quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nas Mãos de Trump, Maria Corina Machado virou um Bagaço de Laranja Chupada.

Por Belarmino Mariano*

A venezuelana Corina Machado, extremista de ultra-direita, golpista e traidora da pátria, apoiadora do terrorismo de Estado de uma potencia estrangeira (EUA) contra seu povo e seu país. Depois desse currículo podre, inexplicavelmente recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2025.

Agora, em 03 de janeiro de 2026, depois que Trump bombardeou e invadiu a Venezuela, sequestrou o presidente Nicolas Maduro e passou a fazer chantagens de bandidos contra o país e a América Latina, a Corina Machado achou que seu colega Trump lhe entregaria a Venezuela de mãos beijadas.

Nas primeiras declarações de Trump, quando uma repórter perguntou sobre Corina Machado assumir o governo venezuelano, Trump disse: "Acho que seria muito difícil para ela ser a líder. não tem o apoio ou o respeito dentro do país. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem respeito”.

Em entrevista ao 247, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e a opositora venezuelana Maria Corina Machado foram “desprezados como lixo” pelo poder norte-americano, após serem usados como instrumentos políticos e depois descartados pela lógica de interesses econômicos do “Império”.

Podemos dizer que o mesmo também aconteceu com o humorista palhaço da Ucrânia Zelensky, também sofreu, pois foi humilhado na Casa Branca e atualmente é considerado um capacho dos EUA e da OTAN.

Depois que essa neofascista se tornou detentora desse prêmio, nunca mais o prêmio Nobel, pode ser levados a sério. Os avaliadores desprezaram o valor e a importância do Nobel. Prêmio que o próprio Trump esperava ganhar.

Eis a realidade histórica, para os/as capachos/as dos neofascistas. Esse Trump não brinca em serviço e massacra até os seus suportes aliados e apoiadores. Ele usa os imigrantes como Hitler usaca os judeus. Para os brasileiros, capachos e vira-latas de plantão. 

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Fontes: Brasil 247, Plantão Brasil, DCM e ICL Notícias.

Como era a Venezuela antes de Hugo Chaves e agora com o Chavismo?

Via Diego González e Blaut Ulian Junior*

🇻🇪❗Venezuela antes da chegada do Chavismo, os liberais manipuladores esconde, essa realidade histórica.
Antes do Chavismo, o país mergulhava no inferno de pobreza, fome e analfabetismo para uma percentagem altíssima da população.
Milhões de venezuelanos estavam indocumentados.

A campanha mediática contra a Venezuela se esforça para mostrar as adversidades económicas do presente, sem ter em conta a guerra económica da direita, as ondas de sanções internacionais e os vaivenses do preço do petróleo nos últimos anos.

A parafernália mediática dos grandes poderes económicos ocidentais se encarregou de evitar falar como viviam os venezuelanos antes que a Revolução Bolivariana mudasse o rosto do país e colocasse os recursos nas mãos dos setores esquecidos pelo capitalismo rentista venezuelano.

Após quase duas décadas de Revolução, muitos jovens venezuelanos de hoje só têm vagas memórias do seu país sem a pegada do chavismo. Daí que a campanha dirigida a eles se concentre em vender a ideia de um passado idílico, sem privações económicas ou racionamentos, algo completamente falso.

Nessa época, um pequeno e privilegiado sector da população vivia na opulência enquanto a esmagadora maioria da população vivia de dificuldades e dificuldades.

A Purina, comida para cães, tornou-se o alimento mais consumido pelos esmagadoramente maioritários setores pobres do país.
As denúncias de detenções arbitrárias e tortura foram comuns durante os anos da chamada IV República (desde o pacto de Punto Fijo em 1958 até a constituinte de Chávez).

Aquelas graves violações dos Direitos Humanos não levaram a denúncias na Organização dos Estados Americanos nem os EUA declararam a Venezuela como uma ameaça à sua segurança nacional, como aconteceu na fase chavista sem que se tenham registros deste tipo de práticas oficiais.

O terrorista cubano Luis Posada Carriles, conhecido agente da CIA, ingressou na Venezuela nos anos 70 do século passado na extinta Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção (Disip) e dirigiu várias torturas.
Os meios gráficos opositores eram permanentemente vítimas de censuras, atentados e detenções.

A grande dívida externa contraída pelo país nessa época e a aplicação das receitas de austeridade impostas pelo FMI levaram, em 1989, a um aumento exorbitante dos preços que acompanhada da descida dos salários, fez com que o povo venezuelano não pudesse aceder a os poucos produtos básicos que chegavam ao país.

As pessoas saíram para a rua para se manifestar e foram reprimidas pelo governo de Carlos Andrés Perez, o que foi chamado de Caracazo.
O saldo da manobra brutal é calculado em mais de 3 500 mortos.

55,6% dos venezuelanos eram pobres em 1997, durante o governo de Rafael Caldera, segundo números do Instituto Nacional de Estatística (INE). Destes, 25,5% viviam em situação de pobreza extrema.

Em 1998 havia 18 médicos por cada 10 000 habitantes na Venezuela e uma saúde de qualidade era um luxo.

Em 1999, a Venezuela tinha mais de um milhão e meio de analfabetos.

Antes de 1999, apenas cerca de 700 000 jovens tinham acesso ao ensino superior.

O investimento social em relação ao PIB era de 11,3% em 1998.

Ter uma casa própria e em condições dignas era um luxo da classe média e classe média alta da Venezuela.
Com a chegada de Chavez:
Entre 1999 e 2010, registou uma redução de 21,6% nos seus níveis de pobreza, passando de 49,4% para 27,8%. E a pobreza extrema caiu para 10,7%.

- Hoje, 58 médicos por cada 10 000 habitantes, e missões como Bairro Adentro e Missão Milagre, que contam com colaboração cubana, estenderam a todo o país um tratamento digno, humano e com a mais alta qualidade profissional técnica para a assistência de saúde dos venezuelanos.

- Em 28 de Outubro de 2005, a Unesco declarou a Venezuela como «Território Livre de Analfabetismo». O organismo internacional reconheceu o papel da primeira missão educacional criada nesse país, a Missão Robinson.

- Com a chegada da Revolução Bolivariana, a matrícula do ensino superior subiu em mais de dois milhões de estudantes.
Houve uma diferença marcada entre o que foi Chavez no Poder e depois com os Governos de Maduro, mas nos últimos tempos o governo deste último nomeado e hoje sequestrado pelos Estados Unidos num ato de ilegalidade internacional tinha conseguido quebrar o bloqueio de diferentes maneiras Criminoso do Império Yankee e do país tinha feito grandes avanços em matéria económica e social.

Hoje os poderes económicos estrangeiros que são os verdadeiros causadores dos males do povo venezuelano procuram de volta tomar o controle do país para fazer o que sempre fazem em todos os países que invadem de maneiras diferentes:apoderar-se dos seus imensos recursos naturais e mergulhar na miséria os verdadeiros donos desses recursos que não são outros que os habitantes desse país.

*Via Diego González e Blaut Ulian Junior*
Fonte - https://www.facebook.com/share/p/1BxKuRZ3aV/

Ex-general da NATO apela à Europa para declarar guerra aos Estados Unidos caso Trump tome posse da Gronelândia

Via Loren Loren e Blaut Ulian Junior*

ÚLTIMA HORA: Ex-general da NATO (OTAN) surpreende o mundo ao apelar à Europa para declarar guerra aos Estados Unidos caso Trump tome posse da Gronelândia. O que antes era impensável está agora a ser dito em voz alta pelos aliados europeus em reacção ao rapto ilegal do presidente de uma nação soberana por Donald Trump e às suas óbvias intenções de tomar a Gronelândia à Dinamarca.

Um antigo comandante de alto nível da NATO, o tenente-general francês Michel Yakovleff, fez um impressionante alerta ao mundo: se Donald Trump tentar tomar posse da Gronelândia, a Europa deve estar pronta para ripostar — mesmo contra os Estados Unidos.

Yakovleff, que passou décadas nos mais altos escalões militares da NATO, não poupou nas palavras. Se Trump ameaçar a soberania europeia, diz, a Europa deve estar preparada para se defender — mesmo que isso signifique uma rutura histórica com Washington.

"Se Trump avançar em direção à Gronelândia, os europeus devem estar prontos para lutar contra os EUA", afirmou categoricamente. Isto não é bravata nem bluff. São palavras de guerra.

É nisto que a América de Trump se transformou: tão imprudente, tão imperial, tão hostil aos aliados que um general reformado da NATO está a discutir abertamente um “divórcio” dos Estados Unidos e o fim da própria NATO.

Yakovleff alertou que a retórica intimidatória de Trump e as ameaças abertas contra a Gronelândia — um território que faz parte da Dinamarca, um aliado da NATO — são incompatíveis com qualquer aliança baseada na defesa mútua e no respeito. 

Se Trump trata os aliados como território conquistado, defende Yakovleff, a Europa deve responder protegendo a sua própria soberania, mesmo que isso signifique expulsar as forças americanas de bases importantes como Ramstein e Nápoles.

Examinemos o que isto realmente significa: o comportamento de Trump é agora tão desestabilizador que os líderes europeus sérios estão a considerar expulsar os militares norte-americanos da Europa.

Isto não está a acontecer isoladamente. Yakovleff tornou-se anteriormente viral ao dizer o que muitos líderes mundiais acreditam em silêncio: que Trump "trabalha para Putin" ou, no mínimo, promove os interesses de Vladimir Putin ao minar a NATO, enfraquecer a Ucrânia e semear o caos entre os aliados democráticos. Seja por incompetência, ego ou algo mais obscuro, Trump está a fazer exactamente o que o Kremlin quer: romper a aliança ocidental a partir de dentro. E agora, as consequências estão a tornar-se claras.

Yakovleff tem uma visão lúcida sobre o desequilíbrio de poder — a Europa não quer a guerra com os EUA. Mas é ainda mais claro sobre o que está em causa. Se os Estados Unidos abandonarem a ordem baseada em regras e começarem a ameaçar os aliados com força militar, então a NATO, por definição, já estará morta.

Este é o custo da política autoritária fantasiosa de Trump: aliados a preparar-se para o confronto, alianças a desmoronar-se e os Estados Unidos transformados de líder do mundo livre numa ameaça global a que até os seus parceiros mais próximos precisam de planear para resistir.

Trump prometeu "América Primeiro". O que ele está a entregar é a América Sozinha — e temida. (Por favor, goste e partilhe para espalhar este alerta sobre o futuro do mundo sob a administração Trump!)

Via Loren Loren e Blaut Ulian Junior*

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Crônica Geopolítica da Hipocrisia Norte-Americana

Por Alessandra Del'Agnese*

Os Estados Unidos atacam a Venezuela como quem quebra um espelho para não se ver feio. Na madrugada deste sábado (03/01/26), o espelho estilhaçou-se sobre Caracas, com explosões que iluminaram a base militar de La Carlota e o complexo de Fuerte Tiuna, ecoando nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. 

O governo venezuelano denuncia uma "agressão militar muito grave"; fontes americanas, anônimas, confirmam a ordem de ataque do presidente Trump. Não é guerra é correção moral armada. Não é política externa é terapia de poder administrada com drones e mísseis, precedida por meses de uma escalada calculada que já se anunciava como um roteiro conhecido.

O império não suporta países que insistem em existir fora do seu roteiro. A Venezuela é esse erro de roteiro: imperfeita, caótica, contraditória, mas ousada o suficiente para não pedir licença. E isso, no mundo “livre”, é imperdoável. Por isso, o discurso vem sempre embalado em celofane ético: “democracia”, “combate ao narcotráfico”, “direitos humanos”.

Palavras lindas, limpas, esterilizadas. O problema é que elas chegam precedidas por uma mobilização de 15 mil militares, 13 embarcações e o porta-aviões USS Gerald R. Ford o maior do mundo estacionado a poucas milhas da costa. Chegam após uma sucessão de mais de 30 ataques a embarcações no Caribe e Pacífico, que mataram dezenas sob a acusação de tráfico de drogas.
Chegam com o bloqueio "total e completo" de petroleiros, o estrangulamento da principal fonte de renda nacional. Palavras proferidas por homens que jamais sentiram falta de comida, mas decidem quem pode ou não comer, e agora, quem pode ou não viver sob o fogo cruzado.

A cronologia do poder: do decreto à detonação

Para entender a farsa, é preciso encarar o calendário da hipocrisia. Esta não é uma ação espontânea, mas um processo metódico de construção do inimigo:

Fevereiro-Março 2025: O governo Trump designa organizações criminosas, como o Tren de Aragua, como grupos terroristas. Usando uma lei de 1798, deporta centenas de venezuelanos para prisões em terceiros países.

Agosto: A recompensa por informações que levem à captura do presidente Nicolás Maduro sobe para US$ 50 milhões. Navios de guerra e um submarino nuclear são enviados ao Caribe.

Setembro a Novembro: Começa a campanha de ataques a “narcolanchas”. São pelo menos 20 ações letais, justificadas por um memorando interno que declara um "conflito armado não internacional" contra cartéis de drogas.

24 de Outubro: No décimo ataque, a embarcação alvejada é justamente vinculada ao Tren de Aragua o mesmo grupo designado como terrorista em fevereiro, completando o círculo retórico.

28 de Novembro: Revela-se que Trump e Maduro teriam conversado por telefone. Dias depois, Maduro, em entrevista, se dizia aberto a "conversas sérias" e oferecia petróleo às empresas americanas.

3 de Janeiro de 2026: As bombas caem sobre Caracas e Nicolas Maduro e sequestrado, em um rastro de destruição e cerca de 80 mortos, ebtee civis e militares.

Os Estados Unidos não atacam apenas Maduro. Atacam a ideia perigosa de que um país da América Latina possa errar sozinho. Porque errar sob tutela é aceitável. Errar por conta própria é subversão. E quando o erro próprio inclui alianças com Rússia, China e Cuba, e a posse das maiores reservas de petróleo do mundo, a subversão torna-se um crime passível de intervenção cirúrgica.

O rosto no espelho: interesse, petróleo e um império cansado

Há algo de profundamente obsceno em um país que exporta guerras como se fossem valores universais. O império fala em liberdade enquanto sufoca. Fala em democracia enquanto escolhe quem pode votar… e quem pode viver. 

Fala em lei enquanto ignora o próprio Congresso: o senador democrata Ruben Gallego, veterano do Iraque, declarou que "esta guerra é ilegal". Enquanto isso, o porta-voz da oposição venezuelana endossava a estratégia de Trump, e o líder do governo salvadorenho, Nayib Bukele, atuava como intermediário em trocas de prisioneiros.

A Venezuela virou bode expiatório de um sistema que não tolera desvios. Não se trata de defender governos trata-se de defender povos. E povo nenhum melhora sob bombas econômicas ou mísseis. 

Nenhuma criança aprende democracia passando fome ou correndo para abrigos às 2h da madrugada. O ataque, contudo, revela menos sobre Caracas e mais sobre Washington. Revela um império cansado, que já não seduz apenas intimida. Um poder que, desde os tempos de Hugo Chávez sendo chamado de "o Diabo" na ONU e de George W. Bush sendo chamado de "pendejo", perdeu o argumento e ficou só com o braço.

E nós, aqui embaixo, seguimos assistindo ao espetáculo como figurantes históricos. Com medo de dizer o óbvio: não existe guerra humanitária. Existe interesse. Petróleo. Geopolítica. Controle. 

O resto é marketing, um espetáculo narrado em posts no Truth Social onde se anuncia a captura de um presidente, enquanto o mundo real testemunha um país em "estado de comoção externa", com seu povo convocado a ir às ruas para defender a soberania.

Talvez o maior crime da Venezuela seja esse: lembrar ao mundo que o império não é Deus. E que todo império, quando começa a bater demais, já está com medo de cair. Cai quando sua narrativa não mais convence, quando seus próprios filhos questionam sua legalidade, quando a força bruta é a única língua que lhe resta.

E impérios não caem apenas com bombas. Caem com espelhos. Quando finalmente são obrigados a se olhar no reflexo distorcido de sua própria violência e enxergar, nas fissuras, não um monstro alheio, mas a própria face cansada da hipocrisia.

*Por Alessandra Del'Agnese @destacar
Fonte: https://www.facebook.com/share/p/1X2cRoEmz2/

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

PETRÓLEO: EUA, Venezuela e a América Latina

Por Núbia R. Lima*

O que acontece hoje entre os Estados Unidos e a Venezuela não é apenas sobre um governo, um presidente ou um país isolado. É sobre soberania. É sobre quem manda no mundo.

Sob o velho discurso de “combate ao narcotráfico” e “defesa da democracia”, os EUA repetem uma prática histórica: intervir onde existem interesses econômicos e estratégicos, especialmente o petróleo. A Venezuela vira o palco, mas o recado é para toda a América Latina: quem não se submete, paga o preço.

Não se trata de defender erros internos ou governos perfeitos. Trata-se de defender um princípio básico do direito internacional: os povos têm o direito de decidir seu próprio destino, sem ameaças, sem golpes, sem invasões.

Quando uma potência se acha no direito de capturar um chefe de Estado estrangeiro, intervir militarmente e falar em controlar recursos naturais, o que está em jogo não é democracia, é imperialismo moderno, travestido de moralidade.

As consequências são graves: enfraquecimento da soberania latino-americana, militarização da região, aumento da instabilidade e o fim da ilusão de que as regras internacionais valem para todos. Não valem. Valem apenas para os fracos.

Hoje é a Venezuela. Amanhã pode ser qualquer país que ouse contrariar interesses externos. Essa não é uma guerra contra a Venezuela. É uma guerra contra a autodeterminação dos povos.
O mundo não precisa de um dono. Precisa de respeito, equilíbrio e limites.
Defender a soberania venezuelana hoje é defender a soberania de todos nós.

Essa Crise não é recente 
A crise entre Estados Unidos e Venezuela não é um fato isolado nem recente. Ela se insere em uma lógica histórica de dominação que remonta à Doutrina Monroe (1823), quando os EUA proclamaram que a América Latina estaria sob sua esfera de influência exclusiva.

Sob o discurso de “proteção” e “segurança regional”, a Doutrina Monroe serviu, ao longo dos séculos, para legitimar intervenções políticas, econômicas e militares em países latino-americanos. O que mudou foi apenas a narrativa: antes, o inimigo era a colonização europeia; hoje, são o combate ao narcotráfico, a defesa da democracia ou a contenção de adversários geopolíticos.

No caso da Venezuela, a lógica é clara. O país possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, localização estratégica e um governo que não se submete aos interesses de Washington. A pressão dos EUA, por meio de sanções econômicas, isolamento diplomático e ameaças veladas de intervenção, reproduz fielmente o espírito da Doutrina Monroe: nenhum projeto político soberano é tolerado quando contraria interesses norte-americanos.

A tentativa de enquadrar a Venezuela como “ameaça regional” não visa a estabilidade da América Latina, mas sim o controle geopolítico, energético e estratégico da região. Trata-se de uma política de poder que ignora a autodeterminação dos povos e reforça a dependência estrutural latino-americana.

Portanto, a crise EUA x Venezuela não é apenas um conflito bilateral. É a expressão contemporânea de uma doutrina imperial, que insiste em tratar a América Latina como quintal geopolítico, negando-lhe soberania, voz própria e direito ao seu próprio destino, o que pode acontecer também o nosso PAÍS.

*Por Núbia R. Lima, via Vânia Fonseca.

A "Big Stick" Ianque de volta ao Caribe e América do Sul.

Por Sérgio Gomes*

Será que mais uma vez a Venezuela terá como destino de servir ao EUA? Veja! O Roosevelt (1904) expandiu a Doutrina Monroe (1823), transformando a política de não intervenção europeia em um direito dos EUA de intervir militarmente na América Latina para garantir a ordem e o pagamento de dívidas. 

Essa abordagem, conhecida como "Big Stick", consolidou Washington como "polícia do continente". Os principais Aspectos do Corolário Roosevelt:

1) Fundamentação (1904): Theodore Roosevelt anunciou em sua mensagem ao Congresso que, devido à instabilidade crônica ou "má conduta" de nações latino-americanas, os EUA poderiam exercer o "poder de polícia internacional".

2) Big Stick (Grande Porrete): Baseada no provérbio "fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete", a política utilizava a força naval e militar para garantir interesses americanos, especialmente no Caribe.

3) Intervenções: Justificou ocupações e intervenções frequentes em países como República Dominicana, Panamá, Cuba, Nicarágua e Haiti.

Existe uma pequena diferença da Doutrina Monroe Original: Enquanto a doutrina de 1823 visava impedir o retorno do colonialismo europeu ("América para os americanos"), o corolário justificava a hegemonia direta dos EUA sobre seus vizinhos do sul.

Contexto: Surgiu após potências europeias bloquearem a Venezuela em 1903 devido a dívidas, temendo que Roosevelt sua inação fosse vista como fraqueza.
Fazendo uma comparação entre Theodore Roosevelt (século XIX/XX) e Donald Trump (século XXI). A charge original de 1905 retrata o presidente Theodore Roosevelt como o “policial do mundo”, símbolo da Política do Big Stick, segundo a qual os Estados Unidos se arrogavam o direito de intervir em outros países para defender seus interesses. 

O grande porrete representa o uso da força militar e diplomática, especialmente sobre a América Latina, enquanto as potências europeias aparecem como rivais a serem contidas.
Na releitura contemporânea, Donald Trump é apresentado como uma versão do Big Stick no século XXI. Em vez da intervenção militar direta, predominam instrumentos como sanções econômicas, tarifas comerciais, pressão diplomática e o discurso do “America First”. 

O foco deixa de ser apenas a América Latina e passa a incluir a contenção da China, da Rússia e de outros atores globais.

Conclusão: embora os meios tenham mudado, a lógica permanece semelhante:
1) Roosevelt → força militar e diplomacia armada;
2) Trump → poder econômico, sanções e nacionalismo.
Em ambos os casos, a política externa dos Estados Unidos busca preservar sua hegemonia internacional, adaptando-se ao contexto histórico de cada período. Em tese é a mesma lógica em mundo completamente multipolar e globalizado, com novas forças antagônicas.

*Sérgio Gomes, historiador, professor e radialista. Imagens das redes sociais.

domingo, 4 de janeiro de 2026

A Invasão da Venezuela e o Sequestro de Nicolas Maduro pelos Estados Unidos.

Por Luis Nassif, via Blaut Ulian Junior*

A invasão da Venezuela e o sequestro do seu presidente pelos Estados Unidos, joga definitivamente a América Latina na mais profunda imprevisibilidade.

Os sonhos brasileiros, de uma potência soberana e desenvolvida, passam a ser profundamente ameaçados.

Os elementos para o grande salto estavam aí:

1) Reservas estratégicas de terras raras.
Abundância de energia verde.
Uma boa base científico-tecnológica.
2) A parceria potencial com a China e com os BRICS, abrindo as perspectivas de uma cooperação proveitosa.
3) A liderança do Sul Global, abrindo enormes possibilidades geopolíticas para o país.

Tudo isso é passado. A invasão da Venezuela marca definitivamente o fim da autonomia das nações, da mediação dos organismos multilaterais, das negociações como saída para os conflitos.

A história está repleta de exemplos, a Pax Romana, a Espanha dos Habsburgo sobre a América Latina, a Guerra dos Ópios, do Império Britânico contra a China, as sucessivas invasões norte-americanos no pós-guerra.

O padrão é sempre o mesmo.

- Ascensão econômica
- Supremacia militar
- Narrativa moral (“civilizar”, “libertar”, “defender”)
- Uso seletivo da força
- Declínio quando o custo supera o benefício
- Entra-se na nova quadra com o Brasil partido ao meio.

De um lado, tendo de enfrentar seus demônios internos: a invasão do mercado e do Congresso pelo crime organizado. Os problemas de governabilidade trazidos pelos apropriação do Congresso pelo crime organizado.

A ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal, facilitada pela falta de um código de conduta no órgão.
Uma mídia sem a menor noção do que seja interesse nacional, sem uma bússola sequer, resultando em uma cobertura caótica e sem discernimento.

O único fator de coesão no país continua sendo Lula, mas sem o reforço de qualquer plano de desenvolvimento sólido, sem qualquer perspectiva de futuro, para propor o grande pacto nacional.

Todos os gestos passivos foram tentados para o grande pacto. Tem-se um governo claramente de centro, respeitador das instituições, empenhado em reconstruir as bases do Estado nacional, atuante nas questões de soberania, quando afrontada pelas ameaças de Trump, e ousando políticas sociais básicas.

Fosse um país minimamente informado, Lula representaria a tal terceira via, que a imprensa vive apregoando e ninguém sabe, ninguém viu. Mas é vítima de um preconceito social típico de republiquetas latino-americanas. Ironiza-se muito o pensamento primário das bancadas bbb (boi, Bíblia e bala), mas o veículo que deveria ser o instrumento dos grandes temas nacionais – a mídia corporativa – compartilha do mesmo primarismo.

E esse primarismo contamina todos os setores da vida nacional. Não existem mais lideranças industriais, comerciais, bancárias, de pequenas e micro empresas. Apenas uma enorme balbúrdia em torno do que é ou não é gastança.

A bola está com Lula, não fosse por suas virtudes, mas pela relevante razão de que somos um país de analfabetos disfuncionais, com cada qual querendo levar seu quinhão sem a menor noção sobre o conjunto.

Lula tem que pensar seu plano de metas, seu New Deal. Anos atrás, no dia do AVC de dona Marisa, participei de um evento com Lula. Fiz minha palestra, joguei um monte de provocações para Lula. E o discurso que ele fez continha todos os elementos de um projeto de país: abordava todos os temas relevantes para o país (educação, inovação, integração econômica, saúde) com a linguagem acessível ao cidadão comum. Comentei com um colega que apenas uma bala pararia Lula (parafraseando um dito comum nos tempos de Muhammad Ali).

Depois disso houve a prisão, a volta gloriosa, a administração política de um país partido ao meio. E o veneno bolsonarista espalhado por todos os poros da Nação.

Mas é hora de Lula dar-se conta da necessidade de traçar um projeto que aponte o futuro. Os bons indicadores de 2025 não bastam. Ele tem que colocar o país para pensar o que queremos ser, da mesma maneira que JK com o Plano de Metas e Roosevelt com o New Deal.

*Luis Nassif, via Blaut Ulian Junior*