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No sábado, dia 04 de abril, tivemos o último prazo para o troca-troca das legendas partidárias e na Paraíba foi um verdadeiro corre-corre de deputados e deputadas para o seu esquema pessoal de enganar o eleitor desavisado.
Nessa janela partidária, em que a Lei nº 13.165 (TSE, 2015), permite que o político saia do partido com o mandato, não existe nenhum tipo de ideologia política e carta de princípios com a ética, transparência política e fidelidade partidária. Nesse "jogo sujo" as cartas já estão todas "marcadas".
De acordo com o site do TSE, a janela partidária existe há mais de dez anos. O artigo 22 - da Lei dos Partidos Políticos (nº 9.096/95), o mecanismo da troca de partido sem perda de mandato foi incluído pela reforma eleitoral de 2015 (Lei nº 13.165).
A janela também está prevista na Emenda Constitucional nº 91, aprovada em 2016 pelo Congresso Nacional. Ou seja, os políticos criaram um grande benefício para si próprios, depois de eleitos, com dinheiro público do fundo partidário, trocando de partido como "quem troca de roupa suja".
O Partido, seja do centro-direita, extrema-direita e até alguns "gatos pingados da esquerda", quando chega o início de abril de ano eleitoral, vira essa esculhambação e, por isso, temos o pula-pula infernal de político com mandato, que em tese, seria do povo. Será que os eleitores irão concordar com essas trocas inescrupulosas?
Essa foi a blindagem perfeita, pois agradou "gregos e troianos" da "rapinagem política brasileira" e: "adeus a lealdade político-partidária"; "a fidelidade partidária na lata do lixo" e; "tchau eleitores". Muitos que acreditaram ter elegido alguém segundo suas convicções político-partidárias.
Mas vamos ao que interessa, pois na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), dos 36 deputados estaduais 19 trocaram de legendas (+50%), além de alguns federais com mandatos, e outros suplentes de deputados, federais, senador e pré-candidatos sem mandatos, também mudaram de partidos.
Segue partidos e os perde-ganha dos deputados legislativos de acordo com os partidos da cota parlamentar (2022-2026):
O PSDB perdeu todos seus três deputados para o MDB: Camila Toscano, Fábio Ramalho e Tovar Correia Lima são os "novos integrantes" do MDB. O grande PSDB do grupo Cunha Lima, "afundou completamente" na Assembleia Legislativa da Paraíba.
Esse foi o legado de Cássio Cunha Lima que achava que ao derrubar a presidenta Dilma Roolseff (PT) e tramar contra o presidente Lula (PT), acabaria com o Partido dos Trabalhadores, mas estamos vendo o contrário. Parece que o "golpista tucano foi contaminado pelo próprio veneno" que lutou tanto para aprovar no Congresso Nacional entre 2015/2016.
O MDB do senador Veneziano, ganhou 6 deputados: Caio Roberto saiu do PL; Felipe Leitão saiu do Republicanos; Hervázio Bezerra que saiu do PSB. Camila Toscano, Fábio Ramalho e Tovar C. Lima debandou do PSDB. Mesmo ganhando 6 deputados, o MDB perdeu Anderson Monteiro para o PV e Dr. Romualdo foi para o PCdoB.
Esse novo quadro no MDB dentro da ALPB, fortaleceu a oposição ao governo estadual, mas em Escala Nacional, Veneziano, se colocou como apoiador do Presidente Lula (PT), resta saber se essa sua nova base também apoiará Lula? Eu só acredito vendo!?!
O PSB apesar de ter perdido quatro deputados, estes continuaram quase todos na base de aliados do atual governo Lucas Ribeiro(PP) e João Azevedo (PSB). Saíram do PSB: João Gonçalves, Júnior Araújo e Tanilson Soares, foram para o PP do atual governador Lucas Ribeiro. Tião Gomes, que saiu do PSB, foi para o Republicanos e Hervázio Bezerra foi o único deputado que foi para o MDB, atual oposição ao governo.
O PSB recebeu o deputado Eduardo Brito do Partido Solidariedade (SD). Nessa conta o PSB perdeu 04 deputados e ganhou 01, ficando com apenas 2. Essa perda pode até afetar o peso político na hora das contas de votos da legenda, mas para o governo estadual em si, quase nada mudou, na correlação de forças, pois a chapa majoritária se fortaleceu, dezenas de outras adesões.
João Azevedo (PSB) e Lucas Ribeiro (PP) são aliados de Lula e Alckmin (PT/PSB) na Paraíba, mas também resta saber se, essa nova leve de deputados, também irá se empenhar na eleição presidencial e do senado?
Dentre as trocas menores, temos os deputados: Chió que saiu da (Rede/PSOL) e foi (PV); Eduardo Carneiro que saiu do Solidariedade (SD) para o (PP); George Moraes que saiu do (União Brasil) para o (PL); Michel Henriques que foi do (Republicanos) para o (PP); Nilson Lacerda que saiu do (União Brasil) e foi para o (Republicanos); Bosco Carneiro que mudou do (Republicanos) para o (PP) e; Luciano Cartaxo que saiu do (PT( e foi para o (Republicanos).
Essa última mudança parece a mais surpreendente, mas não é, pois todos sabem que Luciano Cartaxo sempre foi um político de meias palavras. Sempre usou o PT em benefício próprio e já abandonou o PT pelo menos três vezes: Traiu o presidente Lula, traiu a presidente Dilma no seu pior momento e agora deixou o PT novamente e foi para o partido de Hugo Motta, considerado um inimigo do povo, com dezenas de pautas bombas como presidente da Câmara Federal.
Podemos dizer que não é a política ética que está em jogo aqui, não são os interesses públicos e nem a vontade popular democraticamente exercida na última eleição. São os vergonhosos "esquemas de quem dá mais", "orçamentos secretos", "fundo partidário", cargos em órgãos públicos e o poder a qualquer custo.
Claro que essas mudanças não representam quase nada, do ponto de vista ideológico e programático, pois quase todos estes partidos estão na centro-direita e são políticos venais, sangue-sugas, furtivos e oportunistas no sentido negativo do termo. Estão fazendo essas trocas por puro interesse pessoal para "se darem bem na fita".
Isso é uma pouca vergonha sem escrúpulo, para não dizer coisa pior. Parece democrático, mas não é democracia. Essa reforma eleitoral, aprovada como Lei nº 13.165, completou uma década de pilantragem em vésperas de eleições e precisa ser revista, antes que os eleitores percam o completo interesse político partidário.
Sem deixar de falar, esses deputados terão quase 60 dias de recesso parlamentar para cuidarem de suas campanhas. Dinheiro no bolso, troca-troca de partido e enrolação com o povão.
Seguem as mudanças da ALPB confirmadas em ordem alfabética dos políticos, partido que deixaram e para que legenda foram:
1) Anderson Monteiro: MDB → PV
2) Bosco Carneiro: Rep. → PP
3) Caio Roberto: PL → MDB
4) Camila Toscano: PSDB → MDB
5 Chió: Rede/PSOL → PV
6) Dr. Romualdo: MDB → PCdoB
7) Eduardo Carneiro: Solidar → PP
8) Eduardo Brito: Solidar → PSB
9) Felipe Leitão: Rep. → MDB
10) George Morais: União Br → PL
11) Fábio Ramalho: PSDB → MDB
12) Hervázio Bezerra: PSB → MDB
13) João Gonçalves: PSB → PP
14) Júnior Araújo: PSB → PP
15) Luciano Cartaxo: PT → Rep.
16) Michel Henrique: Rep. → PP
17) Tanilson Soares: PSB → PP
18) Tião Gomes: PSB → Rep.
19) Tovar C. Lima: PSDB → MDB.
Confesso que todos deveríamos observar com muito cuidado "essa brincadeira de troca-troca partidária". Já começaria não votando em quem tem mandato e trocou de partido, pois, se ao não respeitar seu voto anterior, não respeitará seu próximo mandato.
Com isso, não estou querendo confundir, com os políticos sem mandatos e que pretendem trocar de sigla, ou de filiados no geral que estão descontentes com as suas direções partidárias e resolvem mudar de partido e até de ideologia político-partidária.
Outro importante aspecto dessas mudanças é a nova Federação União Brasil-Progressistas. Na Paraíba, ficou sob o comando de Aguinaldo Ribeiro (PP), alinhando o diretório ao projeto de reeleição, com a continuidade do grupo de João Azevêdo e Lucas Ribeiro.
Na outra ponta da Federação, Damião Feliciano (ex-PDT), assumiu a Executiva Estadual do União Brasil na Paraíba após a saída de Efraim, que ficou bem enfraquecido com a troca de partido e insistência em ser candidato a governador. Notamos que houve uma grande debandada de políticos do PL e União Brasil.
Agora, resta saber como ficou a correlação de forças dos partidos e as prováveis alianças para o governo do Estado em outubro de 2026?
O atual governador Lucas Ribeiro (PP), pré-candidato a governador, foi o maior beneficiário dessa janela partidária, pois os partidos da sua base como PP (pulou de 4 para 9 deputados); Republicanos (pulou de 8 para 10), sem contar com outros partidos que já estão na base do governo e da sua caneta poderosa, será candidato e continuará governando.
O Deputado Federal Gervásio Maia que trocou o PSB pelo PCdoB, defendeu em entrevista que o candidato a vice-governador na Chapa com Lucas Ribeiro, deve sair da Federação entre o PT, PV e PCdoB (5 deputados), o que ampliaria ainda mais a nova coligação, pois João Azevedo (PSB) é pré-candidato a Senador.
O Partido Progressista e União Brasil, ao criarem a Federação União-Progressista, se fortaleceram na Paraíba, sob a direção do grupo do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e da Senadora Daniela Ribeiro (PP), essa força consolida a candidatura de Lucas Ribeiro (PP) ao Governo do Estado nas eleições de 2026.
O ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que também abandonou o mandato de prefeito da Capital, por pura cobiça, ficou com apenas (6) deputados do (MDB): Caio Roberto, Camila Toscano, Fábio Ramalho, Felipe Leitão, Hervázio Bezerra e Tovar Correia Lima, herdados dos "escombros" do PSDB.
Essa tendência política já ficou desenhada na nova composição da ALPB, quando observamos que o PSDB foi completamente "esfarelado", com todos os deputados saindo para o MDB. Mesmo assim, o pré-candidato a governador Cícero Lucena saiu enfraquecido, pois o MDB, apesar de ter crescido com 6 deputados, perdeu dois e não tem força para atrair mais nenhum.
Quem se antecipou e deu o pulo político antes do tempo certo, poderá ficar "a ver navios",
pois na nova correlação de forças da ALPB, o grupo político do atual governo saiu muito fortalecido e a tendência é crescer a partir dessas novas definições.
Quando muitos analistas políticos avaliaram que Lucas Ribeiro não iria decolar, diante de um Cícero (MDB), que havia desembarcado do governo para ser o candidato da oposição, que despontava nas pesquisas de opinião com grande favoritismo.
Agora, Cícero se encontra estagnado e com várias denúncias e situações mal resolvidas com a justiça. Pesquisas já apontam empate técnico entre Cícero e Lucas e a situação do candidato do MDB ficou restrita a si próprio.
As críticas eram contundentes e empolgadas, com as afirmações de que João Azevedo estava perdendo base e corria o risco de não se eleger para o Senado. Mas 90 dias passados, talvez João e Lucas, tenham organizado suas bases para atrair mais deputados para os partidos aliados, de acordo com os colégios eleitorais das regiões e isso tem um peso para os apoios de prefeitos, vereadores e outras lideranças regionais.
Agora todos devem rever suas bolhas e suas miopías políticas, pois nesse "freio de arrumação", quando juntarem os: (10 deputados do Republicanos), (9 PP), (2 PSB), (2 PCdoB), (2 PV), (1 PT) e, (1 Un. Br.), já serão cerca de 27 deputados dos 36. Então restam 9, sendo 6 de Cícero e 3 para Efraim Filho.
Essa é a realidade política da atual composição na ALPB, mas é claro que existem centenas de outros potenciais nomes para essa disputa. Porém, siga essa lista para não se perder nas "curvas eleitorais da Paraíba pequenina":
- Republicanos (10): Adriano Galdino, Branco Mendes, Danielle do Vale, Francisca Motta, Jutay Menezes, Luciano Cartaxo, Márcio Roberto, Nilson Lacerda, Tião Gomes e Wilson Filho
- Progressistas (9): Dra. Paula, Eduardo Carneiro, Galego de Sousa, Jane Panta, João Gonçalves, João Paulo, Júnior Araújo, Michel Henriques e Tanilson Soares.
- MDB (6): Caio Roberto, Camila Toscano, Fábio Ramalho, Felipe Leitão, Hervázio Bezerra e Tovar Correia Lima.
- PL (3): George Moraes, Sargento Neto e Wallber Virgolino
- PCdoB (2): Dr. Romualdo e Inácio Falcão
- PV (2): Anderson Monteiro e Chió
- PSB (2): Chico Mendes e Eduardo Brito
- PT (1): Cida Ramos
- União Brasil (1): Gilbertinho
Os partidos que perderam completamente seus parlamentares na ALPB foram: PSDB (3); Solidariedade (2); Rede Sustentabilidade (1) e PSD (1). O maior impacto negativo foi para o PSDB, com forte tendência a apagar o partido da história política da Paraíba e do Brasil.
Além dos deputados estaduais, para o Congresso Nacional, três federais mudaram de partido: Gervásio Maia do (PSB) para o (PCdoB); Messinho Lucena do (PP) para o (PSD) e Wellington Roberto do (PL) para o (PSD). Já no Senado apenas Efraim Filho mudou do (Un. Br.) para o (PL). Esse jogo de interesses puramente pessoais, deixam claro que o discurso de mandatos do partido é "conversa pra boi dormir".
Gostaria de ressaltar que essa análise também deve atingir diretamente o senador Efraim Filho que deixou o (Un. Br.) e filiou-se ao (PL). Mesmo achando que esses dois partidos estejam no campo da centro-direita à extrema-direita e seja um direito político do senador, não deixa de ser um absurdo e um desrespeito aos seus eleitores.
Até entendemos que sua antiga legenda, esteja na nova composição da Federação entre o União Brasil-Progressista (PP), o que atrapalhou o esquema e intenções de Efraim Filho na Paraíba.
Mesmo assim e sabendo que havia essa composição em curso, foi um absurdo, pois ele é um senador com mandato de 8 anos (até 2030) e, por puro capricho, quer usar o mandato no meio, para disputar a eleição de governador em 2026. Mesmo sendo um direito político, caso não seja eleito, não perderá nada e voltará tranquilo para Brasília.
Isso é uma incoerência tremenda, outro absurdo que precisa ser mudado, pois casos como esse, assolam a política em quase todos os estados brasileiros. E mesmo com todo esse rebuliço político de troca-troca de partidos, Efraim Filho foi para o PL e ficou enfraquecido, com apenas 3 deputados em sua base: George Moraes, Sargento Neto e Wallber Virgolino. Reflexos observados também em nível nacional. Efraim se entregou de vez para a extrema-direita, pensou em fazer um "giro" e fez um "girau".
Ao final das contas, o maior prejuízo político foi para o PSDB, com forte tendência a se apagar da história política da Paraíba e do Brasil. Inacreditável, mas o PSDB, já foi uma das maiores forças políticas do Brasil e amarga sua pior crise com a completa debanda dos tucanos.
Os outros partidos que ficaram zerados foram: Solidariedade, Rede, PSD, e agora se encontram na mesma situação de: PTB, PDT, Cidadania, Novo e outros, sem nenhum representante na Casa Legislativa da Paraíba.
Por último temos a Federação PSOL/Rede, que mesmo perdendo o deputado Chió, seu único representante, que foi para o PV, o grupo aponta para uma alternativa política do campo da esquerda, com a pré-candidatura do Advogado campinense Olímpio Rocha ao governo do Estado. Segundo nota oficial do PSOL já declararam apoio ao Presidente Lula desde o Primeiro Turno, mas também lançarão nomes para o Senado, Deputados Federais e Deputados Estaduais.
É possível que surjam candidatos dos partidos de Centro-esquerda como: PCB, UP, PCO, PSTU ou que até lancem candidaturas solidárias juntamente com o PSOL. Quem sabe não chegou a hora de apostar em novos nomes e partidos mais à esquerda?
*Por Belarmino Mariano. Da Série Geografia Política. Imagens das Redes sociais. O Povo, Política da Paraíba, Jornal da Paraíba, MaisPB, PB Agora e ALPB.
