segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Pedra de amolar facas

Por Belarmino Mariano
A Geologia é a ciência que explica qual é a melhor pedra para amolar facas. Que me responda o professor Ivanildo Costa . Certamente é a pedra de quartzito, ou melhor, para os geólogos é rocha.
Aqui vamos usar o termo popular, pois como diz o poeta "é pau, pedra é o fim do caminho, é um pedaço de vida no meu coração". 
O quartzito é bom por ter origem no quartzo, com dureza 7 e no granítico, material que se formou em bilhões de anos, sofrendo pressão, intemperie e metamorfose, até virar um pedaço de pedra de amolar faca, facão e lâminas em geral.
Tudo isso para dizer que as memórias viajam, divagam e hoje, enquanto ascendia o fogo para assar um pedaço bode, me peguei lembrando meu velho pai, Mariano, amolando sua faca.
Sua pedra de amolar ainda veio na mudança do vale do Pajeú, Fazenda Angico Torto, na zona rural de Itapetim, direto para o Conde/PB.
A pedra de amolar faca, levemente molhada, se transforma aos poucos, na medida em que a lâmina lhe toca, e ela toca a lâmina. Seus poros e fragmentos de rocha se desgastam, enquanto amola a faca, se desprendem do maciço e viram um pó de rocha.
Não sou um hábil amolador de facas, apenas aprendi a lição, ao observar o vai e vem da faca e a viragem de sua lâmina entre as mãos, para criar o atrito com a pedra, um gume afiado e cortante vai se definindo.
Lembro das mãos do meu pai no vai e vem da faca inclinada sob a pedra de amolar, e depois, ele passava o dedão na lâmina para sentir o corte da afiação.
Esse ritual ainda se repete e provavelmente se repitirar por gerações. Que bom saber que somos aprendizes dos que nos ensinam.
Por Belarmino Mariano, fotografias de Luisa Mariano ). Minha caçula linda.

Guarabira Esburacada


por Belarmino Mariano
Um bolo de pedras protege um buraco de motorista desavisado, parece até uma festa de buraco aniversário, de um governo talentoso onde o trabalho não para, mas de obra que o bom a gente não ver quase nada.
Guarabira esburacada tá assim porque Deus quer, diz o fiel da igreja que votou e fez campanha, mas nem parece ser ele o culpado da fassanha por eleger o inocente que vai escapando na manha.
Guarabira esburacada é culpa do eleitor, pois entra ano e sai ano, ele continua votando em governo detrator, que compra voto, faz cena e enrola até  doutor.
Vendo aqui esse buraco no formato de um bolo, as pedras tudo empilhadas parecem obra começada, mas é alerta de anos sem o cuidado devido, mas o culpado é o povo das obras desgovernadas.
Nunca pensei que em versos daria pra criticar essa vergonha danada da cidade esburacada e o governo dizendo que não tem culpa de nada, culpando a natureza pelo clima e a chuvarada.
Essa sina eu não carrego, pois não votei nesse povo, que promete e dá tapinhas nas costas do eleitor, mas de obras não faz nada, deixando tudo ao léu e no programa de rádio é o mais trabalhador.
Enquanto o tempo vai passando, o atraso tá à vista, o povo vai se enganando com o tapeia eleitor, dizendo que trabalhou, mas os buracos não param e estão por todo lado, até cego já tateia Guarabira esburacada.
Por Belarmino Mariano. Foto do autor.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Damião, o Cavaquinho e a Contra-Mestra da Lapinha.

Por Belarmino Mariano
Em festa de lapinha, tradição do meu interior, temos as músicas e as danças, com dois cordões de moças, sendo o cordão azul e o cordão encarnado, com dançarinas cheias de laços de fitas e umas roupas de seda com plumas e paetês. 
Os rapazes, querendo arrumar namoradas, ficam colocando dinheiro em pequenos cestos aos pés das dançarinas. Sempre tinha as mestras e contra-mestras, que eram as mais bonitas e comandavam os ritmos e as cantigas, que misturavam o sagrado e o profano.
Damião saiu do Brejo de Areia ainda criança e com a idade de dez anos veio morar em Guarabira. 
Quando criança, em termos de estudo, aprendeu pouco e nessa vida injusta, logo cedo aprendeu a fumar e da curiosidade, trabalhou por anos seguidos em olaria de telha e tijolo. 
De curiosidade aprendeu a dirigir ainda rapaz, e entre carro pequeno, trator e caminhão ele dirigia sem medo.
Seu pai era daqueles brutos do interior, mas gostava de música, de bailes e no vai e vem da vida, comprou um cavaquinho velho e desgastado pelo uso e, nas bocas das noites, tentou sem muito sucesso, dedilhar umas notas.
Damião observava de longe e tinha vontade de pegar o instrumento, mas seu pai sempre guardava num baú a cadeado.
Na lida das olarias, quem dirigia ganhava um pouco mais e ele foi juntando dinheiro, pra quem sabe, um dia, poder comprar um cavaquinho. Mas antes dessa compra, descobriu que tinha um alejado chamado Rufino , que morava na rua da ladeira, que sabia tocar violão e outros instrumentos.
E foi com um amigo chamado Cícero até a casa de Rufino. Ele não o conhecia e chegando lá descobriu que Rufino tinha paralisia infantil. O amigo apresentou os dois e perguntou quanto ele cobrava por umas aulas de cavaquinho. Ele disse que cobrava 5 mil rés e garantia que em três meses ele estaria tocando em baile, lapinha e reisado.
Damião adiantou 10 mil rés e Rufino já foi lhe ensinar os primeiros acordes. Nas primeiras noites de aula e com as cabeças dos dedos machucadas, pensou logo em desistir, mas como já tinha adiantado o pagamento continuou o aprendizado.
Ele pediu pra o amigo guardar segredo, pois não queria que seus pais ficassem sabendo. E como estava de paquera com Dora a contra-mestra do cordão encarnado da Lapinha do Rosário, queria segredo.
Depois de quatro meses, Rufino já havia ensinado até a afinação das cordas e disse que Damião já tava pronto. Então ele criou coragem e foi no Rei dos Discos, única loja em Guarabira, que vendia instrumentos e comprou um ótimo cavaquinho, além de um triângulo e um pandeiro.
Em casa, Damião sempre observa seu pai quebrando a cabeça com o seu velho cavaquinho mas não comentava nada, e as vezes ria com os cantos do rosto para que seu pai não notasse. Mas nessa boca de noite o velho percebeu e esbravejando disse, tá rindo de quê?
Aí Damião disse, é que o cavaquinho tem quatro cordas e o senhor só toca em uma, mas acho que era pra tocar com as quatro. Foi a deixa e, seu pai desafiando, disse, então tente você, mas se não tocar eu quebro na sua cabeça.
Damião pegou o cavaquinho, pegou a palheta e deu um pequeno ajuste nas cordas pra encontrar o tom. Quando acertou a afinação, passou a palheta nas quatro cordas e aprumou um chorinho.
Aí seu pai disse, espia Maria, num é que esse moleque leva jeito! Onde danado tu aprendeu a tocar. Ele disse, o alejado da rua da ladeira me deu umas aulas, mas ainda tô aprendendo.
Seu pai disse, o cavaquinho é seu. Ai Damião disse, esse seu não segura a afinação e eu já comprei o meu lá no Rei dos Discos. "Cabra da peste", resmungou seu pai com um ar de alegria.
Nesse meio tempo, Dora já estava sabendo dos boatos e o que era uma paquera, foi se virando namoro sério e em pouco tempo Damião já estava animando as lapinhas e os bailes das redondezas. 
Ele disse que aprender cavaquinho foi seu maior feito, pois lhe ajudou a conquistar o coração de Dora e diminuiu a sua matutice de rapaz do interior.
Agora, com 82 anos e Dora com 83, contou que nunca se separaram. Mas o cavaquinho e até outros instrumentos eram só diversão, pois ganhou mesmo a vida foi como motorista de caminhão e para isso, aprendeu não apenas dirigir, mas a entender da mecânica dos motores, pois são como o coração das moças, cheios de delicadezas.
Quanto a lapinha, baile e reisado, quando era tocador, sempre colocava dinheiro na caixinha do cordão encarnado, pois sua alegria era ver a bandeira vermelha sempre lá em cima.
Por Belarmino Mariano, memória do velho Damião, imagem fantasia das redes).

domingo, 27 de agosto de 2023

Terraplanistas Começaram a Ver o Sol Nascer Quadrado

Por Belarmino Mariano
No Prêmio descoberta astronômica no Brasil, a terra plana não gira, capota. Os primeiros terraplanistas já começaram a ver o sol nascer quadrado.
O líder das pesquisas avançadas, só não conseguiu ainda, por motivos de saúde intestinal. Disse seu porta voz que tá se cagando de medo de ver o sol nascer quadrado.
Foram 30 anos de dedicação à pilantragem astronômica, mas um problema de pedras preciosas nos rins e uns ajustes da tripla gaiteira lhe impede de ver o sol nascer quadrado.
Milhões de brasileiros aguardam ansiosos, alguns nem dormem direito.  O certo é que até o final de agosto isso ocorra, pois existe uma conjunção astronômica e até a polícia federal foi convocada.
Ano passado alguns defensores da terra plana afirmaram contato alienígena, mas as hipóteses não se confirmaram, mesmo assim, dia 8 de janeiro, grande número teve essa oportunidade histórica. Diretamente dos observatórios da Papuda e da Comea.
O ruim para o mito vai ser gritar pedindo um advogado, pois o dito cujo vai responder da outra grade, estou aqui!!!
Por Belarmino Mariano.

Para onde foram os insetos?

Por Lúcia Camilo
Os mais jovens podem não saber, mas qualquer pessoa mais velha lembra muito bem que até pouco mais de 20 anos atrás, qualquer viagem de carro na maioria das estradas significava um pára-brisas coberto de insetos esmagados pelo impacto. Hoje isso não acontece mais da mesma forma.
Pode parecer legal viajar com um pára-brisas limpo. Mas isso não te diz nada? Para onde foram os insetos?
Fonte: Grupo de Ciências

Das Cavernas a Gênese da Geografia


Por Belarmino Mariano
A geografia é uma filosofia da natureza e dos seres humanos.
A geografia é uma ciência de textos, logo, construída de palavras consentidas, com significados e significantes.
A língua guarda em sua gênese as primeiras garatujas para a representação das coisas, e as escrituras da natureza pintadas em paredes de pedras, são os primeiros lampejos humanos, na tentativa de explicar uma geografia de atos e embaraços, práticas de caçadores e coletores abrigados em cavernas.
Entre escuridão, luz e sombras nasce a associação signal de humanos, com sede de penetrar a grande caverna de suas mentes insanas. 
Vigilantes da escuridão e do medo miram em pingos distantes da imensidão e, entre a virgília e o sono, criam as primeiras conexões cósmicas.
Os textos sem escritos são como os pensamentos descontextualizados, mas em milhões de anos serviram de base para a oralidade geracional. 
As palavras, são como a luz que escapa da fogueira acesa no centro da caverna. 
Os olhos associam a luz ao vácuo e as fagulhas penetram a matéria escura, que desaparece na imensidão do nada. 
O silêncio e o calor do fogo e dos corpos amontoados, ensina aos acordados aos despertos que, quase nada faz sentido, a não ser o agora, o instante ou o exato momento dos perigos da escuridão.
Assim, os guardiões ficavam acordados e construiam seus textos, contextos e devaneios mentais. Nessa louca experiência de viver, alguns riscaram garatujas e registraram os sagrados textos de uma espécie em evolução linguística.
São textos históricos, frutos de muita filosofia na escuridão e, no contraste de luz e sombra da fogueira acesa, nasce a geografia como uma filosofia humana da natureza.
Por Belarmino Mariano, imagem das redes.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

"GUARABIRA - Ao redor dos buracos tudo é beira"


Por Belarmino Mariano
Ariano Suassuna, certamente brincou com a teoria de Rutherford-Bohr, sobre os modelos atômicos e, relacionou o esquema a uma música estranha sobre a ideia em que "um cavalo morto é um animal sem vida" e " ao redor do buraco tudo é beira" e o cantor repetia a frase "Rutherford-Bohr, Rutherford-Bohr, Rutherford-Bohr,  modelos atômicos."
Ariano Suassuna, tratava sobre o respeito à cultura brasileira e, o que nos interessa aqui é a "metáfora da beira do buraco", em um país em quê, a reeleição alimenta verdadeiros desgovernos, que  simplesmente abandonam os municípios a sua própria sorte.
Trazendo esse humor de Ariano para Guarabira, quem anda de bicicleta, moto ou carro, vai concordar comigo. Por aqui não existe mais quase asfalto. A não ser em algumas avenidas em que supostamente existem empreendimentos de interesses de algumas famílias.
Por todos os lados onde você circula existe buraco e, no máximo, as respectivas beiras. As beiradas dos buracos são uma verdadeira constelação. Se comparados com átomos, essa história vai chegar ao buraco negro, quase na frente da igreja Assembléia de Deus, na saída para o shopping Cidade Luz e em suas laterais, pois existe buraco de todo tamanho e idade.
Para não ser injusto, podemos notar que entre a praça do Teatro, seguindo na direção do Colégio da Luz foi feito um bom capeamento e no Bairro Novo tivemos uma ruas asfaltadas e só.
Algumas ruas estão esburacadas de um canto ao outro. Além de ruas, ainda em chão batido e restos de asfalto, com mais de 20 anos, quando Fátima Paulino ainda era a prefeita, foram remendados e remendados, então, existem ruas em que os remendos superam o asfalto original.
O pior é que os consertos foram mal feitos e desiguais, então os calçamentos e asfalto ficaram enrugados e cheios de irregularidades, com as buraqueiras superando o que deberíam ser ruas bem pavimentadas.
Não importa o bairro, centro ou rodovias estaduais que no perímetro urbano, são de responsabilidade do governo municipal e sua equipe. As entradas do IFPB e da UEPB, além de buracos e beiras, tudo é lama, quando chove ou poeira quando seca.
Na cidade inteira, onde tinha asfalto, só resta um pissarro, brita solta e buracos. Onde só tinha calçamentos passou a existir ondas de buracos, covas, rebaixamentos e ondulações.
Como testemunha da oficina de BolaCar, já troquei a suspensão do meu automóvel duas vezes. Se for contar a quantidade de alinhamento e balanceamento, me perco entre as diferentes oficinas da cidade.
Cuidado motoqueiros, pois os fragmentos de terra, asfalto e brita soltos são perigosos demais, já levei uma escorregada, seguida de tombo. Quando tentei apoiar o pé no chão, a moto caiu pra um lado e eu para o outro. Essa semana, nos portões da UEPB, uma jovem levou um grande arregaço.
Em Guarabira está ficando difícil sair nas ruas. Para todos os lados temos os mais irregulares quebra-molas em uma única cidade. Em algumas ruas ou avenidas, chega a termos 3 ou 4 quebra-molas, entre 50 e 100 metros de distância. Alguns parecem montanhas, outros são verdadeiros meios fios, no meio das ruas. O pior é você sair de um quebra-muralha e cair em uma cratera. 
Algumas ruas parecem um rally do sertão. Um furo vira barroca, que vira buraco e quando 3 ou 4 buracos se unem, temos uma cratera.
Em Guarabira, temos crateras em quase todas as ruas da cidade. Se a prefeitura adiar seus programas de tapa buraco ou as suas políticas de mobilidade urbana para outro gestor, ficará conhecido como o governo municipal mais esburacado da história recente.
Eu teria vergonha de receber esse título. Recursos existentem, profissionais querendo trabalhar são muitos e o que falta é a vontade política.
Como diziam os mais velhos, as vezes os remendos ficam piores do que os rasgões. Como é difícil falar de situações especificas, vemos Guarabira em seu atual estágio de abandono público, as vezes os buracos tapados, ficam com restos de construção rodeando o serviço e os materiais rolam para a pista, provocando risco de acidentes. 
Ainda não sabemos sobre "o cavalo morto ser um animal sem vida", mas, além dos buracos ainda é comum encontrarmos cavalos, jumentos e vacas soltos pela cidade. Rutherford-Bohr não tratou sobre animais mortos em sua teoria dos modelos atômicos, mas, na cidade onde o lema é : "Governo do Trabalho. Aqui o trabalho não para!" Sei não, minhas dúvidas são muitas. 
Enquanto isso, vivemos correndo sérios riscos de vida, pois para não cairmos nos buracos e nas crateras da cidade, somos obrigados a dirigir pelas beiradas.
Só para relembrar, pois recordar é viver, cadê aquela cidade tapete de asfalto da gestão de Fátima Paulino?

Senador Veneziano Vital (MDB), precisa chamar o feito a ordem em Guarabira.

.   Por Belarmino Mariano* Os atuais mandatários do MDB de Guarabira traíram a confiança de Veneziano desde o primeiro turno, qu...