O Brasil tem uma grande história com os vices, que em tese "não fedem nem cheiram", mas quando são tratados com ingratidão ou de alguma maneira são escaneados, tendem a jogar m**da no ventilador e sair fora.
Ponderei muito para escrever esta artigo político sobre os grupos locais e as eleições gerais no Brasil. Vinha fazendo minha reflexões e anotações sem expor nada para o público. Ouvindo as pessoas nas rodas de conversas, dando opinião rápida, quando questionado, mas nada de publicar nas redes.
Mas ontem fiquei chocado com o áudio que circula nos grupos de Whatsapp, em que o vice-prefeito de Guarabira, Raimundo Macedo (MDB), detona a sua prefeita Lea Toscano (União Brasil-UB) e a Deputada Estadual Camilla Toscano (MDB), candidata à reeleição.
Aqui não vou trazer os áudios, mas reproduzir em texto, extraído do Portal e TV Mídia, tal qual: "O tempo vai dizer se eu tinha razão ou não. Léa está em fim de carreira. Não tem história mas não. O mandato dela é agora. Acabou-se" (...). Ele é o vice de Léa Toscano e afirma categoricamente que ela "está em fim de carreira".
Quando Raimundo arriscou dizer que o mandato da Deputada Camila (15111) está sob risco de perder a eleição, admitiu que ela é muito rica e pode até perder: "Camila não precisa disso, não. É uma das mulheres mais ricas da Paraíba, vai estar preocupada com isso? Quem tem muito pode perder. Não tem problema, não. O ruim é quem tem pouco".
Vejam que o vice-prefeito se referiu diretamente ao poder financeiro da Deputada e, sem dizer nada, nas entrelinhas da política, alertou que "o caçador precisa de pólvora para trabalhar". Ele deve ter discutido sobre coisas assim e não recebeu nenhum retorno. Ao desabafar com algum aliado, abriu literalmente o jogo.
Raimundo é um político experiente, metaforicamente, "uma raposa velha" que conhece cada palmo dessa zona rural de Guarabu. Ele sabe muito bem que não pode entrar nesse mato fechado de mãos vazias. Ele também consegue entrar nos guetos, vielas e favelas de Guarabira, mas isso tem um preço e a confiança, que muitos nem sonham em fazer.
Isso se chama herança política e confiança que não é para qualquer um. Será que a prefeita Léa e Camila, entrariam tranquilas em algumas das bocadas de Guarabira sem seus "anjos da guarda"?
Ainda entre as metáforas políticas locais, Macedo aprendeu tudo o que sabe da política, diretamente com o "gato preto, pois sabia agir na calma e na calada escuridão da noite". Nunca dava um bote em falso e por isso, se tornou uma referência estadual.
Esse áudio precisa ser esclarecido, pois existe muito fio desencapado nessa história, pois a quatro dias do pleito, depois de um ato político juntos, no último domingo, inclusive com muitas avaliações de que foi o único arrastão, parcialmente esvaziado, com as mesmas figurinhas carimbadas dos agregados e seus familiares.
O outro elemento político dessa história a ser avaliado, é que Raimundo Macedo foi para o MDB para compor a chapa de vice-prefeito, junto com Léa Toscano, que foi para o Partido União Brasil (UBr). Ambos eram do PSDB, partido de Camila Toscano e seu pai Zenóbio. Macedo fez "uma limpeza geral no Partido", afastou todos os filiados do vermelhão e colocou "gente nova".
Foi Raimundo aqui em Guarabira e Veneziano quem abriram as portas do MDB para Camila ser candidata. Diria que essa é a primeira crise política que nem Léa e nem Camila calcularam, pois o MDB, foi brutalmente arrancando da família de Roberto, Fátima e Raniery Paulino. Esqueceram que o cirurgião dessa difícil operação foi justamente Raimundo Macedo.
Todos sabem que Camila não tem nenhuma identidade com o MDB. O povo de Guarabira não absorveu essa mudança brusca e desavisada. Parece que o grupo político do grande Zenóbio Toscano, se esqueceu dos princípios básicos da política (Maquiavel, 2001). Os antigos eleitores do PSDB, adversários históricos do MDB, agora estão confundindo os números e as cores.
A segunda crise foi o rompimento do ex-prefeito Marcos Diogo, que foi escaneado pela administração de Léa e respondeu a ingratidão arrastando consigo dois importantes vereadores da base: Alcides Camilo (PL) e Gerson do Gesso (PL), que apesar da legenda, passaram a fazer oposição a prefeita e se juntaram ao grupo político de Lucas Ribeiro e João Azevedo.
A Terceira Crise foi o rompimento com o Senador Efraim Filho (União Brasil e atualmente no PL), pois a prefeita Léa Toscano (ainda no UBr), junto com Camila, tiveram total apoio do Senador na eleição de prefeita, inclusive com muitos afirmando que Efraim foi o fiel financeiro na eleição de Léa. O grupo Toscano foi o primeiro a pular fora do Barco de Efraim, que ficou completamente só em seu projeto para ser o governador da Paraíba.
A Quarta Crise é essa de Raimundo Macedo (MDB), pois apesar de estar em segundo plano, ser reconhecidamente uma criação política de Zenóbio, assim como foi Marcos Diogo, parece que, de alguma maneira, está sentindo que o Barco vai afundar e, antes que seja tarde, já arrumou as malas.
A coisa é muito séria, pois as declarações do vice-prefeito, já provou um estrago grande e poderá ser muito maior, pois, já é um político experiente, já foi o vereador mais votado e age como os mineiros, "vai comendo quieto e pelas beiradas". Ele se colocou como pequeno e sem dinheiro, "mas esse sabe tirar leite de pedra".
Se esse rompimento político se consolidar, poderá surgir um novo grupo político dentro da Câmara de Vereadores, pois pelo menos dois ou três vereadores da base de Léa, sempre foram fortes aliados de Raimundo, que em suas cotações para vereador sempre arrastava alguns que hoje estão na Casa Osório de Aquino e que, o próprio Raimundo quando foi ser o vice de Léa, não deixou sua cadeira parlamentar completamente vazia.
Raimundo Macedo também pode está sentindo o impacto da eleição do Senado, pois há mais tempo no MDB de Veneziano, já deve ter percebido que a campanha do seu Senador, vem rapidamente sendo substituída pela do pai de Hugo Motta, o tal Nabor Wanderley.
Procure um material de campanha grande em que Camila Toscano aparece ao lado de Vené 155?, adesivos e santinhos da deputada, fazendo alusão ao Vené? Será que esse áudio de Raimundo já é algo muito maior nos bastidores das disputas?
Lembrei agora da visão que teve também o antigo vice-prefeito Welington Oliveira (atual presidente do PSB), que era importante membro do grupo Toscano e rompeu em pleno mandato para integrar o PSB do candidato ao Senado João Azevedo (400). Não quero adiantar nada, mais na política tudo é possível, inclusive nada.
No ato da campanha do último domingo, na praça do Teatro de Guarabira, onde foi a concentração do azulão, o chão ficou coalhado de bandeirinhas de Nabor e todos sabem que esse candidato é pai de Hugo Motta, membro do esquema de Daniel Vorcaro e adversário direto de Vené para o Senado.
Agora vamos analisar a situação de Camila Toscano (MDB). O vice prefeito foi claro, transparente como água cristalina. Camila poderá perder o seu mandato de Deputada estadual. Inclusive tocou no ponto forte do grupo "ela não precisa disso, não. É uma das mulheres mais ricas da Paraíba, vai estar preocupada com isso? Quem tem muito pode perder. Não tem problema, não. O ruim é quem tem pouco".
O dinheiro na política tem um peso gigantesco, mas vamos esquecer isso por enquanto e vamos focar na política enquanto paixão, enquanto identidade, enquanto pertencimento cognitivo e percepção de grupo. Nesses casos, o dinheiro não vale nada, ser rico é uma besteira na política. Se fosse diferente, o dono do Grupo João Rafael, já teria sido o prefeito de Guarabira umas três ou vezes.
Camila e a mãe, depois da morte de Zenóbio, não perceberam o que fizeram politicamente, ao saírem"pulando de galho em galho", trocando suas legendas partidárias e terminaram caindo em uma armadilha. Abandonaram o PSDB, abandonaram o União Brasil e foram justamente para o MDB, antigo PMDB, partido histórico da família Paulino.
Esse foi o primeiro grande erro, basta olhar os arrastões de Raniery Paulino (1015), que perdeu o MDB, mas manteve a tradição do vermelhão. Enquanto os apoiadores de Camila estão perdidos, sem conseguir explicar que Camila agora é do MDB, Raniery surfa em mar agitado e cheio de alegria.
O povo vai e abraça Raniery, o candidato a federal de Guarabira, enquanto Camila traz candidatos a federal de fora, desconhecidos e sem nenhum compromisso com a cidade, pelo menos dois, estão em adesivos grandes ao lado vde Camila. Por outro lado, os candidatos a Estadual de entras legendas ganham as ruas de Guarabira e passam a arregimentar apoios importantes.
A frágil admiração da prefeita Léa também tem um impacto negativo na eleição de Camila, pois até mesmo aliados históricos comentam isso. Somado as perdas de apoios de vereadores estratégicos que atuam em bairros importantes, também descontentes, pois ss obrasce serviços não estão chegando as comunidades.
Outro erro da deputada é ficar em cima do muro nas eleições de presidente da República, pois em Guarabira Lula chega a ter mais de 65%das intenções de votos, mas ela se mantém neutra , pois sabe que muitos dos seus apoiadores são bolsonaristas. Mas estes mesmos também estão putos, pois ela rompeu com Efraim e gerou insatisfação local.
Parampiirar, o empresário Deda Claudino, que também tem dinheiro, mas não tem voto, assumiu o PL, se lançou candidato a federal e trouxe os candidatos estaduais do PL bolsonarista que tiram votos de Camila.
O Vereador Célio Alves (PSB), trouxe para Guarabira a Candidata Maria Porto (44111), neta de Silvio Porto e a mulher tem muito carisma e vem ganhando muitas adesões na Chapa di governador Lucas Ribeiro (11).
Mas o maior impacto político para Deputado estadual em Guarabira será a eleição do Deputado Estadual Tibério Limeira (40000), pois em sinal de gratidão, pelo apoio a Raniery na eleição de prefeito, ganhou um forte apoio do famoso "vermelhão", juntou uma grande leve de Vereadores do PSB de Guarabira e de outros partidos da chapa de Lucas (11), João (400) e Lula (13).
Como Tibério tem um grande trânsito político no Agreste e Brejo, devido às obras e políticas do governo Lucas e João, devido aos serviços prestados e a grande presença física na cidade, irá arrebatar muitos eleitores de Guarabira e região.
Alguns eleitores chegaram a dizer que "Tibério está mais presente em Guarabira do que Camila que é da terrinha de nossa senhora da Luz". Ouvi isso me impactou, mas parece que é verdade, pois basta obseya quantidade de carros adesivados com a chapa de Tibério e Raniery (40000 e 1015).
Ainda tem um monte de outros deputados estaduais trazidos para Guarabira, a exemplo de Marcos Diogo, que trouxe o candidato Michel Henrique. Mas ainda temos Jader Filho, candidato e Dr. Bruno Deril que faz parte do Grupo de Lucas e João.
Raimundo apenas "resumiu a ópera" que agora estou debulhando no geral. Mas e você que é de Guarabira, acha que essa crise política do grupo Toscano é apenas um desentendimento paroquial ou têm outros detalhes que ainda não estamos enxergando? Será que Camila e Léa conseguem estancar essa sangria, ou não têm mais jeito?
Por Belarmino Mariano. Imagem e fonte do Portal e TVMídia.