sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

"Vermelhou no Curral... Prefeita Léa Toscano, Deputada Camila Toscano, Cícero Lucena, Efraim Filho, Lucas Ribeiro, Alhos e Bugalhos da Política Paraibana para 2026".

Por Belarmino Mariano* 

Parafraseando o Boi Garantido (Vermelho), do Festival de Bumba Meu Boi de Parintins, Amazonas: "Meu coração é vermelho (...) Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão. O velho comunista se aliançou ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom e a expressão da minha cor(...)". Será que as cores políticas aqui em Guarabira mudaram completamente de lado?

Esse ano de 2026, completam 25 anos que estou em Guarabira e, na política, já vi quase tudo, mas agora está custoso acreditar nos atuais acontecimentos, com vistas às eleições gerais do Brasil e confesso que gosto de acompanhar a política a partir da realidade em si (Maquiavel, 2001).

No dia 8 de janeiro, a atual prefeita de Guarabira, Léa Toscano (União Brasil) e sua filha, a Deputada estadual Camila Toscano (PSDB), recepcionaram o Prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB), para declarar apóio político a sua pre-candidatura ao governo do Estado da Paraíba.

Além de Cícero também estiveram no ato, o vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), sobrinho de Lea e filho do Deputado federal Hervázio Bezerra (PSB), o deputado federal Marcinho Lucena (PP), que é filho de Cícero; o deputado estadual Felipe Leitão (Republicanos), a prefeita de Araçagi Josilda (PSDB), além de vereadores da bancada de situação e os correligionários da região.

O Senador Veneziano Vital (MDB), atual aliado da família Toscano e de Cícero, estava em Brasília, com o presidente Lula (PT), no ato do dia 8 de janeiro em defesa do Estado Democrático de Direitos, mas participou através de mensagens de vídeo.

O que é mais custoso para acreditar foi ver essa ruma de partidos políticos ou legendas que oficialmente estão em diferentes coligações e bases políticas opostas, e que também já apresentaram pré-candidatos ao governo do estado, ao senado e às casas legislativas federal e estadual, mas na política, nunca se surpreenda, pois até o impossível pode acontecer.

Como explicar aos eleitores que inimigos ou adversários políticos, que até ontem estavam em campos completamente opostos, agora serão fortes aliados? Na Paraíba essa disputa de governador, com um possível segundo turno, será acirrada e tensa, pois estaremos diante de histórias e disputas que em outros tempos seriam improváveis.

Por isso a coisa do "vermelhão", pois aqui em Guarabira, quando eu estava chegando em 2001 para 2002, tinha havido um grande racha político entre as duas tradicionais famílias (Paulino e Toscano), ambos aliados e ligados ao MDB que tinha como cor símbolo o vermelho (Vermelhão). A paixão política aqui às vezes ultrapassa os limites da razão e é aí que mora o perigo.

Com o racha político estadual entre o grupo Cunha Lima de Campina Grande e o grupo Targino Maranhão de Araruna, a Família Paulino ficou com a liderança do MDB e o vermelhão como símbolo. Enquanto a família Toscano foi para o PSDB (azul e amarelo) e seguiu como base do grupo Cunha Lima.

Aqui em Guarabira, em sucessivas campanhas, houve uma "verdadeira guerra" de bandeiras, arrastões e comícios entre Paulinos do MDB, vermelhão, que arrastava milhares de pessoas. Mas o azulão (PSDB) dos Toscanos também não ficava para trás.

Na eleição de 2022, o suplente de deputado federal Raniery Paulino se afastou do MDB e concorreu ao mandato pelo Partido Republicanos e nesse vácuo, a família Toscano, conseguiu puxar o MDB para a sua base de aliados e agora, parece que a prefeita Léa, apesar de está no União Brasil, avermelhou de vez.

Ontem, minha vizinha e vereadora Isaura (União Brasil), líder da comunidade e muito prestativa, forte aliada de Léa e Camila, já havia mobilizado toda sua base e com mais de 30 carros lotados, todos de vermelhão, seguiram para o evento de declaração de apoio a Cícero Lucena. Confesso que tomei um choque, pois na última eleição era todo mundo de azul e amarelo.

Claro que as escolhas e decisões políticas fazem parte do processo democrático e os líderes, detentores de mandatos, avaliam qual o melhor caminho a seguir, mas acredito que certamente, muitos foram pegos de surpresa. 

Agora vamos aos definidores e complicadores políticos das legendas e coligações em disputa. Primeiramente, vale salientar que pelo menos três grupos políticos estão misturados nesse momento político de definição e indefinição:

1) O União Brasil (UnB) e o Partido Progressista (PP), dos partidos mencionados, estão em fase de formar uma Federação de Partidos, ou até mesmo uma fusão, mas existe uma crise específica na Paraíba, pois o União Brasil já definiu como pré-candidato a governador, o Senador Efraim Filho (UnB), que ficou extremamente descontente com a prefeita Léa (UnB), por declarar apoio a Cícera Lucena (MDB);

2) O Partido Progressistas (PP), é do grupo político da Senadora Daniela Ribeiro, do deputado federal Agnaldo Ribeiro(PP) e tem como pré-candidato a governador o atual vice-governador Lucas Ribeiro (PP) em aliança direta com o atual governador João Azevedo (PSB), que entregará o governo a Lucas Ribeiro para se candidatar ao Senado;

3) O prefeito Cícero Lucena (MDB), que era filiado ao PP, aliado do governador João Azevedo, rompeu com o grupo para lançar sua pré-candidatura a governador. A escolha de Cícero em mudar de partido está atrelada ao Senador Veneziano (MDB), candidato à reeleição para o Senado, numa composição que também terá Lula (PT), candidato a presidente como aliado direto e;

4) O PT da Paraíba poderá ser o fiel da balança, pois o partido já definiu que Lula apoiará João Azevedo (PSB) e Veneziano (MDB), como candidatos a senadores e o PT em nível estadual comporá aliança com Lucas Ribeiro (PP) em uma aliança ampla com o PSB do vice-presidente José Alckmin, o Republicanos e dezenas de outras legendas que estão na base de apoio do atual governador. 

Com esse afastamento político de Léa e Efraim Filho, a confusão está criada e nessa confusão toda, mesmo com a difícil escolha política, os riscos em se antecipar ou as vantagens, estão sendo lançados. Mas é importante dizer que na política, tudo deve ser muito bem calculado e costurado do que as ilusões momentâneas podem apresentar. Como mostra imagem, aqui eram aliados, mas agora serão adversários.
Todos sabemos que o fundo eleitoral e as coligações partidárias ainda não estão definidas, mas para quem tem mandatos a cumprir, como é o caso da prefeita Léa e a deputada Camila Toscano que vai tentar sua quarta reeleição, as mudanças de legenda, nem sempre, são facilmente assimiladas pelos eleitores. Por isso, entendo quando a prefeita Léa declarou que "essa foi uma decisão difícil", até porque o Senador Efraim já declarou muita insatisfação quanto à decisão do grupo Toscano em não lhe apoiar.

A insatisfação de Efraim Filho com o não apoio da família Toscano a sua eleição, poderá ser uma situação de portas fechadas, pois, mesmo que ele não seja eleito, retornará para Brasília como Senador e sabemos que "a ingratidão retira a feição".

Por outro lado, ainda temos o irmão do senador Efraim Filho, o deputado estadual George Morais (União Brasil), líder da oposição na Assembleia Legislativa, que será candidato a deputado federal nas eleições de 2026. Efraim contava com o total apoio Toscano para ele e seu irmão, em uma dobradinha com a deputada estadual Camila, que já era pretensão em migrar para o União Brasil e agora, ficará complicado.

Ainda não sabemos o quanto Efraim Filho estará disposto em sacrificar a candidatura certa do seu irmão, mas o projeto do grupo é a eleição de George Morais (União Brasil). Será que irá tolerar traições em troca de migalhas políticas de vereadores aliados de Léa e que poderiam apoiar George Morais. A disputa será tranquila ou mais radical, ao ponto de disputar os votos de deputado federal e estadual, "derrubando o arame dos currais do Brejo?

Também não podemos esquecer que o grupo de Efraim Filho, seguirá firme e forte na linha presidencial do bolsonarismo, pois são quase 34% de eleitores presidenciais fiéis, que podem seguir alinhados, garantindo a eleição, de uma bancada federal, estadual e de um possível segundo turno, contra Lucas Ribeiro ou Cícero Lucena.

Outro grande complicador para eleição de governador e de senador, será a definição da candidatura do Presidente Lula (PT), que na atual conjuntura, tem dois palanques garantidos na Paraíba, assim como possíveis candidatos a senadores como João Azevedo (PSB), com Lucas Ribeiro (PP) para governador e Veneziano (MDB), com Cícero (MDB), como candidato a governador. 

Como se comportarão os eleitores bolsonaristas de Léa e Camila, vendo ela no campo político de candidatos a governadores e a senadores da base de apoio de Lula? Uma coisa é certa, Lula em Guarabira obteve cerca de 68% dos votos válidos, logo, se souber aproveitar será vantagem política. 

Vale lembrar que o governo Lula tem obras do PAC, como mercado público, obras do Minha Casa Minha Vida e emendas como a de 12 milhões do Senador Veneziano, além de dezenas de Programas que são recursos carimbados e passam diretamente pelas secretarias municipais.

Todos sabemos que a família Toscano sempre apoiou candidatos a presidentes de grupos políticos de oposição aos governos Lula, como foi na época do FHC (PSDB) e na época de Jair Bolsonaro (PL). Será que estaremos diante de uma mudança radical do grupo Toscano que, em função da atual conveniência, na medida em que a disputa comece de fato, o grupo também assuma o vermelho do Lula?

De repente, como disse a deputada Camila Toscano, seus três mandatos de deputada estadual, sempre foram na oposição, ou seja, mais de 12 anos sem influenciar em cargos e órgãos do Estado. Quem sabe, chegou o momento de sonhar com cargos também na esfera estadual.

Mas não podemos esquecer que a família Toscano já foi aliada do primeiro governo Ricardo Coutinho quando estava no PSB e que, os governadores Ricardo e João Azevedo (PSB), sempre fizeram vários investimentos na infraestrutura de Guarabira (UPA, Hospital Regional, Colégios integrais, Escola Técnica Estadual, novas rodovias, investimentos do Orçamento Participativo, adutora Araçagi, asfalto para o distrito de Cachoeira dos Guedes, Alça rodoviária próximo a Guaraves e o asfalto urbano do centro e bairros, restaurante popular, programa de microcréditos entre outros).

Outro fator importante a ser considerado é a rusga política que passou a existir entre o tradicional grupo político estadual de Camila e Léa (Ruy Carneiro e Cunha Lima), com Cícero Lucena, depois que ele passou a apoiar o governador João Azevedo, tendo minado as bases politicas do deputado federal Ruy Carneiro (Podemos) e do próprio grupo Cunha Lima (PSDB), aliados históricos da família Toscano.

Mesmo que Pedro Cunha Lima (PSDB), que ficou em segundo lugar na eleição de 2022, tenha declinado de sua pré-candidatura para governador em 2026, seria difícil, vê no mesmo palanque, Veneziano (MDB), Cunha Lima (PSDB), Ruy Carneiro (Podemos) e Cícero Lucena (MDB). 

Será que Léa conseguiria juntar esse povo todo, em uma eleição que envolve o presidente Lula, dois senadores e disputa ferrenha para deputados federais e estaduais? Confesso que não é uma equação fácil, mas na política, assim como na culinária, "para fazer um bolo, alguém tem que quebrar os ovos".

Nesse jogo político, como disse o vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), que é sobrinho de Léa e assumirá a prefeitura da capital em abril, quando Cícero sairá para a disputa do governo estadual, Leo, ainda jovem, afirmou que esperou por 42 anos para que houvesse uma aliança na qual estivessem do mesmo lado. 

Acho que Leo Bezerra (PSB), assim como seu pai Hervázio Bezerra (PSB), também terão que mudar de partido, pois ao romperem com grupo de João Azevedo (PSB) e Lucas Bezerra (PP), terão os mesmos problemas de Léa com o União Brasil de Efraim. Acho que Leo Bezerra também se esqueceu que Léa já foi deputada estadual pelo PSB, assim como Zenóbio foi Secretário de Estado, mas em situação parecida, rompeu com o governador Ricardo Coutinho, que na época era do PSB e em 2026 é pré-candidato a deputado federal pelo PT de Lula.

Uma coisa é muito certa, os políticos, muitas vezes, fazem suas alianças de acordo com conveniências, sem considerar ou consultar suas bases, o que a gente chamava na velha política de "currais eleitorais". Claro que é um direito democrático, mas ao "pular de galho em galho", corre-se o risco de escorregar e cair. Espero que tudo ocorra como o planejado, pois a cidade e a região onde moro também estão nesse jogo de poderes.

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes Sociais. Sobre "alhos e bugalhos", entendam como tudo isso.
Fontes: guarabira50graus. Portal Mídia, Jornal da Paraíba, Paraíba Online, Paraíba Já, Rádio Cruz das Armas e Fonte 83.

Um comentário:

  1. A boa e velha cara de pau. Da vergonha alheia os vídeos que circulam.

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