A China deixou de pedir licença ao mundo. Quando Xi Jinping fala em autossuficiência tecnológica e fortalecimento do mercado interno, ele não está fazendo discurso bonito para plateia doméstica. Ele está redesenhando o jogo global. Num cenário em que Estados Unidos e aliados tentam restringir acesso a chips, semicondutores e tecnologias estratégicas, Pequim responde com planejamento de longo prazo, investimento pesado em inovação e um mercado interno gigantesco capaz de sustentar crescimento sem depender do humor externo.
Estamos falando de um país com mais de um bilhão de pessoas, uma base industrial robusta e um Estado que pensa em ciclos de décadas, não de eleições. A aposta em inteligência artificial, semicondutores e energia de próxima geração não é só econômica. É geopolítica. É soberania. É mensagem clara: “podem tentar cercar, nós vamos produzir”.
Xi Jinping se posiciona como líder de um projeto nacional que combina planejamento estatal, demanda interna e tecnologia como eixo central. Para muitos, isso é eficiência estratégica. Para outros, é centralização excessiva de poder. Mas uma coisa é inegável: a China já não é apenas fábrica do mundo. Ela quer ser cérebro, laboratório e mercado do mundo.
A pergunta que fica é simples e desconfortável: a autossuficiência chinesa é um caminho inevitável para o equilíbrio global ou o início de uma nova divisão econômica do planeta? O Ocidente consegue competir com um modelo que une escala populacional, planejamento de Estado e ambição tecnológica? Ou estamos assistindo à consolidação de um novo centro de poder que não depende mais da aprovação de ninguém?
Nenhum comentário:
Postar um comentário