domingo, 4 de janeiro de 2026

A Invasão da Venezuela e o Sequestro de Nicolas Maduro pelos Estados Unidos.

Por Luis Nassif, via Blaut Ulian Junior*

A invasão da Venezuela e o sequestro do seu presidente pelos Estados Unidos, joga definitivamente a América Latina na mais profunda imprevisibilidade.

Os sonhos brasileiros, de uma potência soberana e desenvolvida, passam a ser profundamente ameaçados.

Os elementos para o grande salto estavam aí:

1) Reservas estratégicas de terras raras.
Abundância de energia verde.
Uma boa base científico-tecnológica.
2) A parceria potencial com a China e com os BRICS, abrindo as perspectivas de uma cooperação proveitosa.
3) A liderança do Sul Global, abrindo enormes possibilidades geopolíticas para o país.

Tudo isso é passado. A invasão da Venezuela marca definitivamente o fim da autonomia das nações, da mediação dos organismos multilaterais, das negociações como saída para os conflitos.

A história está repleta de exemplos, a Pax Romana, a Espanha dos Habsburgo sobre a América Latina, a Guerra dos Ópios, do Império Britânico contra a China, as sucessivas invasões norte-americanos no pós-guerra.

O padrão é sempre o mesmo.

- Ascensão econômica
- Supremacia militar
- Narrativa moral (“civilizar”, “libertar”, “defender”)
- Uso seletivo da força
- Declínio quando o custo supera o benefício
- Entra-se na nova quadra com o Brasil partido ao meio.

De um lado, tendo de enfrentar seus demônios internos: a invasão do mercado e do Congresso pelo crime organizado. Os problemas de governabilidade trazidos pelos apropriação do Congresso pelo crime organizado.

A ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal, facilitada pela falta de um código de conduta no órgão.
Uma mídia sem a menor noção do que seja interesse nacional, sem uma bússola sequer, resultando em uma cobertura caótica e sem discernimento.

O único fator de coesão no país continua sendo Lula, mas sem o reforço de qualquer plano de desenvolvimento sólido, sem qualquer perspectiva de futuro, para propor o grande pacto nacional.

Todos os gestos passivos foram tentados para o grande pacto. Tem-se um governo claramente de centro, respeitador das instituições, empenhado em reconstruir as bases do Estado nacional, atuante nas questões de soberania, quando afrontada pelas ameaças de Trump, e ousando políticas sociais básicas.

Fosse um país minimamente informado, Lula representaria a tal terceira via, que a imprensa vive apregoando e ninguém sabe, ninguém viu. Mas é vítima de um preconceito social típico de republiquetas latino-americanas. Ironiza-se muito o pensamento primário das bancadas bbb (boi, Bíblia e bala), mas o veículo que deveria ser o instrumento dos grandes temas nacionais – a mídia corporativa – compartilha do mesmo primarismo.

E esse primarismo contamina todos os setores da vida nacional. Não existem mais lideranças industriais, comerciais, bancárias, de pequenas e micro empresas. Apenas uma enorme balbúrdia em torno do que é ou não é gastança.

A bola está com Lula, não fosse por suas virtudes, mas pela relevante razão de que somos um país de analfabetos disfuncionais, com cada qual querendo levar seu quinhão sem a menor noção sobre o conjunto.

Lula tem que pensar seu plano de metas, seu New Deal. Anos atrás, no dia do AVC de dona Marisa, participei de um evento com Lula. Fiz minha palestra, joguei um monte de provocações para Lula. E o discurso que ele fez continha todos os elementos de um projeto de país: abordava todos os temas relevantes para o país (educação, inovação, integração econômica, saúde) com a linguagem acessível ao cidadão comum. Comentei com um colega que apenas uma bala pararia Lula (parafraseando um dito comum nos tempos de Muhammad Ali).

Depois disso houve a prisão, a volta gloriosa, a administração política de um país partido ao meio. E o veneno bolsonarista espalhado por todos os poros da Nação.

Mas é hora de Lula dar-se conta da necessidade de traçar um projeto que aponte o futuro. Os bons indicadores de 2025 não bastam. Ele tem que colocar o país para pensar o que queremos ser, da mesma maneira que JK com o Plano de Metas e Roosevelt com o New Deal.

*Luis Nassif, via Blaut Ulian Junior*

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