Prof. Sergio Gomes*
Esse é um dos empresários bem sucedidos de Guarabira que se ganha dinheiro com energia solar, com bicicletas e motos elétricas e com projetos voltados para as novas tecnologias, todas elas vindas da China. Ou seja, ele ganha dinheiro porque, o Presidente Lula em seu primeiro governo (2003 - 2006), buscou estreitar as relações bilaterais com os países emergentes ou em desenvolvimento. Na época o termo BRIC - Brasil, Rússia, China e Índia estavam em grande evidência.
Em 2006 ocorreu o primeiro encontro ministerial informal entre Brasil, Rússia, Índia e China à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York. Em 2009 o Bloco fez seu primeiro encontro oficial e em 2011 a África do Sul entrou oficialmente no que ficou definido como (BRICS). O interessante que o S da África do Sul, deu um tom de pluralidade entre os países, sendo um sul-americano, um africano um do Sul da Ásia, um do extremo oriente e a Rússia Bi-continental, com parte do seu território na Europa Oriental e a outra parte no Norte da Ásia.
Mas onde entra o empresário Deda Claudino nessa história? Simples, o empresário já passou por alguns partidos políticos aqui em Guarabira, mas parece que, como político ele é um ótimo empresário. Sonhou grande, saiu do MDB, foi para o PL e radicalizou o discurso da Extrema-Direita, na defesa do projeto ultraneoliberal, aos moldes de Miley da Argentina. A boca miuda, dizem que gastou muito dinheiro, não se sabe se do PL ou se do próprio bolso, pois o PL era o único partido com uma sede e um grande Comitê eleitoral no bairro Novo.
Nem mesmo a Candidata filha da Prefeita Lea Toscano (UB), a Deputada Camila Toscano (MDB), reeleita, teve um espaço de campanha tão bem estruturado. Na verdade era um box na Praça João Pessoa, no centro da cidade. O Candidato Raniery Paulino (Rep.), montou um comitê também humilde e coletivo, que abrigou as várias candidaturas do seu campo político.
Feitas estas ponderações, o candidato Deda Claudino obteve apenas 3.373 votos (0,14%) dos votos válidos na Paraíba. Para um empresário de destaque, capa de revistas e ganhador de prêmios locais como empresário do ano, na política, parece que não agradou muito aos eleitores.
Mas a preocupação aqui é observar que independente da derrota nas urnas, derrota também que amargou os seus candidatos a governador Efraim Filho (PL), Queiroga (PL) e Próprio Flavio Bolsonaro (PL) que levaram uma lapada de votos do Lula e seus apoiadores aqui em Guarabira e região, estou querendo entender qual é a lógica política do empresário e de muitos dos seus colegas de profissão?
Tenho certeza que o empresário não é um f4sc1st4 e nem tão pouco um extremista de direita. Vejo alguns dos seus pronunciamentos em redes sociais e acho até que o seu discurso de ultraneoliberalismo (Privatiza tudo que o Brasil se desenvolve), não ultrapassa a esquina dos bairros onde estão os seus investimentos, ancorados em terra firme, mas completamente dependentes dos contenderes vindos dos portos chineses e da Nova Rota da Seda.
Deda Claudino enquanto empresário bem sucedido passa a impressão de que entende de economia e de exportações, pois encontrou os ventos do BRICS soprando na direção do Brasil e entro em um mercado em crescimento e aceleração. Porém, contudo e toda via, o empresário resolveu se associar justamente ao grupo político que contesta os avanços da China e do BRICS no Brasil.
Claudino se juntou com os inimigos do seu negócio, dos seus investimentos e contratos. Simples demais, até um jovens do IFPB da área de administração e contabilidade, sabe que o projeto de Flavio Bolsonaro é ser serviçal do Trump e dos EUA, projeto que tenta a pelo menos duas décadas, destruir o BRICS e voltar ao posto de liderança geoeconômica e geopolítica mundial. Deda está ajudando os Bolsonaro a destruírem tudo o que os Chineses já conquistaram de mercados, inclusive com o empresário local, sendo um dos articuladores dessas redes.
Chego a pensar que seja, inocência ou ingenuidade política e econômica, pois seus fornecedores, poderão sofrer grandes revés caso o candidato miliciano e das facções seja eleito, pois já está na balança dos EUA afastar o Gigante asiático da esfera de influência na América Latina, basta olhar para os casos já em curso em países como Argentina, Paraguai e Chile. Todos reféns do Trump e com os chineses, completamente retraídos, pois se o mercado latino-americano escolheu outro projeto, os chineses se voltam para a África, Canadá e Europa.
Ficaremos com inflação, desvalorização do real frente ao dólar e importações 50 ou 80% mais caras...basta olhar o preço de um carro elétrico chinês que pode chegar ao Brasil na faixa de 110 mil reais e se comparado com um Tesla dos EUA, pode chegar 230 ou 270 mil reais no cambio atual, se o dólar voltar a subir, esse mesmo carro chega ligeiro aos 330 ou 350 mil reais facilmente.
Mas o que isso tem haver com Deda Claudino, ele é empresário do setor de energia elétrica e de equipamentos elétricos e eletrônicos, todos vindos da China e das parcerias feitas pelo governo Lula com o governo Chinês. Imagino que um dos primeiros movimentos de Flávio Bolsonaro (PL), nas relações internacionais, serão entregar as chaves do Brasil nas mãos de Trump e fazer uma limpa em acordos e contratos bilaterais com os países do BRICS.
Mais isso é apenas uma das faces dessa moeda. A outra é o programa de governo do Flavio, Ele pretende acabar com 10 ministérios, provavelmente irá colocar o irmão fugitivo no Ministério das Relações Exteriores e todos sabemos como aquele menino é diplomático. O próprio Flávio que no governo do pais fez piadas com o povo chinês e, quase destruiu importantes relações diplomáticas.
Mas vamos ao pior, os cortes do orçamento em mais de 250 bilhões de reais, o que segundo economistas liberais, pode representar um caminho de recessão, inflação e falta de recursos circulando "nas rodas pequenas na economia", aquilo que o geógrafo Milton Santos chama de Circuito inferior da economia. Então a pergunta vai para o empresário: Em qual circuito da economia estão os seus negócios? será que o empresário sabe que os 250 milhões que sairão da economia, serão concentrados nas mãos dos banqueiros e dos grandes empresários da Faria Lima? Se o seu negócio é diretamente da China para o Brasil e do Brasil para a China, se essa relação for restringida em 50%, qual serão os impactos diretos em seus negócios?
Há, mas o empresário vai dizer, que nada, ninguém altera as relações do Brasil com a China, com os BRICS, Será? já se esqueceram do Jair pai, já esqueceram dos bloqueios chineses as carnes brasileiras, em respostas diplomáticas mal feitas? E os preços dos componentes do negócio do empresário? Se o tal tesouraço for colocado em prática, e vai por é uma exigência do mercado, poderemos ficar a pão e água, poderemos restringir as nossas compras ao essencial e nesses momentos a gente olha para a Argentina de Milei e iremos encontrar cerca de 32 mil empresas que já fecharam as portas e se mudaram para o Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile.
Mas quem sou eu, para ficar me metendo no negócio dos outros, querendo especular investimentos ou macroeconomia, se aqui a economia é predominante micro e meso, com destaque para o Grupo Guaraves que, talvez sinta um pouco desse impacto, mas com produtora e exportadora de alimentos, talvez nem sinta tanto.
Na verdade eu estou lembrando do Nacionalista de Direita Enéas Carneiro e Nacional Democrata Leonel Brizola. Ambos já alertavam para esse momento há pelo menos três décadas e parece ter chegado, pois traidores da pátria, entreguistas, conseguiram convencer pessoas de bem, pessoas que trabalham para acompanhar o desenvolvimento do Brasil e, agora resolvem entregar o país nas mão de lideres milicianos e de facções criminosas.
O geógrafo Milton Santos (2001) em seu livro "Por outra Globalização", afirmou que quem se globaliza não são os lugares, mas as pessoas e as mercadorias". Espero que Milton Santos esteja certo e o empresário errado, pois pelos negócios que ele administra, na verdade, ele terá grandes chances de fechar as portas, mas é se Flávio Ganhar. Pois com Flavinho mão de tesoura, esse negocio de "Madi In China" é que deve fechar as portas no Brasil.
Por Belarmino Mariano e
Prof. Sergio Gomes. Imagem das redes sociais. Fonte: Redes sociais de Deda Claudino.