domingo, 8 de março de 2026

"Meu Primeiro Gesso"


Por Belarmino Mariano*

Ontem foi um dia maravilhoso, viajamos para Campina Grande, fomos organizar uma moradia para nossa filha Brenda e Matheus, pois foram aprovados em Física e Biologia pela UFCG e UEPB.

Limpeza do novo lar, lavar o piso, limpar vidraçaria e colocar os primeiros móveis nos lugares. Cama, colchão, fogão de presente dos compadres João Andrade e Joana Andrade e algumas compras que estavam faltando.

Almoço de quentinha e uma saidinha para explorar o residencial. Nessa hora, ao descer de uma escadaria externa, Luisa Mariano torceu o pé e perdeu o equilíbrio. Até aí tudo bem, machucou, uma dor incomoda mais suportável.

Ao chegarmos em Guarabira, com o aumento da dor, veio o aconselhamento de uma amiga da enfermagem, então partimos para o Hospital Regional de Guarabira (HRG). O Hospital estava superlotado em pleno sábado. Ambulância do SAMU, tinha umas seis ou oito.

Registro de atendimento feito fomos para a triagem e logo em seguida, atendidos pelo Dr. Yvan, no ambulatório de traumatologia. Um atendimento primoroso e meticuloso. Desde as observações iniciais até a triagem já havíamos sido recepcionados por uma meia dúzia de profissionais com muito carinho e cuidado.

Até um socorrista da SAMU, enquanto esperava a liberação do seu paciente deu uma olhada e disse, torção nessa área doi muito e lembrou do jogador Pedro do Flamengo. Luísa, uma Flamenguista nata, disse que sabia, pois acompanhou o traumatismo de Pedro.

No atendimento inicial, Dr. Yvan percebeu que Luísa tinha dificuldade de andar e já pediu uma cadeira de rodas para nos conduzir ao setor de radiografia, assim teria mais certeza do diagnóstico, pois "com ossos pequenos não se brinca".

Com o deslocamento da paciente pelos corredores completamente reformados ou construídos recentemente, vimos que o SUS está no caminho certo e que o governador João Azevedo continuou os trabalho do ex-governador Ricardo Coutinho. Nessa hora a gente percebe que cuidar da saúde dos brasileiros não é tarefa fácil, mas o governo federal e estadual fazem toda a diferença.

Lembrei que em menos de 14 anos, Guarabira perdeu o funcionamento do Hospital e Maternidade Senhora da Luz, lugar onde Luisa nasceu, e que fechou suas portas para o SUS e toda essa demanda reprimida passou a sufocar o HRG. Nada foi feito pelo município para mudar esse quadro.

Na sequência, Guarabira também perdeu o Hospital e Pronto Socorro de traumas, gerando um sufoco no atendimento dos traumas que passou a ser totalmente pelo HRG. Era outro local seguro para os traumatismos de baixaxe nedia complexidade.

Temos que agradecer ao presidente Lula pelos grandes investimentos do presidente Lula no SUS, Samu e outros serviços de saúde. Temos que agradecer ao Governador João Azevedo pela grande reforma no HRG e mesmo sem terminar, já se tornou a única referência de Guarabira e região.

Minha filha de 14 anos, precisou ser atendida em carácter urgência, fez uma radiografia a pedido do Dr. Yvan que no resultado percebeu uma pequena fratura no tornozelo esquerdo. Então nos encaminhou para tomografia computadorizada.

O diagnóstico demorou e como em todos os setores, há muitos pacientes com as pulseiras amarelas de urgência. Depois de casos mais graves, foi feito o exame. Ele queria ter certeza de que tudo saria bem.  

Enquanto esperávamos o resultado, Luisa, uma adolescente antenada com o mundo, percebeu o QRCod e já tratou de especular. Ela, rapidamente, já estava vendo os caminhos virtuais que apontava para seu pequeno, porém, dolorido trauma na tibia, um fragmento minúsculo de osso era o motivo de sua dor.

Na sala de radiologia ela estava maravilhada, me disse que parecia um filme de ficção, aqua cama estreita e um círculo de luz sovre a região dos seus pés. Lhe disse que o mais moderno já havia chegado em Guarabira. Mas expliquei que era perigoso por causa da radioatividade. 

Luísa já disse que iria perturbar seu professor de Biologia e de Química. Queria saber mais, pois estava se sentindo no cinema. Mas ela também percebeu o drama das pessoas. Senhorinhas idosas em macas, acidentados de motos e o homem com a clavícula quebrada. Sua dor parecia muito maior.

 O mais chocante era um homem aparentemente bêbado que ficava gritando e esculhambando com os médicos e enfermeiras. Ele estava sujo e com sangue na boca, resultado de brigas, bebedeiras, um possível dente quebrado e queria passar à frente dos outros pacientes.

Quando saiu o resultado, Dr. Yvan foi chamando os casos mais graves e liberando os pacientes para os devidos tratamentos. A filha do Senhor da clavícula quebrada, ficou muito triste, pois seu pai terá que ser cirurgiado.

Na vez de luisa, com muito cuidado, os exames apontaram para a imobilização com gesso por 21 dias, um alívio grande e o médico disse que por ser jovem eka se recuperar rápido, mas pediu repouso total. Aproveitei para brincar sobre o uso de celular e o Dr. Yvan, rindo, disse que celular ela podia, pois ficara imobilizado não é muito bom.

Nessas três horas dentro do hospital nos deparamos com diferentes situações. Acidente de moto, braço, pernas, e tornozelos. Os corredores e ambulatórios e corredores pilhados de pacientes e alguns já impacientes. Mas para os que não entendem as cores das pulseiras nos braços das pessoas, acham injusto.

Nós entendemos e aguardamos pacientemente, aquele serviço fruto dos nossos impostos e inteiramente gratuitos, pois na urgência não pagamos por nada, ao contrário de como ocorre em outros países, onde a saúde cara e um privilégio de poucos. Aqui é universal.

Surpreendente, o gesseiro Maurício, paciente em seus 35 anos de profissão, nos entregou um serviço de excelência enquanto conversamos sobre a ampliação do HRG e as perspectivas para toda a região. Infelizmente não vemos a prefeitura preocupada com esses temas tão públicos e tão urgentes.

A saúde pública é muito invizilizada, enquanto os centros médicos privados ganham lindos comerciais e propaganda em outdoor. Por isso fiz questão em apresentar esse trextão, essas pequenas situações, que aparentemente aparecem no gesso da perna de uma adolescente. O gesso apareceu, mas para chegarmos a ele, foi preciso a mobilização de dezenas de profissionais da saúde, atendentes, socorristas, técnicos de radiografia e radiologia, enfermeiras, maqueiros e equipamentos.

Luísa saiu do hospital com a sua primeira bota de gesso, um pouco assustada, mas certamente feliz pelo atendimento, cuidado e uma verdadeira paciência com cada um daqueles pacientes, seus diagnósticos, muitas vezes duros para quem esperava e começava a chorar por saber que tinha uma cirurgia lhe esperando.

Luisa passou três longas horas em um hospital público com recursos do SUS e do governo da Paraíba. Viu a angústia de muitas pessoas e o esforço dos agentes de saúde, durante parte do plantão da noite e como disse a enfermeira, às dez horas, das 19:00 as 07:00 horas da manhã e mesmo com duas horas de descanso, não aconselha ninguém a seguir sua profissão.

Vimos muitas mulheres nessa linha de frente, atendentes, médicas, enfermeiras, técnicas da radiologia, equipescde triagem, limpeza, maqueiras e muito mais. Nesse dia 8 de março de 2026, queria dedicar esse artigo, pois as mulheres estão na vanguarda das nossas vidas.

Viva o SUS e servidores públicos da área de saúde. Não é fácil, mas vi um verdadeiro exército para cuidar da nossa vida. O gesso foi o produto final dessa consulta, mas todo o atendimento foi excelente.

Por Belarmino Mariano. Da Série Reconhecimento. Imagens do autor, direto do Hospital Regional de Guarabira/PB.
Feliz 8 de março para as mulheres guerreiras.
Mais fotos:

quinta-feira, 5 de março de 2026

UNIVERSIDADE PÚBLICA É ISTOUma descoberta brasileira pode devolver esperança a milhares de famílias afetadas pela dependência química.

.  Por Samuel Maia*

O Brasil está avançando no desenvolvimento da Calixcoca, uma vacina terapêutica criada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para ajudar no combate à dependência de cr4ck e c0c4ín4. Diferente das vacinas tradicionais, ela não previne infecções, mas estimula o organismo a produzir anticorpos que se ligam às moléculas da droga ainda na corrente sanguínea. Ao ficarem “presas” a esses anticorpos, as substâncias não conseguem atravessar a barreira que leva ao cérebro — o que pode reduzir significativamente a euforia e a sensação de prazer responsáveis pelo ciclo da dependência.

A vacina já apresentou resultados promissores em testes laboratoriais e em animais, demonstrando capacidade de gerar resposta imunológica eficaz e segura. Agora, o projeto avança para a etapa de preparação regulatória necessária para iniciar os testes clínicos em humanos, que avaliarão segurança e eficácia em voluntários. 

Embora ainda não esteja disponível para uso, a Calixcoca é vista como uma estratégia inovadora e pode representar um marco importante na abordagem científica do tratamento da dependência química no Brasil. Mais do que uma vacina, uma possível virada histórica na luta contra o vício.


terça-feira, 3 de março de 2026

S.O.S. - A Associação de Moradores e Agricultores do Bairro do Nordeste (AMARBN) Precisa de uma Reforma URGENTE!


Por Belarmino Mariano, Via Valderedo Alexandro  (Leledo).

O maior bairro de Guarabita é o Nordeste I e II, com mais de 17 mil habitantes e na atualidade é a área que mais cresce em Guarabira, pois com os progranas do Governo Federal  "Minha Casa, Minha Vida" de Lula e Dilma e com a abertura de vários loteamentos, como Hildebrando Mathias, Monte das Oliveiras, Morada Nobre, Cidade Jardim e Novo Horizonte, entre outros.

O Bairro do Nordeste I e II são quase que completamente ocupados por moradias e pontos comerciais, com pouca area de lazer, como parques ou praças. O prédio da (AMARBN) é um dos poucos espaços que poderia oferecer melhores condições de infraestrutura, pois as atividades como capoeira, danças e cursos, além de atividades assisteciais, ficam limitadas, devido uma falta de infraestrutura adequada para receber os moradores e associados.

Pensando nessa situação, o presidente da Associação, Maurício Evaristo e toda a diretoria, estão iniciando uma campanha para reforma e melhoras na sede da (AMARBN). Hoje o Programa de Notícias da Rádio Nordeste 104,9 FM, foi dedicado a essa campanha de melhorias no prédio da Associação.

Nossa redação recebeu através de Leledo esse  COMUNICADO OFICIAL transcrito na íntegra: 
A Associação de Moradores e Agricultores do Bairro do Nordeste 1 – AMARBN comunica que, no dia 27 de fevereiro de 2026, em reunião realizada na sede da entidade, situada na Rua Celina Pinto, foi deliberada a realização de uma campanha comunitária para a reforma e pintura da sede da associação.
Na ocasião, foi convidado o senhor Valderedo Alexandre para contribuir na coordenação da campanha, que teve início no sábado, dia 28 de fevereiro, com os trabalhos de capinagem, além do recebimento de doações de tintas, cimento, tijolos, areia e também a contratação de profissionais e doação de mão de obra por parte da comunidade.
Informamos que já contamos com as seguintes doações:
COMUNICADO OFICIAL
A Associação de Moradores e Agricultores do Bairro do Nordeste 1 – AMARBN comunica que, no dia 27 de fevereiro de 2026, em reunião realizada na sede da entidade, situada na Rua Celina Pinto, foi deliberada a realização de uma campanha comunitária para a reforma e pintura da sede da associação.
Na ocasião, foi convidado o senhor Valderedo Alexandre para contribuir na coordenação da campanha, que teve início no sábado, dia 28 de fevereiro, com os trabalhos de capinagem, além do recebimento de doações de tintas, cimento, tijolos e areia, bem como a contratação de profissionais e a doação de mão de obra por parte da comunidade.
Informamos que já contamos com as seguintes doações e apoios:
1) Vereador Nal Fernandes – 9 pacotes de tinta
2) Valdez Ferragens – 1 galão de tinta Coral
3) Valdeci Dedetização – 1 latão de tinta
4) Dedé Alexandre – 2 sacas de cimento e contratação de capinagem
5) Marcinho e Leledo – disponibilizaram sua força de trabalho para a realização da pintura.
6) Marquinho Guarabira – Pix no valor de R$ 1.000,00 para compra de areia e cimento;
7) Marcelo Paiva - pagamento do pedreiro.
8) Luan - um saco de cimento
9) Prof. Belarmino Mariano (pix de 100 reais)
10) Herberton GH Contratação – R$ 30,00;
11) Secretaria de Infraestrutura de Guarabira – serviço de capinagem;
12) Birô – R$ 50,00;
13) Max – 1 saco de cimento;
14) Adones – R$ 20,00;
15) Jaelson do Mercadinho Real – 1 saco de cimento;
16) Aurélio – contribuirá com sua força de trabalho na pintura.
17)... Faça doação, procure Maurício que mora na frente da Associação, faça contato com leledo e veja do que estão precisando (83) 998201039.

Com as melhorias da Associação, novos programas sociais e assistenciais poderão beneficiar aínda mais a comunidade. A AMARBN agradece imensamente a todos os colaboradores e reforça que a campanha continua aberta para novas doações e apoios, fortalecendo o espírito de união e compromisso com a melhoria da nossa sede e da nossa comunidade.
Atenciosamente, a Diretoria da AMARBN.

Com fotografias de Leledo - As primeiras ações dos grupos de trabalho:

Índia Constrói o Maior Motor Criogênico do Mundo

Via Trajetoriatop

Em 1992, os Estados Unidos impuseram sanções à Índia para impedir que a Rússia transferisse tecnologia de propulsão criogênica à agência espacial indiana, a ISRO. A intenção americana era clara: manter a Índia fora do seleto clube das nações capazes de lançar satélites pesados de forma autônoma. O resultado foi o oposto. Bloqueada de comprar a tecnologia, a Índia decidiu desenvolvê-la do zero — e 22 anos depois, opera hoje o motor criogênico de maior impulso entre todos os países em desenvolvimento do mundo, com 200 kN de força, equipando o foguete LVM3, o mais poderoso já construído pela ISRO.

O motor CE-20 — coração da terceira etapa do LVM3 — utiliza oxigênio líquido e hidrogênio líquido como propelentes, a combinação mais eficiente termodinamicamente possível na propulsão química. A temperatura do hidrogênio líquido chega a -253°C — apenas 20 graus acima do zero absoluto —, exigindo materiais e engenharia de precisão extremos que apenas um punhado de nações domina. O motor entrega impulso específico de 443 segundos em vácuo, um dos mais altos já registrados em motores criogênicos operacionais no mundo. Para chegar até aqui, a ISRO percorreu um caminho de décadas: o primeiro motor criogênico indiano, o CE-7.5, levou uma década para ser concluído e enfrentou falhas consecutivas nos primeiros voos do GSLV — foguete predecessor. A lição foi absorvida, os erros foram corrigidos, e o CE-20 emergiu como uma geração completamente superior.

O LVM3 equipado com o CE-20 já comprovou sua capacidade operacional em missões críticas: foi o foguete responsável por colocar em órbita os satélites OneWeb — missões comerciais contratadas diretamente por empresa britânica —, validando a ISRO não apenas como programa científico nacional, mas como prestadora de serviços de lançamento no mercado espacial global. O próximo passo é ainda mais ambicioso: o LVM3 será o veículo que carregará os primeiros astronautas indianos ao espaço na missão Gaganyaan, prevista para os próximos anos. Além disso, a ISRO já desenvolve o motor semicriogênico SE-200, com impressionantes 2.000 kN de impulso, que substituirá o estágio central do LVM3 e dobrará sua capacidade de carga. Em março de 2025, o teste de bancada do SE-200 foi realizado com sucesso em Mahendragiri, Tamil Nadu.

A trajetória da Índia na propulsão espacial é um dos maiores estudos de caso do que a adversidade pode produzir quando encontra determinação institucional de longo prazo. Um país bloqueado de comprar a tecnologia mais crítica do setor aeroespacial respondeu investindo décadas de engenharia, formando gerações de cientistas e construindo a cadeia produtiva que os EUA tentaram impedir. Hoje, a ISRO é a sexta organização espacial do mundo com capacidade de lançamento completa e autônoma — e o motor que os americanos tentaram barrar é o mais poderoso entre todos os países que não fazem parte do G7.

As sanções tentaram fechar uma porta. A Índia construiu um foguete para abrir outra. 🌏🔥

#ISRO #MotorCriogênico #ProgramaEspacialIndiano #CE20 #trajetoriatop

domingo, 1 de março de 2026

Associação de Artes e Cultura de Guarabira - AACG/PB, renovou sua diretoria em 28 de fevereiro de 2026/2028.

.  Por: Valderedo Alexandre (Leledo)*

Direto do Ponto de Cultura, Comitê Cultural Arte Guarabira, coordenado pelo agitador cultural Raminho Talisbã, a Associação de Artes e Cultura de Guarabira - AACG/PB, renovou sua diretoria em 28 de fevereiro de 2026/2028.

O Edital de convocação da Assembleia Geral ocorreu no dia 19 de fevereiro, depois que o presidente José Almir Bernardo de Fontes, declarou que estava declinando do cargo de presidente e tendo sugerido a dissolução antecipada da antiga direção e a escolha de novos dirigentes por aclamação dos presentes a Assembleia Geral.

A Assembleia foi instalada as 19:30 horas, com a abertura dos trabalhos. O diretor José Almir abriu o evento e repassou a palavra ao associado Valderedo Alexandre (Leledo), para infomes. Ele explicou que os presentes poderiam escolher os novos dirigentes a partir de indicação individual por candidatura oral para cada um dos cargos.

Entre os presente estava: o prof. Raimundo Macedo (vice Prefeito de Guarabira); o poeta Chico Mulungu, (Diretor do Memorial do Cordel); o prof. Antônio Sobreira (Produtor Cultural); Belarmino Mariano (Prof. da UEPB); Marcelo Félix (Coordenador do Ponto de Cultura Cia Cênica Torre de Papel); o sindicalista Sebastião Santos da (AMABBN), os antigos dirigentes e vários outros artistas e colaboradores locais.

Em seguida foi facultada a palavra para os presentes para informes e debate sobre a situação política da associação e dos artistas de Guarabira. O produtor cultural Antônio Sobreira, se inscreveu e fez uma análise rápida sobre os editais que estão abertos e explicou que existem editais ligados a Lei nº 8.313/1991 (Lei Rouanet); Lei Aldir Blanc (Lei 14.017/2020 e atualizações); Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar 195/2022) e; o Sistema Nacional de Cultura (Lei 14.835/2024): Marco regulatório que institui a gestão conjunta das políticas públicas de cultura entre União, Estados e Municípios. 
Sobreira, com exemplos locais como a Festa da Luz, explicou que a grande parte dos recursos das Secretarias municipais, estados e união, quase sempre são voltados para artistas de renome nacional e ainda ressaltou a importância da organização dos artistas e agentes culturais locais para a captação de recursos. Ele destacou as dificuldades em fazer arte, que os investimentos são quase sempre para os artistas e produtores culturais famosos, enquanto os artistas locais tem dificuldade em acessar recursos ou apóio das autoridades locais.

Em seguida a palavra foi facultada ao professor Raimundo Macedo (vice prefeito de Guarabira). Ele agradeceu o convite de Raminho Talisbã e lembrou que na época em que era vereador, conseguiu a aprovação do Conselho Municipal de Artes e Cultura de Guarabira  e a abertura de alguns editais para arte e cultura. Ainda explicou que a arte e cultura, estão diretamente associados a educação. Disse que estava a disposição da associação para intermediar interesses da AACG com o poder local.

O cineasta e multiartista Benjamim Carlos, fez um desabafo sobre a Lei Rouanet e os editais das outras leis que são muito burocráticos e dificultam o acesso de pequenos artistas e produtores culturais locais. 
Em seguida o professor Antônio Sobreira explicou que os editais estão vinculados a própria lei e que os artistas precisam agir coletivamente, pois as políticas de cultura existem, mas em muitos casos as grandes companhias se beneficiam.

O professor Belarmino Mariano se inscreveu e falou sobre os limites de intercâmbio de algumas instituições como a UEPB com as atividades culturais locais e que se sentia um participante da cultura local e estava a disposição da AACG.
O professor Raimundo pediu uma parte para dizer que outras instituições como o IFPB também não se envolve tanto com a cultura local e se essas instituições se envolvessem mais, poderia contribuir com o desenvolvimento da arte e cultura, para além do ensino superior.

Na sequência, o presidente José Almir deu início ao processo de escolha dos novos diretores, facultando a palavra aos interessados em assumir os cargos de Presidente, Vice Presidente, Tesoureiro e, Primeiro e Segundo Secretários. As pessoas foram declarando interesse pelos cargos e todos foram escolhidos por aclamação. A nova direção da AACG ficou assim definida:
Presidente: Severino Tomaz de Arruda ( Raminho);
Vice Presidente - Alberto Quirino dos Santos (Beto Quirino)
Tesoureiro - Valderedo Alexandro de Souza 
Primeiro Secretário - João Vitor Damião Santos (Vitor Santos)
Segundo Secretario - Belarmino Mariano Neto (Prof. Belo).

Depois que todos os diretores foram escolhidos individualmente, a nova direção foi aclamada com aplausos. 
O novo presidente Raminho Talisbã fez uso da palavra e destacou a importância de lutarmos pela organização dos artistas e produtores culturais de Guarabira e que acreditava em atividades culturais como transformadoras da sociedade. Ele disse que já atuava há décadas e seu Ponto de Cultura é um exemplo para essa nova diretoria. Na conclusão dos trabalhos, foi convoca uma nov Assembleia para o dia  07/03)26 (Sábado, as 19:30 hs), para discutir o retorno do "Saral Poético Café com Poeira". Em seguida foi oferecido um pequeno coquetel para os presentes. 

*Por: Valderedo Alexandre (Leledo). Artesão e produtor cultural.

Fotos da Assembleia Geral da AACG e convocatória 

Geopolítica e Separatismo: Fragmentação Territorial no Brasil e no Mundo

Por Belarmino Mariano Neto

No Verão de 1991, escrevi um pequeno artigo sobre Geo-história e Separatismo, para a série Fragmentos, do periódico Anarquista Edições Motim. Eram ensaios datilografados em Estêncil a óleo e depois impressos em tiragens de no máximo 500 cópias. começou com um pequeno alerta em que afirmava que o "mono é a destruição da diversidade dos organismo e que a humanidade está se construindo como uma grande monocultura planetária". 

Aqui estarei reproduzindo esse artigo e fazendo pequenos ajustes, pois o mesmo já têm 27 anos de idade, mas ao ler fiquei impressionado com a sua atualidade, tanto em relação ao mundo quanto em ao Brasil. O artigo se atualiza no momento em que o Brasil passa por um processo político eleitoral de ânimos extremados e de ataques aos interesses nacionais e de disputas regionais, em meio a uma das maiores crises do sistema republicano e federalista. iremos buscar as raízes profundas dos movimentos nativistas de secessão.

Em pleno período informático espacial, o mundo humano vive  um conjunto de desafios históricos e geográficos. O imperialismo capitalista já atinge quase todos os cantos e recantos do nosso planeta. Antigo bloco político autoritário que era identificado com União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ruiu entre os anos de 1989 e 1992, deixando um gigantesco rastro de fragmentação política e territorial marcada por xenofobia, separatismo e nacionalismos exacerbados.

O Socialismo que nunca saiu do campo das ideias, passou a carregar o grande fardo de culpa, pelas práticas autoritárias e ditatoriais dos regimes stalinistas de Moscou, calcadas nas teses da "Ditadura do proletariado" (Marx, 1875), que havia sido aprofundada na sua obra Critica ao Programa de Gotha. Esses erros levaram os princípios da libertação humana para outra dimensão da história, obrigando aos vários partidos socialistas do mundo a uma autocrítica e a reformulação dos seus estatutos para os ideias do Socialismo com Liberdade e os que não fizeram autocrítica, implodiram, dando origem a novas legendas, em que algumas, abandonaram completamente os princípios e bandeiras históricas do socialismo.

Entro o final da década de 1980, O império dos grandes domínios territoriais  começou a sucumbir e os Movimentos Separatistas também culminam com as fortes crises político e econômicas do capitalismo atual, contribuindo para a tese das secessões territoriais em todos os continentes, tendo a Eurásia central  o epicentro dos acontecimentos. Vale ressaltar que em boa dose, as maiores formações territoriais adotam a organização territorial política pautada pelo federalismo.
No império territorial soviético e agora Russo tivemos a maior fragmentação política e territorial dos Estados nacionais no menos espaço-tempo da história política do mundo, pois grandes impérios como o Romano e o Turco Otomano, por exemplo, decorreram séculos para se constituíssem e séculos para que sucumbissem. Portanto a fragmentação territorial e separatismo soviético é o maior registro na história dos povos.

O Bloco Soviético ultrapassava os limites de 22 milhões de quilômetros quadrados em terras continuas, e mesmo com a sua desagregação, a atual Federação Russa, continua concentrando mais de 17 milhões de quilômetros quadrados, o que a torna o maior país do mundo dentro de um sistema federativo e até certo ponto, herdeiro do gigantesco império Eslavo. Essa base politico territorial se compara aos grandes impérios da antiguidade, como o Persa, Mesopotâmico, Romano e Otomano.

O Bloco soviético era uma especie de camisa de força territorial que começou a se rasgar ou esfarrapar a partir dos anos de 1980, crise do capitalismo internacional e reforma do liberalismo europeu e americano (Neoliberalismo), o que apontou para uma Nova Ordem Geopolítica, com um viés mais econômico territorial. 

Enquanto isso, nos países subdesenvolvidos, predominantemente controlados pelas matrizes liberais e pelo bloco dos países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos (USA) e pela Europa Ocidental, intensificam as políticas neoliberais, pautadas no Estado mínimo, com privatizações, atreladas a políticas cambiais e uma Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT), produção flexível, uso de mão de obra, energia e matérias primas controladas por multinacionais e transnacionais, obrigam os países a se curvarem ao capital financeiro internacional. 

Os níveis de endividamento externo destes países, os processos de dolarização das economias e as regras do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BM), quebram a lógica dos mercados nacionais e regionais, fragmentando os potenciais de autonomia dos Estados Nacionais subdesenvolvidos, o que gera conflitos internos e disputas entre regiões em um mesmo país.

Uma das tentativas europeia para evitar o separatismo regional em seus territórios foi a aceleração da União Europeia, criando uma unidade politico econômica e social livres de embargos tarifários, das burocracias alfandegárias, do livre acesso entre as pessoas do Bloco em relação as fronteiras nacionais, com moeda única, permitindo um maior fluxo de pessoas, mercadorias e negócios entre empresas em todo o continente ocidental europeu. 

Notamos que os respingos do separatismo ainda hoje repercute em territórios da União Europeia, como é o caso do Reino Unido, com desejos separatistas entre a Irlanda, Escócia e Inglaterra, demonstração de que o Reino Unido nem é tão unido assim. Caso ocorra uma separação, a Grã-Bretanha poderá se dividir em três países. 

Temos o caso da Bélgica com as duas regiões de Flandes (Bruxelas) e Valônia, sendo a primeira influenciada pele Holanda e a segunda influenciada pela França e que demonstram interesse de separação. Apesar de não termos um claro conflito, mas existem uma tensão, gerando talvez o desaparecimento da Bélgica como um país moderno.

O caso da Espanha com as regiões do País Basco, Galizia e a Catalunha. Na Espanha, essa onda separatista, ocorre desde o final da Segunda Guerra mundial, pois cada uma dessas regiões, possuem etnias próprias e se sentem presas e pressionadas por uma sistema monárquico que não representam seus interesses de fato.

E ainda temos o caso da Itália com as duas províncias mais ricas do país, Lombardia e Vêneto (Veneza), que consideram a Itália como um país que oprime os direitos de autonomia desses povos e consideram que seus territórios foram anexados a Itália, mais não se sentem italianos.

O jornalista Pablo Ordaz de El País, publicou que alguns dizem, “não somos italianos” e completa: "Não só na Lombardia ou no Vêneto, onde há anos partidos xenófobos, como a Liga Norte ou a Liga Vêneta, lucram eleitoralmente com essa desavença alimentada por estereótipos, mas também na Sardenha e até na Sicília" (El Pais, 2014). Vale salientar que esses movimentos dentro do território italiano tem uma matriz de extrema-direita, ainda com rescaldos do fascismo e do Partido Forza Itália do líder Silvio Berlusconi, entre outras forças ultra-direitistas.

Estes São dezenas de exemplos de movimentos separatistas que estão dentro dos países que formam a União Europeia e no atual momento, existe uma nítida crise, pois o Reino Unido, tentou sair do Bloco e desfazer suas relações, chegando a fazer um plebiscito que literalmente dividiu o país. "Brexit" como ficou conhecido mundialmente gerou um profundo desconforto para a Escócia, que não aceitou a saída da união Europeia e que pretende se separar do Reino Unido, assim como a Irlanda do Norte que também sonha em uma secessão. Esses dois territórios e povos, podem gerar uma violente crise politica para o Reino Unido.



O Caso Soviético e os conflitos separatistas

A ex-União Soviética era a maior unidade territorial de controle politico do espaço geográfico, que foram se constituindo desde 1917 e se expandiram depois da 2* Guerra Mundial, com a ocupação de dezenas de territórios que estavam sob a dominação Nazista. A URSS chegou a ter mais de 22 milhões de quilômetros quadrados. Essa estrutura territorial e de poder ficou inabalada por mais de 70 anos, sob a égide de uma governo autoritário e extremamente centralizador do poder, em relação aos territórios federados (TRACTEMBER, 1991). 

Para Alabi (1991), a fragmentação da URSS foi uma das maiores mudanças ocorridas no espaço geográfico do final do século XX. A partir de 1985, quado Mikhail Gorbatchev assumiu o poder da URSS, que durou até 1991, passou a observar que estavam ocorrendo grandes mudanças geopolíticas em todo o mundo e que estava diante de uma bomba geopolítica de crises étnicas e tensões culturais em dezenas de territórios de sua unidade federativa e, se não tomasse medidas urgentes, poderia ver o pais mergulhado em uma crise interna sem precedentes. As análises apontavam principalmente para a tensão dentro das duas Alemanhas que sonhavam em se reunificar para uma melhor relação com o capitalismo liberal do ocidente.

Podemos afirmar que a primeira grande concessão geopolítica e territorial de Gorbatchev ocorreu em 1989, com a Queda do Muro de Berlim e assinatura de acordos bilaterais para a reunificação das duas Alemanhas. Na mesma esteira da Unidade territorial alemã, também ocorreram os encontros internacionais com os países lideres da Organização Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e URSS (Pacto de Varsóvia), para o desarmamento nuclear em mísseis de curto, médio e longo alcance. Esse período ficou conhecido como de descongelamento da "Guerra Fria".

Na esteira das politicas de abertura política da URSS, por volta de 1991 começaram a estourar vários movimentos nacional-separatistas por dentro da República Federativa. Estes movimentos iniciaram-se em três territórios bálticos conhecidos como Estônia, Letônia e Lituânia. Vale salientar que estes territórios eram fundamentais para a Geopolítica soviética, devido a localização geográfica de controle do Mar Báltico e para a navegação da URSS. 
Dentro da Rússia, o maior estado da URSS, ocorreu um movimento golpista liderado por Boris Ieltsin, presidente da Federação Rússia, o que gerou tensões ainda maiores, obrigando Gorbatchev a uma estratégia de urgência, convocar um Congresso do Parlamento do Povo, para tentar conter a onda golpista e reestruturar o poder do bloco soviético, mas já era tarde demais.

O pedido de autonomia territorial báltica e as tensões golpistas dentro da Rússia, elevou a crise separatista no extinto território soviético, obrigando Gorbatchev a organizar o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, entre os dias 20 e 30 de dezembro de 1991, a portas fechadas e extra-ordinário, que reuniu todas as unidades da federação e no qual, apresentou dois programas que ficaram conhecidos como:  "perestroika (reestruturação) e glasnost (transparência)". Esses dois termos representam uma reestruturação da URSS de maneira transparente, sendo este último a relativização de uma abertura política, na tentativa de conter as tensões sociais e políticas que cada um dos territórios buscavam com mais autonomia e mais abertura.

A grande crise política e social vivida dentro da URSS estava em uma profunda crítica ao modelo autoritário, ditatorial e concentrador de poderes que gerou uma gigantesca burocracia estatal controlada pelo Partido Comunista Soviético. Entre as décadas de 1970 e 1980, a URSS não conseguia mais atingir seu seu crescimento econômico esperado e principalmente os grupos de trabalhadores perceberam que de fato, não existia um Socialismo ou Comunismo, mas apenas um Capitalismo centralizado no Estado Autoritário. 

Isso foi gerando tensões e estas estavam principalmente nas unidades da federação com maior contato físico com a Europa Ocidental e Noroeste Europeu. Daí observarmos que, além dos países Bálticos, a pressão passou a ser grande em países como: Polônia, Eslovênia, Iugoslávia, Georgia, Bielorrússia e Ucrânia. 

No XX e último Congresso do Partido Comunista da União Soviética, tanto a Perestroika, quanto a Glasnost, deram importantes resultados e para conter uma crisa ainda maior, foi proposta a dissolução do gigantesco bloco de países e foram costurados acordos para a criação de uma Comunidade de Estados Independentes (CEI) em que, as repúblicas alinhadas teriam maior autonomia e autodeterminação para adotar inclusive novas relações políticas, econômicas e culturais com os países capitalistas do ocidente. 
Com Esse acordo a Rússia se tornou o país com maior força e líder da CEI, mantendo no grupo países como: Armênia, Azerbaidjão, Bielorrússia, Cazaquistão, Moldávia, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Usbequistão.

A CEI não é um bloco econômico, mas uma nova Federação de Estados autônomos, que estão interligados por laços, políticos, econômicos e militares. Mas não formam um bloco econômico, pois cada país tem sua autonomia e os laços econômicos entre os estados são bilaterais e abertos para relações com todo e qualquer país do mundo.

Talvez os aspectos mais importantes dessa nova experiencia territorial, para além do federalismo clássico, adotado em países como os Estados Unidos e o Brasil, passou a existir uma maior flexibilização entre os países e um processo de democratização das ex-repúblicas da URSS. Mas novas tensões foram geradas com novas ondas nacionalistas e separatistas, dentro das próprias unidades territoriais, tanto da CEI, quanto dos países que se tornaram independentes da Ex-URSS.

Os Países da Europa Oriental e o fim da URSS

Em pesquisas sobre a História do Mundo, observamos que, além dos países Bálticos (Letoânia, Estônia e Lituânica), Alemanha Oriental, Polônia , Tchecoslováquia, Romênia, Hungria e Bulgária se tornaram aliados soviéticos no pós Segunda Guerra Mundial. Um dos marcos para esse arco de alianças foi a organização do Pacto de Varsóvia que foi assinado em 14 de maio de 1955, em Varsóvia, Capital da Polônia. 
Estes países passaram a integrar a União Soviética, tendo proteção militar e fazendo parte dos acordos econômicos e políticos do Bloco geopolítico até 31 de março de 1991. O fim do pacto foi o reflexo da crise política que atingiu todo o Leste Europeu e que já era anunciado desde a queda do Muro de Berlim que iniciou sua construção em 12 de agosto de 1961 e durou até 09 de novembro de 1989.
Os principais desdobramentos atingiram todo o bloco socialista soviético, alertando as repúblicas aliadas para novos tempos. Um primeiro e maior impacto foi a queda do Muro de Berlim (12/08/1989) e a reunificação da Alemanha, que havia ficado dividida em Alemanha Ocidental (Pró-Capitalista) e Alemanha Oriental (Pró-Socialista), tendo ficado dividida por 44 anos (1945 a 1989).

Os Países Bálticos no olho do Furacão

Para Navarro (2012), os países bálticos representam um capítulo a parte nesta história e na geopolítica da região. Estes três países parecem a mesma coisa, mas não são, pois ao longo se suas histórias, estiveram sob o domínios de outros povos e impérios, tendo sido dominados pela Finlândia, Noruega e Suécia, mas o maior período de dominação foi pelo antigo império Russo e Germânico.
Os momentos de liberdade política desses países foram tão pequenas quanto eles. Mesmo antes do início da Segunda Guerra Mundial a Alemanha Nazista e a União Soviética Stalinista, em 1939, assinam o Pacto Molotov-Ribbentrop. Esse tratado secreto dividia a Europa Oriental entre as duas potências, cabendo aos Russos o controle sobre os países bálticos, além da não-agressão entre a Alemanha e União Soviética (NAVARRO, 2012).
para a pesquisadora, Adolf Hitler não cumpriu o acordo e passou a atacar os territórios soviéticos, em um conflito que durou de 1941 a 1945. Nesse período, o Exército Vermelho, na medida em que reconquistava os territórios, adotava uma politica mais agressiva e de represália aos nacionalidades reconquistadas, pois considerou que tinha avido uma facilitação ao exército alemão. Os países bálticos tiveram uma dura ocupação, com repressão, prisões, exílios e milhões de russos ocupando os territórios e os meios de produção dos três países.
O domínio soviético aos três países bálticos, durou de 1939 até 1991. Os movimentos separatistas começaram a ganhar força com a queda do Muro de Berlim e em 23 de agosto de 1989, quando fazia 50 anos do Pacto Mototov-Ribbentrop, os povos lituanos, letões e Estonianos, organizaram uma gigantesca manifestação que atingiu mais de 600 km, em que as pessoas deram as mãos e tocaram os três países, passando pelas suas capitais: Riga, Tallinn e Vilnius (NAVARRO, 2012).
Esse movimento fortaleceu as três repúblicas ao movimento separatista que culminaram com a Glasnost e Perestroika, como saídas encontradas por Mikhail Gorbachev, para conter a crise política soviética. O processo de independência começou na Lituânia em 1990 e se completou em de 1991 com a Estônia e Letônia, tiveram o reconhecimento dos membros da ONU. Estas repúblicas diminuíram suas relações com a Rússia e não entraram na Comunidade dos Estados Independentes (CEI) que se originou com o fim do bloco soviético.
Os Russos se retiraram completamente das três repúblicas em 1993, mais conseguiram deixar o importante enclave territorial e político de Kaliningrado, com mais de 15 mil quilômetros de extensão, entre a Polônia e Lituânia e as margens do Mar Báltico e considerada a mais importante saída russa para o Oceano Atlântico e Mar do Norte.

A Lituânia foi a primeira República Soviética a declarar sua independência, em 1990. No ano seguinte, Estônia e Letônia fizeram o mesmo. Em setembro de 1991 os três países foram, enfim, reconhecidos como membros da ONU.




 Fragmentação Territorial da Iugoslávia


Toda essa região em que se encontrava a Iugoslávia foi berço de dois grandes impérios os Turco-Otomanos e os Austro-Húngaros. Os Otomanos ocupavam vastas terras da Ásia Menor, Norte da África, Europa Central e Oriente Médio, que se estenderam por esse vasto território entre os seculos XIII ao século XIX, enfraquecendo o Império Bizantino e impondo a cultura, economia e religião maometana aos povos conquistados. 
O Império Austro-Húngaro foi a união de dois reinos da Europa Central que dominavam terras em que habitavam diferentes grupos étnicos (Tchecos, Eslavos, Eslovenos, Sérvios, Croatas, entre outros), ambos sonhavam e lutavam por autonomia. Estas anexações territoriais, tornavam o império Austro-Húngaro muito forte entre os impérios alemão e Russo, rivalizando disputas territoriais principalmente com os turco-otomanos dentro da Ásia Menor.

Entre os séculos XVI e XVIII, os turco-otomanos avançaram sobre os território do Império austro-Húngaro ocupando territórios da Eslovênia, Croácia, Bósnia e Sérvia. Estes conflitos se estenderam até o século XIX e posteriormente chegaram até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Para garantia de expansionismo entre estes imperios foram construiadas alian~cas militares, como a triplice alian~ca

Durante a Primeira Guerra Mundial, estourou depois que o príncipe do império austro-húngaro, Francisco Ferdinando foi assassinado em Saravejo (Bósnia-Herzegovina), por um jovem anarquista sérvio, contrário ao domínio e influencia da Áustria-Hungria na região.

Dentro do campo das alianças militares, se formaram dois blocos de países, a Tríplice Aliança (Império áustrio-húngaro, Alemanha e Itália)  


Mapa da fragmentação territorial da Iugoslávia. educador.brasil.scola

A Iugoslávia nasceu após a Segunda Guerra Mundial e se entre 1943 até 1992, quando entrou em uma profunda crise política, econômica, étnica e religiosa, com conflitos que envolveram os diferentes grupos étnicos (bósnios-hezergóvinos, croatas, eslovenos, sérvios-iugoslávios, montenegrinos, turcos, albaneses, marcedônios, kosovos, voivodinos, entre outros). Essa Unidade Politico-territorial só foi possível graças ao grande líder socialista Sérvio Marechal Josip Broz Tito


Fontes de Pesquisa:

Mapa da URSS - http://www.lahistoriaconmapas.com/cronologia/siglo-xx/la-urss-durante-la-segunda-guerra-mundial/
Mapa da URSS - https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/12/29/Os-mapas-da-CIA-n%C3%A3o-s%C3%A3o-mais-secretos.-E-est%C3%A3o-dispon%C3%ADveis-no-Flickr
Separatismo na Itália - https://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/05/internacional/1396715191_742597.html
Separatismo na Itália - https://oglobo.globo.com/mundo/lombardia-veneto-votam-por-mais-autonomia-na-italia-21978063
Países bálticos - https://brasilescola.uol.com.br/geografia/paises-balticos.htm
Iugoslávia - https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/a-fragmentacao-iugoslavia.htm


FERREIRA, Andrey Cordeiro. Trabalho e ação: o debate entre Bakunin e Marx e sua contribuição para uma sociologia crítica contemporânea. Rio de Janeiro:https://periodicos.ufsc.br/index.php/emdebate/article/viewFile/1980-3532.2010n4p1/19724 UFRJ/PPGAS, 1980.
NAVARRO, Camila. Países Bálticos - Um pouco de História. Brasil: Blog Viaggiando, 2012. https://www.viaggiando.com.br/2012/03/paises-balticos.html

GEOGRAFIA POLÍTICA: PEQUENOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS EM XEQUE


Por Belarmino Mariano*


Este artigo é mais uma preocupação geográfica em relação aos desmandos políticos exercidos pelo atual governo brasileiro de Jair Messias Bolsonaro (PSL) e suas interferências diretas, na tentativa de mudanças na Constituição Federal, além de reformas no próprio Estado, ao ponto de propor através do recente Projeto de emenda a Constituição (PEC), apresentado ao Senado, pelo Ministro da Economia Paulo Guedes, sobre a extinção de municípios com até 5 mil habitantes e que tenham arrecadação inferior a 10% de sua receita total. A medida também prever a proibição de criação de novos municípios. Os dados apontam que existem mais de 1.254 municípios nestas condições, que representam 22,5% do total dos municípios brasileiros (TEMÓTEO, MAZIEIRO E ANDRADE, 2019).
O Ministro Paulo Guedes acha que pode tratar os municípios brasileiros como se fossem empresas privadas que como não estão dando lucros, devem ser fechadas, desconsiderando as milhares de famílias que ali vivem, trabalham, consomem, pagam seus impostos e dependem de programas governamentais que são mantidos pelos seus impostos.
O Brasil é um país de dimensões continentais, pois ocupa 8.511.000 de km² se tornando o quinto maior país do mundo e apresenta uma população de aproximadamente 209,3 milhões de habitantes que estão distribuídos por 5.570 municípios espalhados por todo o território brasileiro (IBGE, 2019).
O município é um dos fragmentos territoriais da organização política e administrativa do Brasil, que se organiza constitucionalmente como a menor fração territorial da Republica Federativa. Como o município é a menor unidade territorial constitucional do Brasil, em sua área territorial existem subdivisões formais, reconhecidas como zona urbana (sede do município) e zona rural, em que podem existir distritos, povoados e sítios ou comunidades rurais. 
Dentro do conceito podemos dizer que o município é o lugar onde as pessoas nascem, crescem, estudam, trabalham, se divertem, constituem família e onde morrem e são sepultadas. Logo, o município é o lugar onde construímos nossas identidades, emoções, sentimentos de pertencimento. 
Geralmente, quando usamos a expressão "o meu lugar", estamos nos referindo ao local onde nascemos, ondo os nossos pais nos tiveram e nos criaram. Desse modo, a nossa história de vida se confunde com o lugar onde nascemos e vivemos a maior parte de nossas vidas, e mesmo quando a gente migra, sai de um lugar para outro, continuamos nos referenciando pelo lugar onde nos originamos.
Um sítio, um povoado, uma comunidade rural, uma cidade, por menor que seja, sempre vai guardar a história de vida dos seus nativos e assim se formam as famílias, os clãs e os grupos sociais, todos atrelados a algum lugar, por menor e mais isolado que seja esse local. Esse é o real significada de um município para o povo brasileiro.
No Brasil também existem outros significados sobre os lugares em que as populações se originam, ao exemplo de aldeias indígenas, de territórios quilombolas, Assentamentos de Trabalhadores Rurais Sem Terra, territórios ciganos, comunidades tradicionais de povos das florestas, entre outros, mas todos estão de alguma maneira, inseridos da organização federativa do município, enquanto unidade territorial constitucional de ligação das pessoas com os seus direitos e deveres, enquanto cidadãos brasileiros.
Os próprios conceito de cidadão e de cidadania, se encontram com a ideia de município, enquanto unidade natural e oficial para acesso a todos os tipos de políticas públicas geradas no país.
Mariano Neto (2006) afirma que:

 "Percebe-se que a categoria geográfica de lugar insere-se nesta discussão em torno do território-territorialidade, pois, a compreensão dos caminhos que se constroem em determinados locais pode revelar um mundo desconhecido pelos diagnósticos normais de apreensão da realidade. São sutilezas, nuanças que os dados não costumam revelar. A trama da relação sociedade/natureza também passa por este caminho, onde a organização interna de dado lugar tem seu significado para as populações que ali residem e relacionam-se. Porém, este mesmo lugar, que revela dinâmicas próprias da relação sociedade/natureza, em cada localidade, também se expande para além dos limites geográficos" (MARIANO NETO, 2006, p.11-12).

Esse pensamento sobre a ideia de lugar se insere perfeitamente na atual proposta de PEC apresentada pelo Ministro Paulo Guedes/Bolsonaro, pois ao propor a extinção de milhares de municípios, pelo simples fato de serem pequenos e não apresentarem rendimentos suficientes para agradar o mercado e seus possíveis investimentos lucrativos, demonstra que o atual governo, não respeita a identidade, memória e história das pessoas e dos lugares. O Ministro Paulo Guedes e o próprio governo, demonstra completa falta de compromisso com os recônditos lugares, que, apesar de pequenos, representam os valores democráticos e vontades políticas de um povo. 
Um coisa seria, o movimento de um povo, dentro de uma municipalidade, querendo organizar um outro tipo de relação municipalista, em que aquela sociedade local, por conta própria e autônoma, estivesse interessada em se auto-destituir para ser anexada a uma unidade municipal maior. Será que existe no Brasil, algum município querendo deixar de existir?
Para entendermos melhor essa unidade autônoma denominada município, buscamos no artigo de Oliveira (2018), os argumentos teóricos sobre o "federalismo e o municipalismo na trajetória política do Brasil". Nesta obra o autor considera que o federalismo é um modelo de organização política de alguns estados nacionais, com destaque para a autonomia entre os entes federados e no caso do federalismo brasileiro, um destaque para os municípios, enquanto entes territoriais ou elo de ligação entre os estados e a união. 
O Brasil se estrutura ao  que a Constituição Federal promulga como a unidão dos três entes federativos: União, Estados e Municípios, existentes a partir de um "Pacto Federativo". Mas até que ponto, esse governo possui legitimidade para propor o fim de municípios, o fim de fundos e o impedimento de criação de novas municipalidades?
Precisamos pensar em relações de poder e legitimidade que passam pela geografia política e geopolítica, pois “A Geopolítica é uma teoria do poder, porque território é poder” (Myamoto, 2014). Nestas condições teóricas pensamos na atual situação política vivida pele Brasil, depois que assumiu a presidência o governo Bolsonaro, declaradamente de extrema-direita, que não respeita os interesses do Estado-Nação brasileiro, colocando em risco a soberania nacional, ambiental e agora federativa, pois passa a ameaçar os pequenos territórios municipais..
Para compreendermos e analisarmos estas questões na perspectiva da geografia política e geopolítica, precisamos primeiramente, entendermos a organização política do território brasileiro na condição de um Estado-Nação que se consolidou historicamente ao longo de quase 520 anos, tendo passado um longo período sob a égide do domínio colonial português (1500 a 1822), que representou durantes estes 222 anos uma Colônia de Exploração dominada territorialmente por Portugal. considerando os dois primeiros séculos, o Brasil ainda não poderia falar de Estado-Nação brasileiro, mas já existia durante esse período, importantes sinais de luta, resistência e tentativas, mesmo que parciais de libertação territorial para a conformação política de um Estado-Nação.
O primeiro bom exemplo do espírito de nacionalidade brasileira, nasceu no Nordeste, com a famosa guerra de expulsão dos holandeses e com as batalhas dos Guararapes (1648-1649). Forças portuguesas aliadas com líderes nativos do Brasil, entre os quais, brancos, índios e negros, conseguiram vencer e expulsar as frotas holandesas do território colonial português.
Outro importante e forte movimento de luta para construção do Estado-Nação no Brasil, também se deu no Nordeste, foi a Revolta de Pernambuco e Paraíba (1817) que se aprofundou com o Movimento Revolucionário da Confederação do Equador, iniciado em (1824), reunindo tropas de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, contra as forças do Império de D. Pedro I. Este talvez tenha sido o primeiro grande levante anti-imperialismo e anticolonial do Brasil.  (LIMA SOBRINHO, 1979). Mesmo tendo sido sufocado pelas tropas governistas do império, o sonho liberal de fundação de uma república independente permaneceu no seio da sociedade brasileira.
O Brasil viveu um longo período de domínio imperial (1822 – 1889) e durante esse período dezenas de revoltas e lutas pela implantação de um sistema político liberal e republicano se estendeu pela pátria que era governado pelos filhos do Rei de Portugal e atendendo aos interesses econômicos do Reino Unido e aliado de Portugal.


*Belarmino Mariano Neto. Professor Associado da UEPB. Doutor em Sociologia pela UFPB/UFCG. Mestre em Meio Ambiente pela UFPB e graduado em Geografia pela UFPB.

REFERÊNCIAS 


CANECA, frei Joaquim do Amor Divino (1779-1825) Org. e introd. de Evaldo Cabral de Mello. 2001. (Coleção Formadores do Brasil).

LIMA SOBRINHO, Barbosa. Pernambuco: da Independência à Confederação do Equador. Recife: Conselho Estadual de Cultura, 1979.

MARIANO NETO, Belarmino. A Natureza da Geografia e suas Múltiplas Ações. COORDENADORIA DE ENSINO MÉDIO - G E O G R A F I A: REFERENCIAIS CURRICULARES DO ENSINO MÉDIO DO ESTADO DA PARAÍBA. João Pessoa, Paraíba: Secretaria de Estado da Educação e Cultura, Agosto de 2006. ISBN 978-8598357-33-1

OLIVEIRA, Bruno Carneiro. FEDERALISMO E MUNICIPALISMO NA TRAJETÓRIA POLÍTICA DO BRASIL. Mercator, Fortaleza, v. 17, e17023, 2018. DOI: https://doi.org/10.4215/rm2018.e17023 ISSN: 1984-2201 Copyright © 2002, Universidade Federal do Ceará. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/mercator/v17/1984-2201-mercator-17-e17023.pdf>

TEMÓTEO, Antônio; MAZIEIRO, Guilherme; ANDRADE,  Hanrrikson. Governo propõe fundir municípios; regra atingiria quase 1 em cada 4 cidades. Brasília: Uol, 05/11/2019. Disponível em <https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/11/05/pacote-governo-municipios-fusao.htm>.

https://radicaislivreseco.blogspot.com/2019/07/o-nordeste-brasileiro-e-as-revolucoes.html

https://www.apostagem.com.br/2019/11/06/prefeito-bolsonarista-se-diz-traido-ao-saber-que-sua-cidade-sera-extinta-pela-proposta-de-bolsonaro/?fbclid=IwAR1xo680b2eVhR9yFkTiYxwQBo8v2Cu9WGrXFh2HX1QTnrS2hcQ8Fep9uqw

https://urbsmagna.com/2019/11/01/bolsonaro-acaba-com-o-minha-casa-minha-vida-fna-emite-nota-publica-nesta-sexta-01-sobre-o-fim-do-programa-que-sera-substituido-por-outro-formato-deixando-familias-de-baixa-renda-sem-nenhuma-perspe/?fbclid=IwAR3b6ar8wQ46sRfTipItIsCKrn_oEZ6vtQ8jlEmMeCVzqm9TlrkpNLEwTMA