Eu recebi, nesse fim de ano, muitas palavras de louvação a Deus. Muitos pedidos de aceitação de Cristo. Escutei a maior parte dessas mensagens com paciência, com a certeza de que os amigos estavam sendo sinceros. Meus amigos querem me salvar. Mas... Salvar-me do quê? De quem? Não tive coragem de replicá-los. Seria indelicado da minha parte. Seria grosseiro, dissuadí-los da sua nobre missão de "acordar minha alma". Por isso escrevo aqui, no meu perfil, onde ainda sou dona e senhora das minhas palavras. Eu não falo com Deus! Eu não cubro minhas pretenções de falar com Deus, com frases e frases de salvação. Eu penso em Deus como uma força tão indizível, tão ao mesmo tempo grandiosa e ínfima, eu penso em Deus com uma força tão sem nome, tão sem substantivos, tão sem essa gramática normativa, que as palavras não fazem sentido aqui. Eu não sei o que haverá depois que eu partir. Eu só penso que devo regressar ao ponto de fusão, ali onde se criam estrelas e vermes; ali onde se inventam planetas e pensamentos, ali onde a cozinha cósmica é puro artesanato de invenções sem nome. Não, eu não falo com Deus, e sei que nem eu nem ninguém precisa se salvar. O meu Deus não tem nome. O meu Deus é a vida, cumprindo-se, em toda a sua plenitude. As angústias, os sofrimentos, são todos nossos! A vida é essa overdose de surpresas, de "não acredito", que muitas verzes a gente cobre com nossa inércia, nossa ignorância, nossa crueldade. Se eu quiser dar um nome à minha divindade, ela se chamará espanto; ela se chamará invenção; ela se chamará ruído cósmico, com todas as suas coisas estranhas. Meu deus é estranho, mas eu confio na sua força!"
Artigos políticos, culturais, socioeconômicos e ambientais; críticas, denúncias e analises conjunturais.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um Bolsominium no Divã
. * Por Belarmino Mariano Jair Almeida Frustódio, 60 anos, morador da periferia de Belford Roxo (RJ), trabalhador CLT e atuando ...
-
Por Wanderlam Alves* Eu me propus não fazer qualquer tipo de manifestação pública referente às eleições para a reitoria da UEPB...
-
Por ADUEPB* A trajetória da Universidade Estadual da Paraíba começou em 1966, com a criação da Fundação Universidade Regional do...
-
Por Edmar Oliveira* Me autodefino como “socialista desejante e comunista utópico”. Ninguém pode me acusar de lulista. Ele não é ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário