Ontem foi um dia maravilhoso, viajamos para Campina Grande, fomos organizar uma moradia para nossa filha Brenda e Matheus, pois foram aprovados em Física e Biologia pela UFCG e UEPB.
Limpeza do novo lar, lavar o piso, limpar vidraçaria e colocar os primeiros móveis nos lugares. Cama, colchão, fogão de presente dos compadres João Andrade e Joana Andrade e algumas compras que estavam faltando.
Almoço de quentinha e uma saidinha para explorar o residencial. Nessa hora, ao descer de uma escadaria externa, Luisa Mariano torceu o pé e perdeu o equilíbrio. Até aí tudo bem, machucou, uma dor incomoda mais suportável.
Ao chegarmos em Guarabira, com o aumento da dor, veio o aconselhamento de uma amiga da enfermagem, então partimos para o Hospital Regional de Guarabira (HRG). O Hospital estava superlotado em pleno sábado. Ambulância do SAMU, tinha umas seis ou oito.
Registro de atendimento feito fomos para a triagem e logo em seguida, atendidos pelo Dr. Yvan, no ambulatório de traumatologia. Um atendimento primoroso e meticuloso. Desde as observações iniciais até a triagem já havíamos sido recepcionados por uma meia dúzia de profissionais com muito carinho e cuidado.
Até um socorrista da SAMU, enquanto esperava a liberação do seu paciente deu uma olhada e disse, torção nessa área doi muito e lembrou do jogador Pedro do Flamengo. Luísa, uma Flamenguista nata, disse que sabia, pois acompanhou o traumatismo de Pedro.
No atendimento inicial, Dr. Yvan percebeu que Luísa tinha dificuldade de andar e já pediu uma cadeira de rodas para nos conduzir ao setor de radiografia, assim teria mais certeza do diagnóstico, pois "com ossos pequenos não se brinca".
Com o deslocamento da paciente pelos corredores completamente reformados ou construídos recentemente, vimos que o SUS está no caminho certo e que o governador João Azevedo continuou os trabalho do ex-governador Ricardo Coutinho. Nessa hora a gente percebe que cuidar da saúde dos brasileiros não é tarefa fácil, mas o governo federal e estadual fazem toda a diferença.
Lembrei que em menos de 14 anos, Guarabira perdeu o funcionamento do Hospital e Maternidade Senhora da Luz, lugar onde Luisa nasceu, e que fechou suas portas para o SUS e toda essa demanda reprimida passou a sufocar o HRG. Nada foi feito pelo município para mudar esse quadro.
Na sequência, Guarabira também perdeu o Hospital e Pronto Socorro de traumas, gerando um sufoco no atendimento dos traumas que passou a ser totalmente pelo HRG. Era outro local seguro para os traumatismos de baixaxe nedia complexidade.
Temos que agradecer ao presidente Lula pelos grandes investimentos do presidente Lula no SUS, Samu e outros serviços de saúde. Temos que agradecer ao Governador João Azevedo pela grande reforma no HRG e mesmo sem terminar, já se tornou a única referência de Guarabira e região.
Minha filha de 14 anos, precisou ser atendida em carácter urgência, fez uma radiografia a pedido do Dr. Yvan que no resultado percebeu uma pequena fratura no tornozelo esquerdo. Então nos encaminhou para tomografia computadorizada.
O diagnóstico demorou e como em todos os setores, há muitos pacientes com as pulseiras amarelas de urgência. Depois de casos mais graves, foi feito o exame. Ele queria ter certeza de que tudo saria bem.
Enquanto esperávamos o resultado, Luisa, uma adolescente antenada com o mundo, percebeu o QRCod e já tratou de especular. Ela, rapidamente, já estava vendo os caminhos virtuais que apontava para seu pequeno, porém, dolorido trauma na tibia, um fragmento minúsculo de osso era o motivo de sua dor.
Na sala de radiologia ela estava maravilhada, me disse que parecia um filme de ficção, aqua cama estreita e um círculo de luz sovre a região dos seus pés. Lhe disse que o mais moderno já havia chegado em Guarabira. Mas expliquei que era perigoso por causa da radioatividade.
Luísa já disse que iria perturbar seu professor de Biologia e de Química. Queria saber mais, pois estava se sentindo no cinema. Mas ela também percebeu o drama das pessoas. Senhorinhas idosas em macas, acidentados de motos e o homem com a clavícula quebrada. Sua dor parecia muito maior.
O mais chocante era um homem aparentemente bêbado que ficava gritando e esculhambando com os médicos e enfermeiras. Ele estava sujo e com sangue na boca, resultado de brigas, bebedeiras, um possível dente quebrado e queria passar à frente dos outros pacientes.
Quando saiu o resultado, Dr. Yvan foi chamando os casos mais graves e liberando os pacientes para os devidos tratamentos. A filha do Senhor da clavícula quebrada, ficou muito triste, pois seu pai terá que ser cirurgiado.
Na vez de luisa, com muito cuidado, os exames apontaram para a imobilização com gesso por 21 dias, um alívio grande e o médico disse que por ser jovem eka se recuperar rápido, mas pediu repouso total. Aproveitei para brincar sobre o uso de celular e o Dr. Yvan, rindo, disse que celular ela podia, pois ficara imobilizado não é muito bom.
Nessas três horas dentro do hospital nos deparamos com diferentes situações. Acidente de moto, braço, pernas, e tornozelos. Os corredores e ambulatórios e corredores pilhados de pacientes e alguns já impacientes. Mas para os que não entendem as cores das pulseiras nos braços das pessoas, acham injusto.
Nós entendemos e aguardamos pacientemente, aquele serviço fruto dos nossos impostos e inteiramente gratuitos, pois na urgência não pagamos por nada, ao contrário de como ocorre em outros países, onde a saúde cara e um privilégio de poucos. Aqui é universal.
Surpreendente, o gesseiro Maurício, paciente em seus 35 anos de profissão, nos entregou um serviço de excelência enquanto conversamos sobre a ampliação do HRG e as perspectivas para toda a região. Infelizmente não vemos a prefeitura preocupada com esses temas tão públicos e tão urgentes.
A saúde pública é muito invizilizada, enquanto os centros médicos privados ganham lindos comerciais e propaganda em outdoor. Por isso fiz questão em apresentar esse trextão, essas pequenas situações, que aparentemente aparecem no gesso da perna de uma adolescente. O gesso apareceu, mas para chegarmos a ele, foi preciso a mobilização de dezenas de profissionais da saúde, atendentes, socorristas, técnicos de radiografia e radiologia, enfermeiras, maqueiros e equipamentos.
Luísa saiu do hospital com a sua primeira bota de gesso, um pouco assustada, mas certamente feliz pelo atendimento, cuidado e uma verdadeira paciência com cada um daqueles pacientes, seus diagnósticos, muitas vezes duros para quem esperava e começava a chorar por saber que tinha uma cirurgia lhe esperando.
Luisa passou três longas horas em um hospital público com recursos do SUS e do governo da Paraíba. Viu a angústia de muitas pessoas e o esforço dos agentes de saúde, durante parte do plantão da noite e como disse a enfermeira, às dez horas, das 19:00 as 07:00 horas da manhã e mesmo com duas horas de descanso, não aconselha ninguém a seguir sua profissão.
Vimos muitas mulheres nessa linha de frente, atendentes, médicas, enfermeiras, técnicas da radiologia, equipescde triagem, limpeza, maqueiras e muito mais. Nesse dia 8 de março de 2026, queria dedicar esse artigo, pois as mulheres estão na vanguarda das nossas vidas.
Viva o SUS e servidores públicos da área de saúde. Não é fácil, mas vi um verdadeiro exército para cuidar da nossa vida. O gesso foi o produto final dessa consulta, mas todo o atendimento foi excelente.
Por Belarmino Mariano. Da Série Reconhecimento. Imagens do autor, direto do Hospital Regional de Guarabira/PB.
Feliz 8 de março para as mulheres guerreiras.
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