segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

PETRÓLEO: EUA, Venezuela e a América Latina

Por Núbia R. Lima*

O que acontece hoje entre os Estados Unidos e a Venezuela não é apenas sobre um governo, um presidente ou um país isolado. É sobre soberania. É sobre quem manda no mundo.

Sob o velho discurso de “combate ao narcotráfico” e “defesa da democracia”, os EUA repetem uma prática histórica: intervir onde existem interesses econômicos e estratégicos, especialmente o petróleo. A Venezuela vira o palco, mas o recado é para toda a América Latina: quem não se submete, paga o preço.

Não se trata de defender erros internos ou governos perfeitos. Trata-se de defender um princípio básico do direito internacional: os povos têm o direito de decidir seu próprio destino, sem ameaças, sem golpes, sem invasões.

Quando uma potência se acha no direito de capturar um chefe de Estado estrangeiro, intervir militarmente e falar em controlar recursos naturais, o que está em jogo não é democracia, é imperialismo moderno, travestido de moralidade.

As consequências são graves: enfraquecimento da soberania latino-americana, militarização da região, aumento da instabilidade e o fim da ilusão de que as regras internacionais valem para todos. Não valem. Valem apenas para os fracos.

Hoje é a Venezuela. Amanhã pode ser qualquer país que ouse contrariar interesses externos. Essa não é uma guerra contra a Venezuela. É uma guerra contra a autodeterminação dos povos.
O mundo não precisa de um dono. Precisa de respeito, equilíbrio e limites.
Defender a soberania venezuelana hoje é defender a soberania de todos nós.

Essa Crise não é recente 
A crise entre Estados Unidos e Venezuela não é um fato isolado nem recente. Ela se insere em uma lógica histórica de dominação que remonta à Doutrina Monroe (1823), quando os EUA proclamaram que a América Latina estaria sob sua esfera de influência exclusiva.

Sob o discurso de “proteção” e “segurança regional”, a Doutrina Monroe serviu, ao longo dos séculos, para legitimar intervenções políticas, econômicas e militares em países latino-americanos. O que mudou foi apenas a narrativa: antes, o inimigo era a colonização europeia; hoje, são o combate ao narcotráfico, a defesa da democracia ou a contenção de adversários geopolíticos.

No caso da Venezuela, a lógica é clara. O país possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, localização estratégica e um governo que não se submete aos interesses de Washington. A pressão dos EUA, por meio de sanções econômicas, isolamento diplomático e ameaças veladas de intervenção, reproduz fielmente o espírito da Doutrina Monroe: nenhum projeto político soberano é tolerado quando contraria interesses norte-americanos.

A tentativa de enquadrar a Venezuela como “ameaça regional” não visa a estabilidade da América Latina, mas sim o controle geopolítico, energético e estratégico da região. Trata-se de uma política de poder que ignora a autodeterminação dos povos e reforça a dependência estrutural latino-americana.

Portanto, a crise EUA x Venezuela não é apenas um conflito bilateral. É a expressão contemporânea de uma doutrina imperial, que insiste em tratar a América Latina como quintal geopolítico, negando-lhe soberania, voz própria e direito ao seu próprio destino, o que pode acontecer também o nosso PAÍS.

*Por Núbia R. Lima, via Vânia Fonseca.

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