sábado, 10 de janeiro de 2026

Reflexões Aleatórias - Calvário, a espetacularização do ódio contra Ricardo Coutinho e as Esquerdas

Por Ulisses Barbosa*

A decisão do ministro Gilmar Mendes ao mandar “trancar” a principal ação contra Ricardo Coutinho, a de chefe da “orcrim”, não só joga por terra a farsa em oito atos montada pelo MPPB em conluio com o Juiz relator do caso, algo evidente desde o início, mas explica a necessidade de muito barulho pra encobrir a verdade por trás do falso escândalo. Quero rememorar e pontuar alguns fatos. Afinal, sou testemunha ocular da história.

Entrei na gestão pública em 2005, prefeito, Ricardo Coutinho. Vi uma revolução urbana, uma guinada cultural, um reposicionamento da cidade no cenário social, econômico e ambiental. Tive a honra de participar da inauguração da TV CIDADE, enfim, vi João Pessoa dar um salto importante no ordenamento urbano e no planejamento da cidade. Foi reeleito. A gestão eficiente e moderna cacifou RC para outros voos.

2011, com força popular e estratégia política, RC chega ao governo estadual e conduz por dois mandatos a maior revolução administrativa, política e executiva da história da Paraíba nos 223 municípios. Não, não vou esmiuçar tudo que foi feito e onde foi feito, “sei de cór e salteado”, mas afirmo que; em educação, saúde, segurança, infraestrutura e assistência social, tudo foi feito em grau de excelência com investimentos nunca antes vistos, mas com, basicamente, o mesmo orçamento das gestões oligarcas.

Nas duas gestões, municipal e estadual, Ricardo superou tudo o que até então era o máximo e produziu o extraordinário. Claro, contou com equipes preparadas (com algumas exceções). Ricardo governou enfrentando uma oposição ferrenha na Câmara e na Assembleia. Uma oposição quase generalizada da mídia familista e ainda assim entregou o que há de melhor no Estado (até hoje!). Essa afronta às oligarquias e ao poder econômico não poderia ficar barato.

Com a força de uma gestão com 75% de aprovação, Ricardo elegeu João no primeiro turno em 2018. Segui na gestão, afinal participei da luta. 2019 teve início o “fogo de monturo” interno. Novembro é anunciado o conveniente “rompimento/traição”, instantaneamente, em dezembro, teve início a “lavajato cover” da Paraíba. Alvo, Ricardo Coutinho e seu grupo político (exceto o governador e seu entorno). Primeira manchete; “DESVIO DE UM BILHÃO NA SAÚDE” (a “contagem” final, 134 milhões) . Ali foi dada a largada para o maior linchamento midiático/político/jurídico de reputações já visto na história política da Paraíba.

Que Ricardo tem seus defeitos e tomou decisões equivocadas (pra dizer o mínimo) todo mundo e ele próprio (a essa altura) sabe. Mas não foi só isso que irritou as oligarquias e outros poderosos. O que irritou realmente é que o modelo de gestão de Ricardo expôs tudo o que não foi feito e poderia ter sido feito pelas gestões oligarcas . Expôs um atraso deliberado para beneficiar poucos em detrimento de muitos. Basta olhar os beneficiários do massacre de RC que aí estão. Algum nome diferente?

2020. Ricardo, mesmo sob bombardeio midiático, resolve se candidatar a prefeito. Eu ainda estava no governo, que resolveu apoiar Cícero. Pra mim isso era impossível. Saí do governo e fui pra campanha com Ricardo. Era o correto a fazer, não sou de ficar em “cima do muro” e tenho posições claras (respeitando as outras opções). Mais uma vez, a mobilização jurídica e midiática, combinada, viraram suas baterias para o “escândalo da calvário”. Ricardo ficou em terceiro. Escolheram o “menos pior” e hoje João Pessoa se transformou no “micaroa fundamentalista” sequestrada pelo poder econômico e imobiliário predatório. Haja esgoto! 

Meu amigo mestre Tião Lucena pergunta; quem vai pagar o sofrimento causado por tudo o que foi feito? E aqui emendo; os “coleguinhas” (paladinos da moralidade) cheios de convicções (tal qual Dellagnolll) que “investigaram, julgaram e condenaram” vão fazer “mea culpa”? Vão abrir os microfones pedindo desculpa de manhã, de tarde e de noite, de segunda a segunda? Pessoas queridas, profissionais competentes e testados foram execradas em praça pública. Familiares estigmatizados, marcados. Eu fui “banido” do meio por um “insondável motivo”, saber demais dos bastidores e da história. Outros companheiros(as) também caíram na lista. O coronelismo voltou de mãos dadas com bolsonarismo (neo fascismo)

Quando olho pra trás, vejo ainda muita dor e tristeza. Gente que ficou pelo caminho por causa do ódio exposto em primeiras páginas e chamadas de TV e Rádio. Um desprezo ético e moral pelo próximo e pelo devido processo legal. Uma subserviência dos “profissionais” envolvidos constrangedora e que, agora, ganha contornos de vergonha e desumanidade. Sete anos de prisão na opinião pública, Sete anos de humilhação e marginalização política e social. 

A mentira deu uma volta ao mundo antes que a verdade chegasse na esquina. A decisão de Gilmar recoloca a verdade ao mesmo tempo que expõe a fragilidade do próprio sistema de justiça. Ficam muitas lições. Os detratores estão expostos. Ricardo Coutinho sai fortalecido. Seus companheiros (as) saem fortalecidos. Agora, a justiça (mppb) e a mídia corporativa e familista viraram os verdadeiros réus da farsa espetaculosa e criminosa.

*Por Ulisses Barbosa. 
Fonte - https://www.facebook.com/share/p/1GEGjaTCHB/

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

"Vermelhou no Curral... Prefeita Léa Toscano, Deputada Camila Toscano, Cícero Lucena, Efraim Filho, Lucas Ribeiro, Alhos e Bugalhos da Política Paraibana para 2026".

Por Belarmino Mariano* 

Parafraseando o Boi Garantido (Vermelho), do Festival de Bumba Meu Boi de Parintins, Amazonas: "Meu coração é vermelho (...) Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão. O velho comunista se aliançou ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom e a expressão da minha cor(...)". Será que as cores políticas aqui em Guarabira mudaram completamente de lado?

Esse ano de 2026, completam 25 anos que estou em Guarabira e, na política, já vi quase tudo, mas agora está custoso acreditar nos atuais acontecimentos, com vistas às eleições gerais do Brasil e confesso que gosto de acompanhar a política a partir da realidade em si (Maquiavel, 2001).

No dia 8 de janeiro, a atual prefeita de Guarabira, Léa Toscano (União Brasil) e sua filha, a Deputada estadual Camila Toscano (PSDB), recepcionaram o Prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB), para declarar apóio político a sua pre-candidatura ao governo do Estado da Paraíba.

Além de Cícero também estiveram no ato, o vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), sobrinho de Lea e filho do Deputado federal Hervázio Bezerra (PSB), o deputado federal Marcinho Lucena (PP), que é filho de Cícero; o deputado estadual Felipe Leitão (Republicanos), a prefeita de Araçagi Josilda (PSDB), além de vereadores da bancada de situação e os correligionários da região.

O Senador Veneziano Vital (MDB), atual aliado da família Toscano e de Cícero, estava em Brasília, com o presidente Lula (PT), no ato do dia 8 de janeiro em defesa do Estado Democrático de Direitos, mas participou através de mensagens de vídeo.

O que é mais custoso para acreditar foi ver essa ruma de partidos políticos ou legendas que oficialmente estão em diferentes coligações e bases políticas opostas, e que também já apresentaram pré-candidatos ao governo do estado, ao senado e às casas legislativas federal e estadual, mas na política, nunca se surpreenda, pois até o impossível pode acontecer.

Como explicar aos eleitores que inimigos ou adversários políticos, que até ontem estavam em campos completamente opostos, agora serão fortes aliados? Na Paraíba essa disputa de governador, com um possível segundo turno, será acirrada e tensa, pois estaremos diante de histórias e disputas que em outros tempos seriam improváveis.

Por isso a coisa do "vermelhão", pois aqui em Guarabira, quando eu estava chegando em 2001 para 2002, tinha havido um grande racha político entre as duas tradicionais famílias (Paulino e Toscano), ambos aliados e ligados ao MDB que tinha como cor símbolo o vermelho (Vermelhão). A paixão política aqui às vezes ultrapassa os limites da razão e é aí que mora o perigo.

Com o racha político estadual entre o grupo Cunha Lima de Campina Grande e o grupo Targino Maranhão de Araruna, a Família Paulino ficou com a liderança do MDB e o vermelhão como símbolo. Enquanto a família Toscano foi para o PSDB (azul e amarelo) e seguiu como base do grupo Cunha Lima.

Aqui em Guarabira, em sucessivas campanhas, houve uma "verdadeira guerra" de bandeiras, arrastões e comícios entre Paulinos do MDB, vermelhão, que arrastava milhares de pessoas. Mas o azulão (PSDB) dos Toscanos também não ficava para trás.

Na eleição de 2022, o suplente de deputado federal Raniery Paulino se afastou do MDB e concorreu ao mandato pelo Partido Republicanos e nesse vácuo, a família Toscano, conseguiu puxar o MDB para a sua base de aliados e agora, parece que a prefeita Léa, apesar de está no União Brasil, avermelhou de vez.

Ontem, minha vizinha e vereadora Isaura (União Brasil), líder da comunidade e muito prestativa, forte aliada de Léa e Camila, já havia mobilizado toda sua base e com mais de 30 carros lotados, todos de vermelhão, seguiram para o evento de declaração de apoio a Cícero Lucena. Confesso que tomei um choque, pois na última eleição era todo mundo de azul e amarelo.

Claro que as escolhas e decisões políticas fazem parte do processo democrático e os líderes, detentores de mandatos, avaliam qual o melhor caminho a seguir, mas acredito que certamente, muitos foram pegos de surpresa. 

Agora vamos aos definidores e complicadores políticos das legendas e coligações em disputa. Primeiramente, vale salientar que pelo menos três grupos políticos estão misturados nesse momento político de definição e indefinição:

1) O União Brasil (UnB) e o Partido Progressista (PP), dos partidos mencionados, estão em fase de formar uma Federação de Partidos, ou até mesmo uma fusão, mas existe uma crise específica na Paraíba, pois o União Brasil já definiu como pré-candidato a governador, o Senador Efraim Filho (UnB), que ficou extremamente descontente com a prefeita Léa (UnB), por declarar apoio a Cícera Lucena (MDB);

2) O Partido Progressistas (PP), é do grupo político da Senadora Daniela Ribeiro, do deputado federal Agnaldo Ribeiro(PP) e tem como pré-candidato a governador o atual vice-governador Lucas Ribeiro (PP) em aliança direta com o atual governador João Azevedo (PSB), que entregará o governo a Lucas Ribeiro para se candidatar ao Senado;

3) O prefeito Cícero Lucena (MDB), que era filiado ao PP, aliado do governador João Azevedo, rompeu com o grupo para lançar sua pré-candidatura a governador. A escolha de Cícero em mudar de partido está atrelada ao Senador Veneziano (MDB), candidato à reeleição para o Senado, numa composição que também terá Lula (PT), candidato a presidente como aliado direto e;

4) O PT da Paraíba poderá ser o fiel da balança, pois o partido já definiu que Lula apoiará João Azevedo (PSB) e Veneziano (MDB), como candidatos a senadores e o PT em nível estadual comporá aliança com Lucas Ribeiro (PP) em uma aliança ampla com o PSB do vice-presidente José Alckmin, o Republicanos e dezenas de outras legendas que estão na base de apoio do atual governador. 

Com esse afastamento político de Léa e Efraim Filho, a confusão está criada e nessa confusão toda, mesmo com a difícil escolha política, os riscos em se antecipar ou as vantagens, estão sendo lançados. Mas é importante dizer que na política, tudo deve ser muito bem calculado e costurado do que as ilusões momentâneas podem apresentar. Como mostra imagem, aqui eram aliados, mas agora serão adversários.
Todos sabemos que o fundo eleitoral e as coligações partidárias ainda não estão definidas, mas para quem tem mandatos a cumprir, como é o caso da prefeita Léa e a deputada Camila Toscano que vai tentar sua quarta reeleição, as mudanças de legenda, nem sempre, são facilmente assimiladas pelos eleitores. Por isso, entendo quando a prefeita Léa declarou que "essa foi uma decisão difícil", até porque o Senador Efraim já declarou muita insatisfação quanto à decisão do grupo Toscano em não lhe apoiar.

A insatisfação de Efraim Filho com o não apoio da família Toscano a sua eleição, poderá ser uma situação de portas fechadas, pois, mesmo que ele não seja eleito, retornará para Brasília como Senador e sabemos que "a ingratidão retira a feição".

Por outro lado, ainda temos o irmão do senador Efraim Filho, o deputado estadual George Morais (União Brasil), líder da oposição na Assembleia Legislativa, que será candidato a deputado federal nas eleições de 2026. Efraim contava com o total apoio Toscano para ele e seu irmão, em uma dobradinha com a deputada estadual Camila, que já era pretensão em migrar para o União Brasil e agora, ficará complicado.

Ainda não sabemos o quanto Efraim Filho estará disposto em sacrificar a candidatura certa do seu irmão, mas o projeto do grupo é a eleição de George Morais (União Brasil). Será que irá tolerar traições em troca de migalhas políticas de vereadores aliados de Léa e que poderiam apoiar George Morais. A disputa será tranquila ou mais radical, ao ponto de disputar os votos de deputado federal e estadual, "derrubando o arame dos currais do Brejo?

Também não podemos esquecer que o grupo de Efraim Filho, seguirá firme e forte na linha presidencial do bolsonarismo, pois são quase 34% de eleitores presidenciais fiéis, que podem seguir alinhados, garantindo a eleição, de uma bancada federal, estadual e de um possível segundo turno, contra Lucas Ribeiro ou Cícero Lucena.

Outro grande complicador para eleição de governador e de senador, será a definição da candidatura do Presidente Lula (PT), que na atual conjuntura, tem dois palanques garantidos na Paraíba, assim como possíveis candidatos a senadores como João Azevedo (PSB), com Lucas Ribeiro (PP) para governador e Veneziano (MDB), com Cícero (MDB), como candidato a governador. 

Como se comportarão os eleitores bolsonaristas de Léa e Camila, vendo ela no campo político de candidatos a governadores e a senadores da base de apoio de Lula? Uma coisa é certa, Lula em Guarabira obteve cerca de 68% dos votos válidos, logo, se souber aproveitar será vantagem política. 

Vale lembrar que o governo Lula tem obras do PAC, como mercado público, obras do Minha Casa Minha Vida e emendas como a de 12 milhões do Senador Veneziano, além de dezenas de Programas que são recursos carimbados e passam diretamente pelas secretarias municipais.

Todos sabemos que a família Toscano sempre apoiou candidatos a presidentes de grupos políticos de oposição aos governos Lula, como foi na época do FHC (PSDB) e na época de Jair Bolsonaro (PL). Será que estaremos diante de uma mudança radical do grupo Toscano que, em função da atual conveniência, na medida em que a disputa comece de fato, o grupo também assuma o vermelho do Lula?

De repente, como disse a deputada Camila Toscano, seus três mandatos de deputada estadual, sempre foram na oposição, ou seja, mais de 12 anos sem influenciar em cargos e órgãos do Estado. Quem sabe, chegou o momento de sonhar com cargos também na esfera estadual.

Mas não podemos esquecer que a família Toscano já foi aliada do primeiro governo Ricardo Coutinho quando estava no PSB e que, os governadores Ricardo e João Azevedo (PSB), sempre fizeram vários investimentos na infraestrutura de Guarabira (UPA, Hospital Regional, Colégios integrais, Escola Técnica Estadual, novas rodovias, investimentos do Orçamento Participativo, adutora Araçagi, asfalto para o distrito de Cachoeira dos Guedes, Alça rodoviária próximo a Guaraves e o asfalto urbano do centro e bairros, restaurante popular, programa de microcréditos entre outros).

Outro fator importante a ser considerado é a rusga política que passou a existir entre o tradicional grupo político estadual de Camila e Léa (Ruy Carneiro e Cunha Lima), com Cícero Lucena, depois que ele passou a apoiar o governador João Azevedo, tendo minado as bases politicas do deputado federal Ruy Carneiro (Podemos) e do próprio grupo Cunha Lima (PSDB), aliados históricos da família Toscano.

Mesmo que Pedro Cunha Lima (PSDB), que ficou em segundo lugar na eleição de 2022, tenha declinado de sua pré-candidatura para governador em 2026, seria difícil, vê no mesmo palanque, Veneziano (MDB), Cunha Lima (PSDB), Ruy Carneiro (Podemos) e Cícero Lucena (MDB). 

Será que Léa conseguiria juntar esse povo todo, em uma eleição que envolve o presidente Lula, dois senadores e disputa ferrenha para deputados federais e estaduais? Confesso que não é uma equação fácil, mas na política, assim como na culinária, "para fazer um bolo, alguém tem que quebrar os ovos".

Nesse jogo político, como disse o vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), que é sobrinho de Léa e assumirá a prefeitura da capital em abril, quando Cícero sairá para a disputa do governo estadual, Leo, ainda jovem, afirmou que esperou por 42 anos para que houvesse uma aliança na qual estivessem do mesmo lado. 

Acho que Leo Bezerra (PSB), assim como seu pai Hervázio Bezerra (PSB), também terão que mudar de partido, pois ao romperem com grupo de João Azevedo (PSB) e Lucas Bezerra (PP), terão os mesmos problemas de Léa com o União Brasil de Efraim. Acho que Leo Bezerra também se esqueceu que Léa já foi deputada estadual pelo PSB, assim como Zenóbio foi Secretário de Estado, mas em situação parecida, rompeu com o governador Ricardo Coutinho, que na época era do PSB e em 2026 é pré-candidato a deputado federal pelo PT de Lula.

Uma coisa é muito certa, os políticos, muitas vezes, fazem suas alianças de acordo com conveniências, sem considerar ou consultar suas bases, o que a gente chamava na velha política de "currais eleitorais". Claro que é um direito democrático, mas ao "pular de galho em galho", corre-se o risco de escorregar e cair. Espero que tudo ocorra como o planejado, pois a cidade e a região onde moro também estão nesse jogo de poderes.

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes Sociais. Sobre "alhos e bugalhos", entendam como tudo isso.
Fontes: guarabira50graus. Portal Mídia, Jornal da Paraíba, Paraíba Online, Paraíba Já, Rádio Cruz das Armas e Fonte 83.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nas Mãos de Trump, Maria Corina Machado virou um Bagaço de Laranja Chupada.

Por Belarmino Mariano*

A venezuelana Corina Machado, extremista de ultra-direita, golpista e traidora da pátria, apoiadora do terrorismo de Estado de uma potencia estrangeira (EUA) contra seu povo e seu país. Depois desse currículo podre, inexplicavelmente recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2025.

Agora, em 03 de janeiro de 2026, depois que Trump bombardeou e invadiu a Venezuela, sequestrou o presidente Nicolas Maduro e passou a fazer chantagens de bandidos contra o país e a América Latina, a Corina Machado achou que seu colega Trump lhe entregaria a Venezuela de mãos beijadas.

Nas primeiras declarações de Trump, quando uma repórter perguntou sobre Corina Machado assumir o governo venezuelano, Trump disse: "Acho que seria muito difícil para ela ser a líder. não tem o apoio ou o respeito dentro do país. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem respeito”.

Em entrevista ao 247, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e a opositora venezuelana Maria Corina Machado foram “desprezados como lixo” pelo poder norte-americano, após serem usados como instrumentos políticos e depois descartados pela lógica de interesses econômicos do “Império”.

Podemos dizer que o mesmo também aconteceu com o humorista palhaço da Ucrânia Zelensky, também sofreu, pois foi humilhado na Casa Branca e atualmente é considerado um capacho dos EUA e da OTAN.

Depois que essa neofascista se tornou detentora desse prêmio, nunca mais o prêmio Nobel, pode ser levados a sério. Os avaliadores desprezaram o valor e a importância do Nobel. Prêmio que o próprio Trump esperava ganhar.

Eis a realidade histórica, para os/as capachos/as dos neofascistas. Esse Trump não brinca em serviço e massacra até os seus suportes aliados e apoiadores. Ele usa os imigrantes como Hitler usaca os judeus. Para os brasileiros, capachos e vira-latas de plantão. 

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Fontes: Brasil 247, Plantão Brasil, DCM e ICL Notícias.

Como era a Venezuela antes de Hugo Chaves e agora com o Chavismo?

Via Diego González e Blaut Ulian Junior*

🇻🇪❗Venezuela antes da chegada do Chavismo, os liberais manipuladores esconde, essa realidade histórica.
Antes do Chavismo, o país mergulhava no inferno de pobreza, fome e analfabetismo para uma percentagem altíssima da população.
Milhões de venezuelanos estavam indocumentados.

A campanha mediática contra a Venezuela se esforça para mostrar as adversidades económicas do presente, sem ter em conta a guerra económica da direita, as ondas de sanções internacionais e os vaivenses do preço do petróleo nos últimos anos.

A parafernália mediática dos grandes poderes económicos ocidentais se encarregou de evitar falar como viviam os venezuelanos antes que a Revolução Bolivariana mudasse o rosto do país e colocasse os recursos nas mãos dos setores esquecidos pelo capitalismo rentista venezuelano.

Após quase duas décadas de Revolução, muitos jovens venezuelanos de hoje só têm vagas memórias do seu país sem a pegada do chavismo. Daí que a campanha dirigida a eles se concentre em vender a ideia de um passado idílico, sem privações económicas ou racionamentos, algo completamente falso.

Nessa época, um pequeno e privilegiado sector da população vivia na opulência enquanto a esmagadora maioria da população vivia de dificuldades e dificuldades.

A Purina, comida para cães, tornou-se o alimento mais consumido pelos esmagadoramente maioritários setores pobres do país.
As denúncias de detenções arbitrárias e tortura foram comuns durante os anos da chamada IV República (desde o pacto de Punto Fijo em 1958 até a constituinte de Chávez).

Aquelas graves violações dos Direitos Humanos não levaram a denúncias na Organização dos Estados Americanos nem os EUA declararam a Venezuela como uma ameaça à sua segurança nacional, como aconteceu na fase chavista sem que se tenham registros deste tipo de práticas oficiais.

O terrorista cubano Luis Posada Carriles, conhecido agente da CIA, ingressou na Venezuela nos anos 70 do século passado na extinta Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção (Disip) e dirigiu várias torturas.
Os meios gráficos opositores eram permanentemente vítimas de censuras, atentados e detenções.

A grande dívida externa contraída pelo país nessa época e a aplicação das receitas de austeridade impostas pelo FMI levaram, em 1989, a um aumento exorbitante dos preços que acompanhada da descida dos salários, fez com que o povo venezuelano não pudesse aceder a os poucos produtos básicos que chegavam ao país.

As pessoas saíram para a rua para se manifestar e foram reprimidas pelo governo de Carlos Andrés Perez, o que foi chamado de Caracazo.
O saldo da manobra brutal é calculado em mais de 3 500 mortos.

55,6% dos venezuelanos eram pobres em 1997, durante o governo de Rafael Caldera, segundo números do Instituto Nacional de Estatística (INE). Destes, 25,5% viviam em situação de pobreza extrema.

Em 1998 havia 18 médicos por cada 10 000 habitantes na Venezuela e uma saúde de qualidade era um luxo.

Em 1999, a Venezuela tinha mais de um milhão e meio de analfabetos.

Antes de 1999, apenas cerca de 700 000 jovens tinham acesso ao ensino superior.

O investimento social em relação ao PIB era de 11,3% em 1998.

Ter uma casa própria e em condições dignas era um luxo da classe média e classe média alta da Venezuela.
Com a chegada de Chavez:
Entre 1999 e 2010, registou uma redução de 21,6% nos seus níveis de pobreza, passando de 49,4% para 27,8%. E a pobreza extrema caiu para 10,7%.

- Hoje, 58 médicos por cada 10 000 habitantes, e missões como Bairro Adentro e Missão Milagre, que contam com colaboração cubana, estenderam a todo o país um tratamento digno, humano e com a mais alta qualidade profissional técnica para a assistência de saúde dos venezuelanos.

- Em 28 de Outubro de 2005, a Unesco declarou a Venezuela como «Território Livre de Analfabetismo». O organismo internacional reconheceu o papel da primeira missão educacional criada nesse país, a Missão Robinson.

- Com a chegada da Revolução Bolivariana, a matrícula do ensino superior subiu em mais de dois milhões de estudantes.
Houve uma diferença marcada entre o que foi Chavez no Poder e depois com os Governos de Maduro, mas nos últimos tempos o governo deste último nomeado e hoje sequestrado pelos Estados Unidos num ato de ilegalidade internacional tinha conseguido quebrar o bloqueio de diferentes maneiras Criminoso do Império Yankee e do país tinha feito grandes avanços em matéria económica e social.

Hoje os poderes económicos estrangeiros que são os verdadeiros causadores dos males do povo venezuelano procuram de volta tomar o controle do país para fazer o que sempre fazem em todos os países que invadem de maneiras diferentes:apoderar-se dos seus imensos recursos naturais e mergulhar na miséria os verdadeiros donos desses recursos que não são outros que os habitantes desse país.

*Via Diego González e Blaut Ulian Junior*
Fonte - https://www.facebook.com/share/p/1BxKuRZ3aV/

Ex-general da NATO apela à Europa para declarar guerra aos Estados Unidos caso Trump tome posse da Gronelândia

Via Loren Loren e Blaut Ulian Junior*

ÚLTIMA HORA: Ex-general da NATO (OTAN) surpreende o mundo ao apelar à Europa para declarar guerra aos Estados Unidos caso Trump tome posse da Gronelândia. O que antes era impensável está agora a ser dito em voz alta pelos aliados europeus em reacção ao rapto ilegal do presidente de uma nação soberana por Donald Trump e às suas óbvias intenções de tomar a Gronelândia à Dinamarca.

Um antigo comandante de alto nível da NATO, o tenente-general francês Michel Yakovleff, fez um impressionante alerta ao mundo: se Donald Trump tentar tomar posse da Gronelândia, a Europa deve estar pronta para ripostar — mesmo contra os Estados Unidos.

Yakovleff, que passou décadas nos mais altos escalões militares da NATO, não poupou nas palavras. Se Trump ameaçar a soberania europeia, diz, a Europa deve estar preparada para se defender — mesmo que isso signifique uma rutura histórica com Washington.

"Se Trump avançar em direção à Gronelândia, os europeus devem estar prontos para lutar contra os EUA", afirmou categoricamente. Isto não é bravata nem bluff. São palavras de guerra.

É nisto que a América de Trump se transformou: tão imprudente, tão imperial, tão hostil aos aliados que um general reformado da NATO está a discutir abertamente um “divórcio” dos Estados Unidos e o fim da própria NATO.

Yakovleff alertou que a retórica intimidatória de Trump e as ameaças abertas contra a Gronelândia — um território que faz parte da Dinamarca, um aliado da NATO — são incompatíveis com qualquer aliança baseada na defesa mútua e no respeito. 

Se Trump trata os aliados como território conquistado, defende Yakovleff, a Europa deve responder protegendo a sua própria soberania, mesmo que isso signifique expulsar as forças americanas de bases importantes como Ramstein e Nápoles.

Examinemos o que isto realmente significa: o comportamento de Trump é agora tão desestabilizador que os líderes europeus sérios estão a considerar expulsar os militares norte-americanos da Europa.

Isto não está a acontecer isoladamente. Yakovleff tornou-se anteriormente viral ao dizer o que muitos líderes mundiais acreditam em silêncio: que Trump "trabalha para Putin" ou, no mínimo, promove os interesses de Vladimir Putin ao minar a NATO, enfraquecer a Ucrânia e semear o caos entre os aliados democráticos. Seja por incompetência, ego ou algo mais obscuro, Trump está a fazer exactamente o que o Kremlin quer: romper a aliança ocidental a partir de dentro. E agora, as consequências estão a tornar-se claras.

Yakovleff tem uma visão lúcida sobre o desequilíbrio de poder — a Europa não quer a guerra com os EUA. Mas é ainda mais claro sobre o que está em causa. Se os Estados Unidos abandonarem a ordem baseada em regras e começarem a ameaçar os aliados com força militar, então a NATO, por definição, já estará morta.

Este é o custo da política autoritária fantasiosa de Trump: aliados a preparar-se para o confronto, alianças a desmoronar-se e os Estados Unidos transformados de líder do mundo livre numa ameaça global a que até os seus parceiros mais próximos precisam de planear para resistir.

Trump prometeu "América Primeiro". O que ele está a entregar é a América Sozinha — e temida. (Por favor, goste e partilhe para espalhar este alerta sobre o futuro do mundo sob a administração Trump!)

Via Loren Loren e Blaut Ulian Junior*

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Crônica Geopolítica da Hipocrisia Norte-Americana

Por Alessandra Del'Agnese*

Os Estados Unidos atacam a Venezuela como quem quebra um espelho para não se ver feio. Na madrugada deste sábado (03/01/26), o espelho estilhaçou-se sobre Caracas, com explosões que iluminaram a base militar de La Carlota e o complexo de Fuerte Tiuna, ecoando nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. 

O governo venezuelano denuncia uma "agressão militar muito grave"; fontes americanas, anônimas, confirmam a ordem de ataque do presidente Trump. Não é guerra é correção moral armada. Não é política externa é terapia de poder administrada com drones e mísseis, precedida por meses de uma escalada calculada que já se anunciava como um roteiro conhecido.

O império não suporta países que insistem em existir fora do seu roteiro. A Venezuela é esse erro de roteiro: imperfeita, caótica, contraditória, mas ousada o suficiente para não pedir licença. E isso, no mundo “livre”, é imperdoável. Por isso, o discurso vem sempre embalado em celofane ético: “democracia”, “combate ao narcotráfico”, “direitos humanos”.

Palavras lindas, limpas, esterilizadas. O problema é que elas chegam precedidas por uma mobilização de 15 mil militares, 13 embarcações e o porta-aviões USS Gerald R. Ford o maior do mundo estacionado a poucas milhas da costa. Chegam após uma sucessão de mais de 30 ataques a embarcações no Caribe e Pacífico, que mataram dezenas sob a acusação de tráfico de drogas.
Chegam com o bloqueio "total e completo" de petroleiros, o estrangulamento da principal fonte de renda nacional. Palavras proferidas por homens que jamais sentiram falta de comida, mas decidem quem pode ou não comer, e agora, quem pode ou não viver sob o fogo cruzado.

A cronologia do poder: do decreto à detonação

Para entender a farsa, é preciso encarar o calendário da hipocrisia. Esta não é uma ação espontânea, mas um processo metódico de construção do inimigo:

Fevereiro-Março 2025: O governo Trump designa organizações criminosas, como o Tren de Aragua, como grupos terroristas. Usando uma lei de 1798, deporta centenas de venezuelanos para prisões em terceiros países.

Agosto: A recompensa por informações que levem à captura do presidente Nicolás Maduro sobe para US$ 50 milhões. Navios de guerra e um submarino nuclear são enviados ao Caribe.

Setembro a Novembro: Começa a campanha de ataques a “narcolanchas”. São pelo menos 20 ações letais, justificadas por um memorando interno que declara um "conflito armado não internacional" contra cartéis de drogas.

24 de Outubro: No décimo ataque, a embarcação alvejada é justamente vinculada ao Tren de Aragua o mesmo grupo designado como terrorista em fevereiro, completando o círculo retórico.

28 de Novembro: Revela-se que Trump e Maduro teriam conversado por telefone. Dias depois, Maduro, em entrevista, se dizia aberto a "conversas sérias" e oferecia petróleo às empresas americanas.

3 de Janeiro de 2026: As bombas caem sobre Caracas e Nicolas Maduro e sequestrado, em um rastro de destruição e cerca de 80 mortos, ebtee civis e militares.

Os Estados Unidos não atacam apenas Maduro. Atacam a ideia perigosa de que um país da América Latina possa errar sozinho. Porque errar sob tutela é aceitável. Errar por conta própria é subversão. E quando o erro próprio inclui alianças com Rússia, China e Cuba, e a posse das maiores reservas de petróleo do mundo, a subversão torna-se um crime passível de intervenção cirúrgica.

O rosto no espelho: interesse, petróleo e um império cansado

Há algo de profundamente obsceno em um país que exporta guerras como se fossem valores universais. O império fala em liberdade enquanto sufoca. Fala em democracia enquanto escolhe quem pode votar… e quem pode viver. 

Fala em lei enquanto ignora o próprio Congresso: o senador democrata Ruben Gallego, veterano do Iraque, declarou que "esta guerra é ilegal". Enquanto isso, o porta-voz da oposição venezuelana endossava a estratégia de Trump, e o líder do governo salvadorenho, Nayib Bukele, atuava como intermediário em trocas de prisioneiros.

A Venezuela virou bode expiatório de um sistema que não tolera desvios. Não se trata de defender governos trata-se de defender povos. E povo nenhum melhora sob bombas econômicas ou mísseis. 

Nenhuma criança aprende democracia passando fome ou correndo para abrigos às 2h da madrugada. O ataque, contudo, revela menos sobre Caracas e mais sobre Washington. Revela um império cansado, que já não seduz apenas intimida. Um poder que, desde os tempos de Hugo Chávez sendo chamado de "o Diabo" na ONU e de George W. Bush sendo chamado de "pendejo", perdeu o argumento e ficou só com o braço.

E nós, aqui embaixo, seguimos assistindo ao espetáculo como figurantes históricos. Com medo de dizer o óbvio: não existe guerra humanitária. Existe interesse. Petróleo. Geopolítica. Controle. 

O resto é marketing, um espetáculo narrado em posts no Truth Social onde se anuncia a captura de um presidente, enquanto o mundo real testemunha um país em "estado de comoção externa", com seu povo convocado a ir às ruas para defender a soberania.

Talvez o maior crime da Venezuela seja esse: lembrar ao mundo que o império não é Deus. E que todo império, quando começa a bater demais, já está com medo de cair. Cai quando sua narrativa não mais convence, quando seus próprios filhos questionam sua legalidade, quando a força bruta é a única língua que lhe resta.

E impérios não caem apenas com bombas. Caem com espelhos. Quando finalmente são obrigados a se olhar no reflexo distorcido de sua própria violência e enxergar, nas fissuras, não um monstro alheio, mas a própria face cansada da hipocrisia.

*Por Alessandra Del'Agnese @destacar
Fonte: https://www.facebook.com/share/p/1X2cRoEmz2/

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

PETRÓLEO: EUA, Venezuela e a América Latina

Por Núbia R. Lima*

O que acontece hoje entre os Estados Unidos e a Venezuela não é apenas sobre um governo, um presidente ou um país isolado. É sobre soberania. É sobre quem manda no mundo.

Sob o velho discurso de “combate ao narcotráfico” e “defesa da democracia”, os EUA repetem uma prática histórica: intervir onde existem interesses econômicos e estratégicos, especialmente o petróleo. A Venezuela vira o palco, mas o recado é para toda a América Latina: quem não se submete, paga o preço.

Não se trata de defender erros internos ou governos perfeitos. Trata-se de defender um princípio básico do direito internacional: os povos têm o direito de decidir seu próprio destino, sem ameaças, sem golpes, sem invasões.

Quando uma potência se acha no direito de capturar um chefe de Estado estrangeiro, intervir militarmente e falar em controlar recursos naturais, o que está em jogo não é democracia, é imperialismo moderno, travestido de moralidade.

As consequências são graves: enfraquecimento da soberania latino-americana, militarização da região, aumento da instabilidade e o fim da ilusão de que as regras internacionais valem para todos. Não valem. Valem apenas para os fracos.

Hoje é a Venezuela. Amanhã pode ser qualquer país que ouse contrariar interesses externos. Essa não é uma guerra contra a Venezuela. É uma guerra contra a autodeterminação dos povos.
O mundo não precisa de um dono. Precisa de respeito, equilíbrio e limites.
Defender a soberania venezuelana hoje é defender a soberania de todos nós.

Essa Crise não é recente 
A crise entre Estados Unidos e Venezuela não é um fato isolado nem recente. Ela se insere em uma lógica histórica de dominação que remonta à Doutrina Monroe (1823), quando os EUA proclamaram que a América Latina estaria sob sua esfera de influência exclusiva.

Sob o discurso de “proteção” e “segurança regional”, a Doutrina Monroe serviu, ao longo dos séculos, para legitimar intervenções políticas, econômicas e militares em países latino-americanos. O que mudou foi apenas a narrativa: antes, o inimigo era a colonização europeia; hoje, são o combate ao narcotráfico, a defesa da democracia ou a contenção de adversários geopolíticos.

No caso da Venezuela, a lógica é clara. O país possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, localização estratégica e um governo que não se submete aos interesses de Washington. A pressão dos EUA, por meio de sanções econômicas, isolamento diplomático e ameaças veladas de intervenção, reproduz fielmente o espírito da Doutrina Monroe: nenhum projeto político soberano é tolerado quando contraria interesses norte-americanos.

A tentativa de enquadrar a Venezuela como “ameaça regional” não visa a estabilidade da América Latina, mas sim o controle geopolítico, energético e estratégico da região. Trata-se de uma política de poder que ignora a autodeterminação dos povos e reforça a dependência estrutural latino-americana.

Portanto, a crise EUA x Venezuela não é apenas um conflito bilateral. É a expressão contemporânea de uma doutrina imperial, que insiste em tratar a América Latina como quintal geopolítico, negando-lhe soberania, voz própria e direito ao seu próprio destino, o que pode acontecer também o nosso PAÍS.

*Por Núbia R. Lima, via Vânia Fonseca.