quinta-feira, 2 de julho de 2026

A Taxação das Importações, a Defesa dos Empregos, Investimento nas Exportações e a Hipocrisia de Politicos da Direita Brasileira

Por: Sérgio Gomes e Belarmino Mariano*

A chamada "taxa das blusinhas" não surgiu por acaso. A medida foi defendida por empresários, varejistas e representantes da indústria nacional que alertavam para a concorrência considerada desleal de produtos importados vendidos com pouca ou nenhuma tributação. O objetivo, segundo esses setores, era criar condições mais equilibradas para quem produz, emprega e paga impostos no Brasil.

Polos de confecção como Toritama, Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru, em Pernambuco, além de fábricas instaladas no Ceará, em São Paulo e em diversos estados, vinham enfrentando forte pressão da concorrência internacional. Empresas nacionais afirmavam que milhares de empregos estavam ameaçados, enquanto produtos importados chegavam ao país com custos tributários menores.

Na avaliação de quem apoiou a medida, a tributação ajudou a fortalecer a indústria brasileira, protegendo empregos, incentivando a produção nacional e preservando importantes cadeias produtivas. Grandes redes varejistas e fabricantes defenderam regras mais equilibradas para que empresas brasileiras e estrangeiras competissem em condições semelhantes.

É importante reconhecer que há opiniões diferentes sobre o tema. Enquanto apoiadores afirmam que a medida protege a indústria e o emprego, críticos argumentam que ela aumentou os custos para os consumidores. O desafio do país continua sendo encontrar um equilíbrio entre fortalecer a produção nacional, preservar postos de trabalho e garantir preços acessíveis à população.

Valorizar quem produz no Brasil significa fortalecer a economia, incentivar investimentos e manter milhares de empregos que sustentam famílias em todas as regiões do país. Isso eles escondem, enquanto propagam mentira ou meias verdades, que confundem a mente de muitos idiotas.

Por outro lado, a grande mídia e os políticos da Direita e da extrema direita ficam promovendo desinformação e criando polêmicas, inclusive com fakes news, de que o governo Lula é um criador de impostos desnecessários e que prejudica a economia brasileira.

Escondem a histórica e importante Reforma Tributária feita no governo Lula e em processo de implantação. Ação em comum acordo com as diferentes legendas políticas, assim como foi a "taxa das blusinhas". Abafam a importante reforma do Imposto de Renda, que zerou o IR para quem ganha até 5 mil reais e reduziu para quem ganha até 7.500 reais, gerando um acréscimo significativo da renda dos trabalhadores assalariados.

Eles escondem que a tal "taxa das blusinhas" foi um pedido direto dos governadores e dos empresários para frear grandes concorrentes do mercado asiático. Também não dizem que a arrecadação do imposto da ordem de quase R$ 10 bilhões, vai diretamente para o apoio às exportações, quando Lula liberou novos aportes de crédito e criou o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação, além de destinar mais R$ 15 bilhões pelo Plano Brasil Soberano. Esses recursos focam em capital de giro, inovação e proteção contra barreiras tarifárias internacionais.

Eles escondem que o presidente zerou o impostos federais sobre a cesta básica e ampliou a cesta para dezenas de outros itens como carnes, peixes e hortefrutigrabgeiros. Mas muitos governadores não quiseram reduzir ou zerar estes impostos, então vários produtos continuam caros nos supermercados.

O mesmo ocorre com os combustíveis, diesel, gasolina, gás. O governo Lula reduziu e zerou várias alícuotas, enquanto os governadores em vários Estados governados pela Direita, mantiveram os impostos, inclusive abrindo precedentes para reajustes que prejudicam o povo. Mas culpam Lula prlas altas de preços, como se Lula fosse o empresário que estivesse explorando o trabalhador.

Eles só falam dos gastos das viagens de Lula, mas não destacam a grande abertura de mercados internacionais para os produtos brasileiros, além da atração de grandes marcas que estão instalando indústrias no Brasil, geralmente novas tecnologias, emprego, renda e dinamizando ainda mais o nosso país.

 "BRASIL MAIS JUSTO"

Essa galera que vive tentando destruir a imagem do presidente Lula não explica a nova Medida Provisória (MP), que reduz e até zera o imposto da chamada “taxa das blusinhas”, para as pessoas mais humildes. 

A nova Medida Provisória publicada em edição extra do DOU, alterou o Decreto-Lei nº 1.804/1980 e autorizou o Ministério da Fazenda a ajustar as alíquotas do imposto de importação aplicadas às compras internacionais realizadas por pessoas físicas. A MP autoriza redução a zero do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. 

O anúncio da retirada dos impostos foi realizado no Palácio do Planalto, em maio de 2026. Durante a assinatura dos atos, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que a medida foi amplamente analisada pelo governo e destacou que, apesar do apelido “taxa das blusinhas”, as compras abrangem não apenas roupas, mas diversos produtos de baixo valor adquiridos pela população.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, explicou que as medidas beneficiarão principalmente a população de menor renda, que utiliza essas plataformas para adquirir produtos importantes para o dia a dia. “É um avanço importante que só foi possível depois de outro avanço muito significativo no combate ao contrabando, que era uma marca presente neste setor. E esse contrabando foi praticamente eliminado”, afirmou.

Já o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, destacou que a MP se soma a outras medidas adotadas pelo Governo Federal para melhorar o perfil da tributação brasileira, citando como exemplo as mudanças na cobrança do Imposto de Renda para as faixas de maior renda. “Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor. Então, o que o senhor está fazendo, presidente, é retirar impostos federais do consumo popular, das pessoas mais pobres”, declarou.

*Por: Sérgio Gomes - Historiador 
*Por:  Belarmino Mariano- Geógrafo
Foto : Wallson Breno/PR.




quarta-feira, 1 de julho de 2026

“NÓS CONSEGUIMOS!” DISCURSO OFICIAL DA ORADORA - FORMANDOS UEPB/CH 2025.2

   Por Pricila Freire Correia dos Santos*

Boa noite a todos e todas! 
Gostaria de cumprimentar todos os membros da mesa em nome da Profª. Drª. Celia Regina Diniz, reitora desta Instituição. Por fim, cumprimentar os presentes: familiares, amigos, técnicos administrativos, professores e, especialmente, os formandos dos cursos de Direito, Geografia, História, Letras-Inglês, Letras-Português e Pedagogia. 
É com grande honra e acalentada de emoções que, em nome de todos os formandos e formandas, gostaria de abrilhantar nossa noite com palavras de alegria e gratidão a fim de celebrarmos nossa colação de grau. 
Este é um momento que, sem dúvida, traz à memória a decisão tomada há anos de escolher “encurtar” o caminho para aqueles que virão depois de nós. Pois sabemos, formandos e formandas, que a força que manteve viva nossa esperança até a conclusão desta etapa acadêmica foi o desejo de, um dia, oferecer àqueles que nos sustentaram nesta jornada a esperança de dias melhores. 
Hoje celebramos mais do que a conclusão de um curso. Celebramos trajetórias. Celebramos histórias marcadas por renúncias, desafios, longos deslocamentos, ausências de recursos, noites sem dormir, fome, trabalhos acumulados, estágios, provas, perdas e recomeços. Cada um de nós que ocupa este espaço carrega consigo uma narrativa única de luta e perseverança. 
Muitos de nós chegamos até aqui enfrentando jornadas duplas de trabalho e estudo, limitações financeiras, responsabilidades familiares e, tantas vezes, a sensação de que o caminho seria difícil demais para ser concluído. Mas permanecemos. Resistimos. E é justamente essa resistência que torna esta noite tão significativa. 
Há uma frase de Margarida Maria Alves que traduz, com profundidade, a força deste momento e dos formandos deste Campus: “Da luta eu não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome.” 
Essa frase ecoa nossa trajetória, porque este Campus da Universidade Estadual da Paraíba é, acima de tudo, um espaço de resistência: resistência contra as desigualdades, contra o apagamento de histórias e contra a ideia de que apenas alguns têm direito ao conhecimento. 
Olhemos ao redor e contemplemos os mais de 140 formandos e formandas do Campus III da Universidade Estadual da Paraíba. Nós conseguimos. Vencemos esta etapa e, hoje, muitos de nós somos a nova história das próximas gerações de nossas famílias. Sintamos a emoção e o impacto transformador da educação superior pública. Porque a universidade não foi, nem é, apenas um lugar de formação técnica. É um território de transformação humana,
no qual aprendemos a questionar, a problematizar e a compreender que o mundo não é algo pronto e acabado. 
Como bem nos ensinou Paulo Freire, educar é um ato político, e ninguém passa pela educação de forma neutra. Como aprendemos nas aulas de Currículo: “neutro, nem detergente”. 
Neste sentido, formandos, temos uma missão social profunda: 
Os formandos de Pedagogia, com a compreensão de que o papel do educador não é neutro, é plural, possui a missão de mostrar que ensinar não é apenas transmitir conteúdos, mas, sim, formar sujeitos conscientes e capazes de transformar suas realidades. 
Os formandos das Letras possuem o propósito de formar profissionais que reconhecem, na linguagem e na leitura, um instrumento de poder, de identidade e de emancipação reconhecendo o que Magda Soares afirma quando diz que “Letrar é mais que alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno.” 
Os formandos da História, possuem o dever de ensinar que o passado não pode ser esquecido, porque compreender os processos históricos é essencial para que injustiças não se repitam e para que não continuemos à viver a vida na deriva da manipulação do Capital. 
Os formandos da Geografia, têm a tarefa de ajudar a perceber que os territórios não são neutros, mas atravessados por disputas, desigualdades, culturas e resistências. Como afirmava Milton Santos, o espaço é um conjunto indissociável de sistemas,\ de objetos e de ações. Compreender o espaço é compreender também as relações de poder que o produzem. 
Os formandos de Direito, por sua vez, possuem a missão de exercer a profissão comprometidos com a justiça, com a defesa da dignidade humana e com a construção de uma sociedade mais democrática e menos desigual; uma sociedade que resiste à exploração de trabalho, que luta pelo reconhecimento dos povos vulneráveis e que atua pela emancipação dos mesmos. 
Todos nós, formandos e formandas aqui reunidos, compartilhamos uma mesma responsabilidade: contribuir para a formação de cidadãos críticos, éticos e comprometidos com a transformação social. 
Afirmamos que é impossível realizar transformação social sem compreender a necessidade de pensar o mundo a partir de perspectivas decoloniais. Durante muitos anos, aprendemos a valorizar apenas determinados conhecimentos, culturas e modos de existir. A colonialidade permanece viva quando classifica saberes, silencia vozes e invalida experiências populares, indígenas, negras, periféricas, femininas e nordestinas.
Por isso, formar-se em uma universidade pública do interior da Paraíba também é um ato de afirmação. É afirmar que o conhecimento produzido aqui importa. Que nossas histórias importam. Que nossas vivências importam. Que a vida daqueles, que viveram sob muito sol para que chegássemos até aqui na sombra, importa! Porque, a educação precisa dialogar com os territórios, com os sujeitos e com as realidades que historicamente foram colocadas à margem. 
O diploma nos abrirá portas profissionais, ampliará horizontes, possibilitará autonomia financeira e reconhecimento social. Entretanto, mais do que isso, ele representará a capacidade de compreender o mundo e de agir sobre ele. 
A partir de hoje, nós carregamos um título acadêmico. Mas, também, carregamos uma responsabilidade ética: a de não esquecer de onde viemos, de quem nos ajudou a chegar até aqui e de quem ainda precisa encontrar oportunidades semelhantes às nossas para seguir. 
Cabe-nos, agora, olhar para trás e agradecer a todos que tornaram essa noite possível. Ao longo das nossas trajetórias, houveram pessoas que, sem dúvidas, foram imprescindíveis para nos sustentar de pé e que nos fizeram acreditar que valia a pena continuar. À vocês, familiares e amigos, dedicamos a noite de hoje. Mães, pais, tios, tias, madrinhas, padrinhos, avôs, avós, filhos, companheiros, companheiras e você, que apesar do laço sanguíneo representa essa força motriz que nos sustentou, saibam que esta conquista também pertence a vocês. Vocês acreditaram diariamente que seria possível, mesmo quando o chão parecia sumir dos nossos pés, vocês ainda assim torciam e celebravam todas as pequenas vitórias. Chegar aqui, nesta noite, não é somente um requisito para emissão dos nossos diplomas, é poder reconhecer o que vocês fizeram por nós. 
Aos professores que nos acolheram e não soltaram nossas mãos, seremos, para sempre, gratos. Vocês não nos ensinaram apenas conteúdos teóricos; mas, nos ensinaram conteúdos humanos. Cada aula, orientação, conselho e palavra de incentivo deixou marcas que levaremos para além da universidade. Em meio às exigências da formação, vocês foram referência, apoio e, muitas vezes, acolhimento. Nossa reverência e eterna gratidão por acreditarem no nosso potencial, por compartilharem saberes e por contribuírem, com dedicação e compromisso, para a construção de quem somos hoje. Parte desta conquista também pertence a cada um de vocês. 
Ao entrarmos na universidade também encontramos guardiões que nos ajudam a seguir, por isso, agradecemos a todos os funcionários da limpeza, das Coordenações, dos Departamentos, das Secretarias, da Biblioteca e de todos os setores que compõem esta Instituição. Muitos dias, foi o sorriso de vocês, nos corredores daquele Campus, que nos
encorajou e nos sustentou ali. Foram as dúvidas esclarecidas com paciência, a torcida silenciosa e o esmero conosco desde o primeiro dia de aula que nos trouxe coragem para continuar. Com gestos simples, mas grandiosos, vocês nos ensinaram lições valiosas. À vocês, nosso mais profundo respeito e a nossa eterna gratidão. 
Aos colegas e amigos formandos, que compartilharam conosco os desafios dessa jornada, expressamos o mais sincero agradecimento. Pois, foi se sustentando um nos outros ao longo do caminho que formamos e fomos formados. Dividimos risos, lágrimas, angústias e conquistas. Construímos laços e vivências que permanecerão guardados como parte essencial da nossa história. Levaremos da nossa jornada lembranças, afeto, cumplicidade, aprendizado e a certeza de que tudo o que vivemos nos transformou para sempre. Traremos conosco riquezas que não se medem, construídas em um espaço-tempo que jamais será o mesmo: aquele que vivemos juntos. 
A todos que formam o Campus III da UEPB, saibam que vocês não apenas desempenharam funções técnicas, mas foram e são partes essenciais na construção de futuros plurais. 
Como nos ensina Bell Hooks: “Que nossa maneira de viver, ensinar e trabalhar possa refletir nossa alegria diante da diversidade cultural, nossa paixão pela justiça e nosso amor pela liberdade.” Que seja exatamente assim a nossa caminhada daqui para frente: comprometida com a justiça, com a liberdade, com a pluralidade e com a coragem de transformar aquilo que precisa ser transformado. 
Hoje, somos pessoas brancas, pretas, pardas, indígenas, ciganas, quilombolas, LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, mulheres, homens, mães solos, pais, trabalhadores, filhos e filhas do interior. Somos a prova viva de que a educação pública transforma destinos, rompe ciclos e amplia horizontes. 
Por isso, que nunca nos falte esperança. Que nunca nos falte coragem para questionar, para resistir e para acreditar que outros mundos são possíveis. Em tempos de guerras, incertezas e medos, que sejamos a conjugação prática do verbo esperançar. 
Parabéns, formandos e formandas. Que possamos honrar nossas trajetórias, nossas origens e tudo aquilo que nos trouxe até aqui. 
Muito obrigada.
*Pricila Freire Correia dos Santos e sua mãe. Oradora Oficial das Turmas e formandos do Período 2025.2, UEPB, Campus III, Guarabira/PB.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

🚨 VOCÊ SABE O QUE É A LEI 10.639? E POR QUE ELA É TÃO IMPORTANTE? 📚

.  Por Batuque do RGS*

Muita gente já ouviu falar da Lei 10.639, mas poucos conhecem seu verdadeiro impacto na educação brasileira.

Sancionada em 2003, a legislação tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas e privadas do país. A proposta é valorizar a contribuição dos povos africanos e da população negra na formação do Brasil, abordando temas como a História da África, a luta dos negros no Brasil, a cultura afro-brasileira e sua influência na sociedade.  

Além disso, a lei incluiu no calendário escolar o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, data que homenageia a resistência e a trajetória do povo negro no Brasil.  

Considerada um marco no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial, a Lei 10.639 surgiu após décadas de reivindicações do movimento negro e continua sendo apontada como uma ferramenta fundamental para a construção de uma educação mais inclusiva e representativa.  

Mas, mais de 20 anos após sua criação, especialistas e educadores ainda discutem os desafios para sua aplicação efetiva em todas as escolas do país.  

💬 E você, na sua época de escola, aprendeu sobre a História da África e a contribuição dos povos africanos para a formação do Brasil?

*🚨 Batuque do Rio Grande do Sul https://www.facebook.com/share/p/1ETLYj4DnU/

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A Nova Guerra Fria e a América Latina: Reflexões Históricas sobre Hegemonia e Dependência

.    Por Sérgio Gomes da Silva*

Ao longo do século XX, a América Latina ocupou posição estratégica na política externa dos Estados Unidos. Durante a Guerra Fria, especialmente entre as décadas de 1960 e 1970, diversos países da região foram palco de golpes militares apoiados direta ou indiretamente por Washington sob a justificativa de conter o avanço do comunismo.

O caso brasileiro de 1964, assim como os episódios ocorridos no Chile, Argentina, Uruguai e Bolívia, demonstram como a disputa ideológica entre capitalismo e socialismo influenciou profundamente os rumos políticos do continente.

A defesa dos interesses geopolíticos norte-americanos esteve associada à preservação de sua área de influência em um contexto de polarização global.
Entretanto, o século XXI apresenta uma realidade distinta. A principal disputa internacional já não ocorre entre Estados Unidos e União Soviética, mas entre Estados Unidos e China. 

A ascensão econômica, tecnológica e comercial chinesa representa um dos maiores desafios à hegemonia norte-americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Nesse cenário, a América Latina voltou a ocupar papel relevante. Rica em recursos naturais, biodiversidade, energia e produção agrícola, a região tornou-se espaço de intensa competição econômica e estratégica.

Diferentemente do passado, os mecanismos de influência não se limitam à intervenção militar. Hoje, incluem disputas comerciais, controle tecnológico, circulação de informações e influência sobre a opinião pública.

As redes sociais, os grandes conglomerados digitais, os meios de comunicação e diferentes grupos políticos e econômicos passaram a desempenhar papel central na construção das narrativas que orientam o debate público. A disputa contemporânea é também uma disputa pela informação e pela interpretação da realidade.

Do ponto de vista histórico, observa-se que as formas de poder mudam, mas os interesses geopolíticos permanecem. A busca pela manutenção da influência sobre a América Latina continua presente, agora em um mundo cada vez mais multipolar e interdependente.

Diante desse contexto, o principal desafio dos países latino-americanos consiste em fortalecer suas instituições democráticas, investir em educação, ciência e tecnologia e construir projetos nacionais capazes de conciliar desenvolvimento econômico, soberania e justiça social.

A história demonstra que nenhuma nação alcança autonomia duradoura sem capacidade de formular seus próprios caminhos. Compreender as disputas do passado é fundamental para interpretar os desafios do presente e pensar o futuro da América Latina em um cenário internacional em constante transformação.

*Por Sérgio Gomes da Silva
Historiador e Pós-Graduado em História do Brasil. 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Comunicado às Hienas do bol$on4ri$m0

| comunicado às hienas | Do Zê Carota. Via Ana Vasconcelos.

estou sendo bombardeado no Threads (aquele tuíter da meta), e imaginem por quê?
sim, porque, numa rede que quase nunca uso, fiz uns poucos posts sobre Lula.

nada de novo vindo da cloaca da qual saíram as hienas que comem a m3rd4 do bol$on4ri$m0 e riem.

muita adjetivação rosnada e babada contra Lula, replicando qual verdades fossem as fake news difundidas diuturnamente pela mídia desde seu surgimento como liderança sindical, na década de 1980, e tornadas psicóticas a partir da farsa que foi a lava jato, potencializadas ad infinitum pelas redes sociais.

mas chama a atenção, não pelo ineditismo, mas porque ainda usada qual 'argumentação' política fosse a baba hidrófoba do preconceito sexual, ou seja, um homem que respeita, admira e vota em Lula só pode ser "v14do", "b1ch4", "gay".

Freud explica o quanto há de desejo reprimido e projeção nisso, mas não adianta tentar falar isso pra quem não pensa (pensasse, não seria hiena de m1l1c1an0 n4z1fa$c1$t4).

soubessem que berlusconi, ex-prêmiê italiano, cosplay de mu$$ol1n1, empresário e cartola do Milan, quando contratou Ronaldinho Gaúcho, pagava para ter sexo an4l com garotas usando uma máscara do craque, talvez entendessem o que também move a homofobia e o racismo - ou, nada improvável, trocassem de "mito"...

bom, seja como for, trago duas notícias para vocês, hienas, sendo uma ruim e a outra, pior ainda: uma, que não me ofende em nada ser chamado de gay. ofendido ficaria se chamado de f4$ci$t4 ou, dá na mesma, bolsonarista; e, por fim, fosse gay, seria, além de maravilhoso (sol em Leão), tão exigente em minhas relações afetivas e sexuais quanto o sou como hetero, ou seja: vocês não teriam a menor chance comigo.

mera questão não apenas intelectual e estética, mas, sobretudo, de higiene. 

#LulaPresidente #Lula #LulaSempre #esquerda #antifa

terça-feira, 16 de junho de 2026

Um Bolsominium no Divã

. *Por Belarmino Mariano

Jair Almeida Frustódio, 60 anos, morador da periferia de Belford Roxo (RJ), trabalhador CLT e atuando no comércio há mais de 35 anos, tendo passado por dezenas de empresas, até na capital fluminense. 

Há seis anos trabalhando na loja "Império dos Móveis", desde sua inauguração. Se orgulha e acredita que aos 65 anos se aposentará no "Império dos móveis". 

Seu patrão é carrancudo, mas segue sua mesma ideologia, enquanto o patrão apoia a extrema direita, ele esclarece ao amigo que também é de extrema direita. Disse que nunca gostei do povo da esquerda que sempre luta contra o patrão e se esquece que é o patrão que paga nosso salário.

A conversa girava em torno do fim da jornada de trabalho, escala 6x1, que os deputados da esquerda estavam na luta por mais tempo de descanso para o trabalhador ficar com a família, descançar e praticar algum tipo de lazer. 

Frustódio, chateado com esse projeto, desceu o pau nos deputados da esquerda e no Presidente Lula: Veja só, o Lula quer que a gente só trabalhe 40 horas semanais (escala 5x2). Esse presidente é um 9 dedos preguiçoso. Por mim eu trabalhava os 7 dias da semana, sem descanso e sem reclamar.

O amigo um pouco mais jovem, com 26 anos de idade e fazendo faculdade pelo ProUni a noite, disse, mas rapaz, tu estais indo contra a Bíblia sagrada, onde sugere que até Deus descansou depois da sua obra. 

Que nada, retrucou Frustódio, domingo o pastor explicou que essa passagem Bíblica é apenas "uma figura de linguagem", eu não entendi, mas ele citou o versículo "Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como servindo ao Senhor, e não aos homens, porque vocês sabem que o Senhor recompensará cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre (Efésios 6:7-8).

Então o colega de trabalho retrucou dizendo, mas no mesmo livro de Efésios. (4:28), lemos: "O trabalho é incentivado como meio para suprir as próprias necessidades, cuidar da família e, além disso, ter recursos para ajudar quem precisa". 

Então a gente precisa cuidar da família para além do trabalho, um descanso, uma folga, levar o filho num médico, participar de uma reunião de país, consertar um telhado, tem um tempo livre para ficar com a família, para fazer um curso de reciclagem. 

Almeida, rapaz, cara, tu parece que não aprende, lembra daquele dia que tu entrou num ônibus pago pelo patrão, com sanduíches e bebidas, com 100 reais para cada um, vocês saíram no sábado para Brasília, aí no domingo fim de tarde foi aquele quebra-quebra dos infernos e tu escapou fedendo, pois não deu tempo de vocês invadirem a Praça dos Três Poderes.

Tu até já tinha se calado desses merdas que tu fala, o patrão mesmo, fez uma reunião e pediu pra gente não conversar mais sobre esses assuntos de política, mas é aquele teu grupo de whatsapp, que tu voltou a compartilhar merdas. Agora defendendo os filhos daquela peste que por acaso é teu xará.

Frustódio, acorda rapaz, teu filho mais novo no Ensino Médio, recebendo o "pé de meia", semana passada tu precisou ir na UPA de madrugada, pois tua filha estava com quase 40c de frebre. Tua mulher cadastrada no bolsa família. Cara, sai disso, tudo num tá vendo que com Lula, quem ganha é o trabalhador.

De repente, um silêncio súbito e o patrão aparece na seção, alerta que o papo tá bom, mas manda os dois ao trabalho. Tipo, vamos trabalhar que a gente precisa bater a meta e sábado a gente vai ficar até as 17:00 horas, pois tô querendo arrumar o estoque, pois tá chegando muitos produtos novos e quero fazer um saldão. 

Ele disse" "Semana que vem é o dia das mães e a gente vai abrir até o domingo. Como disse o Senhor, "o trabalho dignifica o homem" e esse é o nosso lema.

Luiz Firmino Silva, 27 anos, trabalhando no comércio a 8 anos, estudante de Psicologia com bolsa integral (100% Prouni), saiu refletindo, "esse patrão é mala, a minha professora de Sociologia da Educação, comentou que Marx Weber pode ter usado essa frase "O trabalho dignifica o homem", se referindo ao livro "Capitalismo como Religião" e outro livro sobre "Ética Protestante e o 'Espírito' do Capitalismo". Ele acha que todos são idiotas como o Jair.

#Pelofimdaescala6x1
*Por Belarmino Mariano. Imagem Brasil de Fato.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Sob a sombra da suástica: uma crônica sobre o leite e o ódio

Por: Alessandra Almeida Del'Agnese Vejam que espetáculo dantesco, que mise-en-scène da nossa estupidez tropical! Era um brinde. Um gesto banal, à primeira vista. Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado ergueram seus copos, sorrindo para as câmeras, e beberam leite. O fazendeiro, o empresário, o político. O que poderia ser mais inofensivo? A menos que você saiba o código. A menos que você entenda que aquele líquido branco, para o neonazista, não é apenas um produto do agro. É símbolo de pureza racial. É o alimento do “ariano superior”, uma ideologia criminosa que já foi a pá de terra sobre 6 milhões de judeus. Esse símbolo é um antigo “apito de cachorro” do Terceiro Reich, ligado à obsessiva estética da pureza racial, alimentar, moral. E você, caro leitor, que acredita na democracia, precisa saber: quando esses três ergueram o brinde pelo leite, estavam sinalizando para as sombras. Um chamamento àqueles que querem nos destruir, um convite para que se multipliquem. E eles estão se multiplicando. O Brasil que, nos anos 1930, sediou a maior filial do Partido Nazista fora da Alemanha, agora vê a monstruosidade renascer com força brutal. Entre 2015 e 2022, segundo a antropóloga Adriana Dias, as células neonazistas no país saltaram de 72 para 1.117. Só em Santa Catarina, uma pesquisa da UFSC de 2022 contabilizou 320 desses núcleos, uma concentração por habitante que supera qualquer outro estado. O monstro não está mais na Europa. Ele está na sua rua, nos grupos de WhatsApp do seu bairro. “Ah, mas é só um bando de jovens idiotas”, você pode pensar. Não. Não mesmo. A ONU já emitiu alertas sobre o fenômeno, e uma relatora especial expressou preocupação com o avanço do extremismo de direita no país. As operações da Polícia Federal, como a “Nuremberg” de 2025, desmantelaram grupos com estrutura hierarquizada, cobrança de mensalidade e planos para espalhar o terror. Ameaças reais, armas, planos. E o pior: cresceram 270,6% durante o governo do ex-presidente, que reiteradamente atacou minorias e deu salvo-conduto ao ódio. As instituições, como diria a filha de sobreviventes do Holocausto, Clara Levin Ant, assistem inertes a essa naturalização, uma tragédia silenciosa que se desenrola sob nossos narizes. Onde está o Ministério Público? Onde está o Supremo Tribunal Federal, que já julgou o neonazista gaúcho Siegfried Ellwanger e definiu que o racismo é crime inafiançável? A simples existência dessas células é inconstitucional, uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito. E ainda assim, vemos a máquina do Estado ranger, engrenagens enferrujadas que se movem com uma lentidão quase criminosa. É prevaricação. É um “fingir que não vê” que cheira a conivência. Enquanto isso, o discurso de ódio floresce na internet, e a falta de políticas públicas efetivas de enfrentamento permite que o nazismo se reorganize. Este é o momento em que a história nos olha de frente. Não estamos falando de política partidária. Estamos falando de sobrevivência da democracia. Quando você vota na extrema-direita, não está apenas escolhendo um plano econômico ou uma gestão de saúde. Você está, como alerta o próprio presidente Lula em seus discursos, dando um cheque em branco para que o neofascismo e o neonazismo voltem a ocupar o centro da política nacional. E mais: estará autorizando, com o seu voto, que o crime organizado ideológico se sinta à vontade para agir. É isso que você quer para o Brasil? Uma nação onde o direito de existir de um judeu, de um negro ou de um homossexual seja condicionado à “pureza” de alguns? Um país de toga e suástica? Pense nisso antes de erguer o próximo brinde. Porque o copo de leite que eles bebem, no fundo, é o veneno que estão tentando nos fazer engolir. E a resposta a única resposta decente é quebrar o copo, denunciar o crime e dizer, em alto e bom som: nunca mais. Por, Alessandra Del’Agnese

A Taxação das Importações, a Defesa dos Empregos, Investimento nas Exportações e a Hipocrisia de Politicos da Direita Brasileira

Por: Sérgio Gomes e Belarmino Mariano* A chamada "taxa das blusinhas" não surgiu por acaso. A medida foi defendida por...