelas ações urbanas e humanas provenientes de cidades como Pilõezinhos e Guarabira. Com o agravante, esse rio nasce na cidade vizinha e em sua nascente ainda é possível encontrarmos água cristalina, mas quando seu leito se encontra com o perímetro urbano de Pilõezinhos  começa a receber todos os tipos de dejetos urbanos, decorrentes de galerias, tubulações residenciais e lixo propriamente dito. 

O mais grave, toda essa água e lixo, seguem na direção dos rios Mamanguape e Araçagi e escorre para a Barragem Araçagi, que atualmente abastece Guarabira e cidades circunvizinhas. O grande problema é o custo para o tratamento dessa água, que já poderia chegar a barragem despoluída. Onde estão as autoridades públicas municipais e estaduais? Existe um Partido Verde em Guarabira? Se existe, o que apresenta de soluções para a resolução desses problemas?



quarta-feira, 2 de março de 2016

Greve de Fome: "A semana mais longa"

greve fome UFPB estudantes
Fonte das imagens: Blog Pragmatismo, Marção/2016.

Por: Joana Belarmino de Souza (Jornalista e Professora da UFPB)

Ontem pela manhã, fui à Reitoria da UFPB, em missão pedagógica do Programa de Pós-graduação em Jornalismo, na companhia do meu colega Professor Pedro Nunes. Ali chegados, constatamos que não poderíamos levar a cabo a nossa missão. Todos os gabinetes da reitoria estavam fechados, e, na entrada principal, achavam-se reunidos dezenas de estudantes, professores, representantes dos Direitos Humanos e diretores de centros.

O processo, que já poderia ter se encaminhado para uma solução pacífica, tende a radicalizar-se. Era o sétimo dia da greve de fome de quatro estudantes, acorrentados em defesa de moradia e alimentação para os estudantes do interior, além de outras reivindicações. A ocupação do prédio da reitoria, era ao mesmo tempo, um gesto de solidariedade, de manutenção de uma vigília permanente ao lado dos estudantes em greve de fome. Era também uma tentativa para acelerar uma solução vitoriosa para as suas reivindicações.

Diria que estamos vivendo uma das semanas mais longas de tensão dentro da universidade, e que pode ter consequências nefastas, caso fracasse o estatuto do diálogo, da negociação, caso seja inviabilizada, pela prerrogativa da judicialização, a instância do entendimento, tão indispensável nos dias que correm.

A luta estudantil sempre foi uma constante no âmbito da academia. Os movimentos estudantis participaram vivamente da luta contra a ditadura militar, em favor das eleições diretas, assim como pelo impedimento do ex-presidente Collor de Melo. Internamente, em cada universidade, estudantes organizam-se por melhores condições de ensino, ou mesmo em defesa de outras causas, legítimas, no círculo do debate universitário.

Aqueles que decidem pela greve de fome, nunca estão brincando. Apostam no gesto como um último grito de alerta, a fim de que suas reivindicações sejam ouvidas. É um modo dramático de se fazer avançar o relógio das negociações, de se apressar a chegada do último minuto, aquele primeiro minuto de um fim pacífico, aquele minuto em que se recomeça de novo, com diálogo e com providências para que se recupere a normalidade, os dias de aulas, os dias de trabalho nas instâncias de gestão.

A expansão universitária levada a cabo no país, nos últimos dez anos, calcada sobretudo na criação de novos cursos, e consequentemente na ampliação das vagas, tem colocado a nu, as perversas condições do gerenciamento de um cotidiano formado por uma superpopulação universitária, com orçamentos cada vez mais minguados. Os problemas explodem na qualidade das salas de aulas, dos laboratórios, e, no caso particular, na assistência estudantil, sobretudo para os estudantes vindos do interior do estado e de outras regiões.

A ocupação da reitoria da UFPB, não deve ser tratada como um ato de rebeldia, ou mesmo como um ato de disputa política. Essa ocupação envolve problemas reais, que devem agora estar na agenda de toda a comunidade universitária, problemas que pedem aos gestores, pressa numa solução fundada no diálogo e em prol da harmonia dentro do campus I.


Para além das reivindicações, temos estudantes muito debilitados, entregando seu sacrifício para que haja vitória em favor de todos. Que os leitores da coluna possam dizer, ao final da mesma, que esta notícia é velha, que a semana mais longa da UFPB já chegou ao seu término.

Fonte:

http://barradosnobraille.net/2016/03/02/a-semana-mais-longa/?fb_action_ids=1015594895165753&fb_action_types=news.publishes

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/02/acorrentado-e-em-greve-de-fome-ha-seis-dias-estudante-da-ufpb-desmaia.html

"A Democracia nossa de cada dia"


Platão, Filosofo e Matemático - Fonte da imagem: psicologianomundododireito.wordpress.com

Por: Foto do perfil de Cida Gomes Cida Gomes (Professora)

Estamos aqui debruçados sobre as ideias de republicanismo e democracia e foi exatamente em um antigo livro de Platão  (488 a.C) intitulado a republica que encontramos os fragmentos de diálogos estabelecidos por Sócrates:
“Sócrates” responde às objeções de “Adimanto” com a “Alegoria do Navio”: No relato, quem maneja uma embarcação não tem nenhum conhecimento do ofício, todos ali comem [gulosos] e bebem [bêbados] até empanturrarem-se, se regem pelo prazer e não pelo saber: consideram inútil o “verdadeiro” piloto, que julga ser necessário ter em conta as estações, o estado do tempo, o movimento dos astros e outras coisas tais para conduzir adequadamente a embarcação.

Essa ideia platônica expressa na “Alegoria do Navio” nos convida para refletirmos, sobre quem deve e o que deve ter para se propor a governar a quem daríamos o comando de um navio, a alguém que tem conhecimento ou a qualquer um? Certamente qualquer pessoa em sua sã consciência diria; a uma pessoa com conhecimento de oficio. Na verdade, estas são ideias discutidas na época do nascimento da democracia e somos fruto destas ideias.

Esta alegoria casa com o que vivemos na atualidade política. Parece até que os nossos espaços sociais, como a casa, a rua, a cidade e o campo, são esse grande navio alegórico. Como é interessante observarmos uma família na governança de sua casa, essa embarcação marcada por vulnerabilidades de vendavais e tufões das crises. Também podemos pensar que essa grande embarcação pode representar uma cidade qualquer, abarrotada de mercadorias, de marujos e comandantes que nada entendem do oficio de navegar.

"O natural seria que os homens que têm necessidade de governo fossem em busca de quem tem capacidade para fazê-la" (KOHAN). Mas não é bem assim. Por isso é bom refletirmos sobre o que diz Eça de Queirós:  “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.

O que vemos são as mesmas "forças" que insistem em impor seus governos das mesmas caras e nada de novo imprimem para a sociedade. Grupos que querem o poder simplesmente para se locupletar as custas de importantes e necessários programas sociais, econômicos, culturais e ambientais, desviados dos seus propósitos. ao bel prazer dos que assumem o timão da embarcação e em muitos casos conduzem o leme da embarcação para as pedras e precipícios.

Só existe uma saída, é importante que  participemos de forma efetiva de uma mudança desta realidade, independente de participação direta em uma agremiação partidária. Podemos lutar contra a hipocrisia política dessas velhas oligarquias, dentro de nossa comunidade, dentro dos nossos postos de trabalho, nos nossos ambientes religiosos, na feira ou no salão de beleza. Na hora da escolha para quem vai conduzir a nossa embarcação, temos que escolher aqueles navegadores que tenham conhecimento e sabedoria de oficio para conduzir o navio com segurança.

Precisamos buscar novas alternativas políticas, em especial aquelas forças desafiadoras desse modelo vencido e inescrupuloso, representado por grandes partidos e que já estão no poder há décadas. Seja no comando de uma cidade, de um estado ou do próprio país. Devemos ficar atentos para a cena política e para os homens e mulheres éticos, que se colocam como alternativa á essa velha e carcomida política controlado dos corruptos.

Quero terminar esse pequeno artigo sobre a nossa democracia de cada dia, com esse pensamento de Edgar Morin (2002): “O inesperado surpreende-nos. É que nos instalamos de maneira segura em nossas teorias e ideias, e estas não têm estrutura para acolher o novo. Entretanto, o novo brota sem parar (...)”. Saudações aos que acreditam na Democracia como pensaram os Gregos há mais de 2.500 anos.

terça-feira, 1 de março de 2016

PMDB de Guarabira: Caminhos e descaminhos na temporada eleitoral 2016


Fonte da imagem: Instagram de Igor Bento, 29/02/2016.

Por: JOÃO MARIA CARDOSO E ANDRADE - Presidente do PSOL Guarabira)

Como em uma corrida de fórmula 1, assim estava sendo a escolha do PMDB para as eleições municipais de Guarabira. Podemos fazer essa analogia sim, pois o partido se intitula de vermelhão, algo parecido com a Ferrari, com uma forte equipe e capital para tentar ganhar a temporada 2016 da corrida política local.

Agora vamos aos pilotos. Parece que a família Paulino que comanda o vermelhão, não esta conseguindo adesão ou força suficiente para colocar o "carro na pista", pois já faz aproximadamente cinco meses que o empresário José Claudino (Deda Claudino) "foi contratado" para ser o pré-candidato Pmdbista nas eleições de 2016, mas não conseguiu o desempenho esperado. Resta saber se o problema e do "piloto ou do carro"?

Além de um rico empresário da cidade, Deda Claudino é bastante conhecido em Guarabira. Mas como político já havia tentado a Câmara de vereadores, em êxito, e parece que não conseguiu despertar interesse da população quando se trata de ser o possível prefeito de Guarabira. Seu nome, apesar de ter sido muito badalado dentro das rádios de Guarabira, não logrou a simpatia dos eleitores, que simplesmente ignoram sua pré-candidatura.

Os rumores é de que dentro do PMDB, não existe conforto, quanto a essa situação e já faz mais de 100 dias que os filiados vivem apelando para que a ex-prefeita Fátima Paulino, seja a pré-candidata, mas existe a sensação de que ela mesma não esteja disposta a tal empreendimento. Parece até que o PMDB  encontra-se reduzido ao próprio grupo familiar dos paulinos, aos moldes da velha política oligarca, chefiada por um patriarca e seguida pelo grupo que na atualidade não contará com as principais máquinas públicas, pois uma esta nas mãos do prefeito Zenóbio Toscano (PSDB) e a outra esta nas mãos do governador Ricardo Coutinho (PSB). Para completar a cena, surgiu a pré-candidatura do PSOL, nova alternativa de fato.

Diante dos descaminhos do PMDB, resta saber, se Deda Claudino vai se submeter aos caprichos políticos da tradicional família paulino, sendo colocado em segundo plano, como vice de Fátima, ou de qualquer outro nome paulino, pois ainda existem pessoas como o ex-governador Roberto Paulino, Roberta Paulino. O que podemos deduzir dessa atual conjuntura é que o PMDB havia traçado alguns caminhos, trilhos ou pontes para retomar o poder local, mas com a fragmentação dos grupos e com a nova presença politica do PSOL no cenário, muita coisa mudará em relação a opção dos eleitores.

 O Deputado Estadual Raniery Paulino (PMDB), em entrevista hoje pela manhã, deixou claro que, o partido foi obrigado a reavaliar sua atual posição, diante da nova conjuntura criada pela pré-candidatura do PSOL, tendo o prof. Belarmino Mariano, como uma nova opção de projeto político para a cidade. Muito mais do que o grupo  do governador que será marcado por figurinhas carimbadas da velha política.  Raniery deu a entender que, o nome de Fátima poderá restituir o espaço de poder do grupo e como deputado, não ira sacrificar seu mandato parlamentar de oposição em defesa dos interesses dos seus eleitores e da população paraibana.

Com a decisão de ontem a noite, em adiar por mais trita dias a escolha de pré candidaturas majoritárias, o PMDB de Guarabira, redefine seus caminhos para o pleito de 2016, Ou seja, havia traçado um caminho, em que anunciava o novo, que não apresentaria nenhum nome da família, mas o novo não aconteceu e pelo jeito, essa consulta será única e exclusivamente para tentar ganhar mais um tempinho para confirmar o nome de Fátima Paulino com Deda como Vice ou quem sabe outro nome.

Concluímos dizendo que, de novo mesmo só a pré-candidatura do PSOL, representada pelo professor Belarmino, com capilaridade e popularidade para alterar historicamente os rumos da política em Guarabira, servindo de reflexo para a região de Guarabira e Brejo paraibano. Com um novo projeto, já demonstrado nacionalmente pelas posições políticas firmes, representadas pelos parlamentares do PSOL, como um partido que esta em todas as lutas em defesa dos reais interesses sociais, com o fomento as políticas públicas efetivas, contra as práticas de corrupção e pela autonomia dos movimentos sociais da cidade e do campo.




O Pão que o Diabo Amassou e a Lacração de Comerciante na Internet

Por Belarmino Mariano* Hoje assisti um vídeo de um pequeno comerciante jogando pão no chão do seu mercadinho, chutando os pacote...